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10/10/2011

A última sessão de fotos de Marilyn Monroe

Em três dias e três noites, o fotógrafo nova-iorquino Bert Stern tirou mais de duas mil fotografias à diva do cinema, Marylin Monroe. Numa suíte, num hotel de luxo em Los Angeles, a atriz cedeu-lhe o privilégio de ser o último para quem pousava. Seis semanas depois era encontrada sem vida e estas imagens, captadas há quase cinquenta anos, continuam a dar a volta ao mundo em inúmeras exposições.


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A suíte 261 do Hotel Bel-Air, em Los Angeles, e três garrafas de champanhe Dom Pérignon de 1953 foram as duas exigências que a estrela de cinema Marylin Monroe impôs a Bert Stern para se deixar fotografar.
Mal imaginava o nova-iorquino que ao aceitar estas condições estaria não só frente-a-frente com a mulher que tanto ambicionava conhecer, como seria o último a fotografá-la. Em 1962 e com apenas 36 anos de idade, Norma Jean Baker (o seu verdadeiro nome) já tinha deixado de lado a imagem que conquistara tantos admiradores.
Ou talvez não. Em “Os Inadaptados” (1961), de John Huston, a personagem da atriz curiosamente tem uma fala em que diz: “Todos pensam que sou alegre”. E, na vida real, era mesmo isso que acontecia. Todos idealizavam uma Marylin feliz, sem dramas nem problemas, porque afinal isso só acontecia ao comum dos mortais. Ela era uma diva, uma das mulheres mais bonitas do planeta, mas não era uma mulher real aos olhos do público.
Bern Stern não era exceção. O fotógrafo, hoje com 82 anos, era conhecido pelos seus trabalhos na moda e em publicidade, tendo também sido o autor de algumas cenas fotográficas do filme “Lolita”, de Stanley Kubrick. E queria conhecer Marylin. Queria despi-la e registar esses momentos. Durante três dias, foram tiradas mais de duas mil imagens. Sessenta estão agora expostas no Centro Cultural de Cascais (Fundação D.Luis I), depois de terem passado por São Paulo, Londres, Paris e Seul.
Voltando à sessão. Com cinco horas de atraso, a atriz chega finalmente ao hotel. E, pouco a pouco, Bern vai conseguindo relaxá-la - ele e os copos de champanhe - e disparando os flashes. Já sem qualquer roupa, Marylin deixa-se fotografar em diversas poses por entre os lençóis e o chão da suíte. Até que, a dada altura, acaba por adormecer. As garrafas de Dom Pérignon iam ficando cada vez mais vazias.
Mesmo assim, a sessão do fotógrafo não abala a eterna imagem de Marylin. Tinha sido operada ao abdômen, tinham-lhe tirado a vesícula, mas não quis disfarçar a cicatriz, como Bern lhe tinha sugerido. Queria mostrar “a sua imperfeição”. Esse seu lado, que muitos se recusavam a aceitar. Apenas seis semanas depois, foi encontrada morta, nua (como na última sessão), pela enfermeira pessoal. Os testes confirmaram que estava sob o efeito de drogas (um dos problemas com os quais se debatia no dia-a-dia), mas ainda persistem as teorias de uma possível conspiração da CIA, pela sua ligação aos Kennedy.



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Publicadas ainda em 1962 na revista Vogue, as fotografias só viriam novamente a ser vistas no livro “The Last Sitting”, em 1982. Marylin Monroe, que (aparentemente) tinha tudo para ser feliz, afinal não o era. Uma imagem de perfeição que lhe atribuíram, uma lenda que criaram, levando-a à depressão e ao caos pessoal. Um retrato que não condiz com a simplicidade e ingenuidade das suas imagens. Talvez seja por isso que a realidade ficava atrás dos bastidores.


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Diana Ribeiro, in obviousmag.org

21/09/2011

Monte Roraima: a maior montanha plana do mundo

Na América do Sul, o monte Roraima, um dos mais altos planaltos da região, tem duas características pouco comuns: além de se estender por três países (Venezuela, Brasil e Guiana), é completamente plano. Alvo de lendas e superstições, é hoje tema de documentários sobre a Natureza, explorações científicas e escaladas para os mais aventureiros.
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Está entre as formações geológicas mais antigas da Terra, quando os continentes ainda nem estavam separados, há cerca de dois biliões de anos. O Monte Roraima foi ganhando este aspecto devido à ação do vento e da chuva, que foram “moldando” as suas rochas.
Situado num terreno montanhoso rodeado por outros imponentes montes, faz parte do chamado grupo Tepuis. Este grupo caracteriza-se pela sua forma natural: praticamente plana, como se os seus montes fossem mesas. Com uma extensão de 31Km2, está distribuído entre três países: no sul da Venezuela, no extremo norte do Brasil e no oeste do Guiana.
Desde sempre o Roraima despertou interesse e curiosidade. Há várias lendas antigas e mitos desde os primeiros povos que habitavam nas redondezas. Descrito pela primeira vez apenas em 1596, por Sir Walter Raleigh, foi também fonte de inspiração ao criador do famoso detective Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, para a sua obra de 1912 O mundo perdido.
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Em 2006, uma equipe de cientistas partiu numa exploração às recentemente descobertas grutas de Roraima. Um ano depois, retornariam com alguns apoios por parte da NASA, para uma maior investigação sobre micróbios encontrados nas paredes das grutas que poderiam trazer pistas sobre a vida noutros planetas.
As escaladas, subidas e descidas pela montanha datam já de 1884. Sir Everard Im Thurn, após várias tentativas de chegar ao topo, encontra finalmente um caminho pelas encostas. Apesar do difícil e íngreme acesso, foi o primeiro tepui a ser escalado. Hoje em dia, é esse o percurso mais usado pelos aventureiros que procuram uma experiência diferente.
Alcançar e percorrer os 90 Km do cume não é tarefa fácil. Pode levar dois dias até lá e sete dias para uma “exploração” total de toda a área. A caminhada começa do lado venezuelano. Na aldeia indígena de Paraitepuy, próxima da zona, é possível encontrar um guia para acompanhar a viagem, já que as nuvens e o tempo chuvoso podem levar alguém a perder-se no caminho. Para além da maravilhosa vista, da diversa fauna e flora que Roraima oferece, o ponto alto é a “Pedra Maverick”, que se assemelha a um modelo de automóvel dos anos 70. Os milhões de litros de água que escorrem pelo monte formam riachos e quedas de água de 979 m - entre elas, “Santo Angel”. Esta é a única maneira de chegar, sem recorrer ao uso de equipamentos de alpinismo. Do lado de Guiana e do Brasil, devido às falésias que rodeiam o monte, é impossível contorná-lo sem esta ajuda.
Para protegê-lo, foi transformado em 1989 em Parque Natural.

Diana Ribeiro, in www.obviousmag.org