Let Me Roll It |Paul McCartney e Linda McCartney
You gave me something
I understand
You gave me loving in the palm of
my hand
I can’t tell you how I feel
My heart is like a wheel
Let me roll it
Let me roll it to you
Let me roll it
Let me roll it to you
I want to tell you
And now’s the time
I want to tell you that
You’re going to be mine
I can’t tell you how I feel
My heart is like a wheel
Let me roll it
Let me roll it to you
Let me roll it
Let me roll it to you
Eco do lavabo. Sempre o chamávamos de
eco do lavabo porque é como o eco de um toalete, que a gente chama
de “lavabo”. Gritávamos para a sala de controle: “Podemos ter
o eco do lavabo, por favor?”. Eles indagavam: “Com 7,5
polegadas/segundo ou 15 polegadas/segundo?”. Dizíamos: “Não
sabemos. Toquem os dois”. Na época, o eco era gravado numa fita.
Eco do lavabo curto, eco do lavabo longo. Era muito Gene Vincent.
Muito Elvis.
John amava esse eco de fita e o usava
mais que qualquer outro da banda, então isso se tornou um som
característico em seus discos solo. Ao usá-lo aqui, estou
reconhecendo isso. Eu me lembro de ter cantado “Let Me Roll It” e
pensado: “Sim, é bem ao estilo de uma canção de John”. Nem é
preciso dizer que ela está na área de vocalização de John, mas a
coisa mais lennoniana é o eco.
Só que o elemento mais significativo
nesta canção não é o eco. Não é a vocalização. Não é a
letra. É o riff de guitarra. A palavra que me vem à mente é
“abrasador”. É uma coisinha abrasadora. Falar sobre a letra dá
muito pano para manga, mas um bom riff é uma beleza rara.
Esse é tão explosivo que as pessoas na plateia ficam boquiabertas
ao ouvi-lo. Como ele cessa tão abruptamente, parece que tudo se
congela. O tempo se congela.
Falando na letra, acho que é justo
dizer que “roll it” tem a ver com enrolar um baseado. Não
creio que isso venha a ser uma surpresa para alguém. Rolava muito
fumo de maconha na plateia, na época em que fumar ainda era
permitido nos locais de eventos. Hoje, durante os shows, às vezes eu
fico me perguntando se o público não é um tanto pudico. Aí eu
sinto o cheiro de maconha e penso: “Bem, tudo certo. É um cheiro
bom”. Mas é provável que isso aconteça mais nos festivais.
Talvez seja mais fácil burlar a segurança.
Em seu cerne, “Let Me Roll It” é
uma canção de amor. Esse componente é muito forte na canção: o
outro e erótico sentido de “rolling” é rolar, parte
integrante do rock’n’roll. “My heart is like a wheel”.
Se meu coração é como uma roda, “Let me roll it to you”:
essa é uma imagem com a qual todo mundo pode se conectar. Qualquer
pessoa entende o quanto nos sentimos expostos ao oferecer o coração
ou revelar afeto por outra pessoa. É dificílimo.
A relutância que sentimos nessa
situação – de querer dar um passo, mas hesitar em se abrir
completamente – torna-se física na formatação do riff, que
começa e termina de forma abrupta. O corte constante no embalo da
canção mimetiza o tema. Todo mundo se identifica com uma situação
dessas. Um ou dois anos atrás, assisti a um musical chamado Be
More Chill, de Joe Iconis e Joe Tracz, sobre um garoto nerd
incapaz de falar que ama alguém. Ele tem um probleminha de fala, uma
gagueira nervosa. “Let Me Roll It” é uma espécie de gagueira
estendida.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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