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17/12/2019

A demolição da ordem política

Quando nos interessamos ativamente por questões de relevância duvidosa em momentos escolhidos por tiranos e seus asseclas, participamos da demolição de nossa própria ordem política.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente

05/12/2019

O mito do ‘fim da história’

Se nenhum de nós estiver disposto a morrer pela liberdade, todos morreremos sob a tirania.”
Snyder fecha seu livro afirmando que ‘tivemos nossa guarda baixadas’, iludidos com a política da inevitabilidade, que era a ideia de que a história estava fadada a se mover em uma só direção: a da Democracia Liberal. Fomos impregnados com o mito do ‘fim da história’.
Com essa espécie de letargia, reprimimos a imaginação, e abrimos caminho para que germes de regimes que prometemos nunca mais reviver voltassem a nos rondar. A história deixou de ser relevante, logo, quando ela se mostra disposta a se repetir, somos pegos desprevenidos.
Além da política da inevitabilidade, também fomos atingidos pela política da eternidade: ela se interessa pelo passado, mas de forma egocêntrica, livre de qualquer compromisso com a objetividade dos fatos.
O espírito de nostalgia reina nessa política, um desejo de retorno de momentos gloriosos que jamais aconteceram, e que, na realidade, foram desastrosos — e quase sempre tirânicos/ditatoriais.
Para o autor, corremos o perigo de passar da política da inevitabilidade para a política da eternidade, de uma ingênua e imperfeita república democrática para uma confusa e cínica oligarquia fascista.
Uma coisa é certa: se os jovens não começarem a fazer história, os políticos da eternidade e da inevitabilidade a destruirão. E, para fazer história, os jovens terão de conhecê-la um pouco. Isso não é o fim, mas um começo.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente

30/11/2019

A sociedade vigilante

Os partidos que reconstruíram os Estados e suprimiram os rivais não foram onipotentes desde o começo. Eles se aproveitaram de um momento histórico para tornar a vida política impraticável para os adversários. Por isso, apoie o sistema multipartidário e defenda as regras de eleições democráticas. Vote em eleições municipais e estaduais enquanto for possível. Pense em concorrer a um cargo eletivo”.
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente
Para Snyder, o século XX testemunhou ótimas medidas para ampliar o direito do voto e de criar democracias duradouras.
Porém, as democracias que surgiram depois da primeira e da segunda guerra, em muitos casos, se corroeram quando um único partido tomou o poder mediante combinação de eleição e golpe de Estado.
Como ele afirma: “Um partido fortalecido por resultados eleitorais favoráveis, ou motivado por uma ideologia, ou ambas as coisas, podia transformar o sistema de dentro pra fora”. Justamento o que fizeram Nazi/Fascistas.
A maioria dos alemães da década de 30, que votaram no Partido Nazista, não se deram conta de que aquela poderia ser a sua última eleição livre. Isso também ocorreu com países do leste europeu, sob o regime comunista.
Qualquer eleição pode ser a última, o que resta é a necessidade de total vigilância da parte da sociedade.

31/10/2019

Dos fatos, da liberdade

Abandonar os fatos é abandonar a liberdade. Se nada for verdadeiro, ninguém poderá criticar o poder, porque não haverá uma base para fazê-lo. Se nada for verdadeiro, tudo é espetáculo. A carteira mais recheada garante a pirotecnia mais ofuscante.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente

15/10/2019

Preserve sua vida privada


Governantes maliciosos vão querer usar o que sabem a seu respeito para intimidá-lo. Proteja seu computador regularmente contra programas mal-intencionados, como vírus, cavalos de troia etc. Lembre-se de que o e-mail é uma correspondência quase pública. Pense em usar formas alternativas de internet, ou simplesmente usá-la menos. Tenha conversas pessoais tête-à-tête. Pela mesma razão, evite qualquer problema legal. Os tiranos procuram o gancho em que vão pendurá-lo. Procure não ter ganchos.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente
Para Snyder, o totalitarismo destrói a diferença entre o privado e o público não só para diminuir a liberdade das pessoas, mas também para afastar a sociedade da política normal e levá-la para as teorias conspiratórias.
Em vez de criar fatos e gerar interpretações, a sociedade é seduzida por realidades ocultas e por conspirações macabras que tudo explicam.

09/10/2019

Investigue


Reflita sozinho sobre as coisas. Dedique mais tempo aos artigos longos. Prestigie o jornalismo investigativo assinando jornais e revistas. Perceba que parte do que a internet oferece está ali para enganá-lo. Descubra páginas na rede que investigam campanhas de propaganda (algumas dessas campanhas vêm do exterior). Responsabilize-se pelo que você comunica às pessoas.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente

30/09/2019

Preste atenção a palavras perigosas


Fique alerta ao emprego das palavras ‘extremismo’ e ‘terrorismo’. Esteja atento às noções fatais de emergência e exceção. Revolte-se contra o uso traiçoeiro de vocabulário patriótico.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente

Para o jurista nazista Carl Schmitt, a essência do fascismo é concentrar-se na ideia de exceção. Um nazista supera os adversários criando a convicção de que o momento presente é excepcional, e depois esse estado de exceção é transformado em estado de emergência. Daí, os cidadãos trocam a liberdade por uma falsa segurança.
Segundo Snyder, quando políticos usam o termo Terrorismo para tentar nos fazer abrir mão da liberdade em nome de segurança, devemos abrir o olho.
Muitas vezes, quando tiranos falam de Extremismo, referem-se as pessoas que não estão na mesma corrente dominante do momento. No século XX, os que resistiam ao fascismo eram chamados de extremistas.
A ideia de Extremismo pode vir a designar tudo, exceto aquilo que realmente é: a tirania.

23/09/2019

Seja o mais corajoso possível


Se nenhum de nós estiver disposto a morrer pela liberdade, todos morreremos sob a tirania.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente
Snyder fecha seu livro afirmando que ‘tivemos nossa guarda baixadas’, iludidos com a política da inevitabilidade, que era a ideia de que a história estava fadada a se mover em uma só direção: a da Democracia Liberal. Fomos impregnados com o mito do ‘fim da história’.
Com essa espécie de letargia, reprimimos a imaginação, e abrimos caminho para que germes de regimes que prometemos nunca mais reviver voltassem a nos rondar. A história deixou de ser relevante, logo, quando ela se mostra disposta a se repetir, somos pegos desprevenidos.
Além da política da inevitabilidade, também fomos atingidos pela política da eternidade: ela se interessa pelo passado, mas de forma egocêntrica, livre de qualquer compromisso com a objetividade dos fatos.
O espírito de nostalgia reina nessa política, um desejo de retorno de momentos gloriosos que jamais aconteceram, e que, na realidade, foram desastrosos — e quase sempre tirânicos/ditatoriais.
Para o autor, corremos o perigo de passar da política da inevitabilidade para a política da eternidade, de uma ingênua e imperfeita república democrática para uma confusa e cínica oligarquia fascista.
Uma coisa é certa: se os jovens não começarem a fazer história, os políticos da eternidade e da inevitabilidade a destruirão. E, para fazer história, os jovens terão de conhecê-la um pouco. Isso não é o fim, mas um começo.”

15/09/2019

Assuma sua responsabilidade para com o mundo


Os símbolos de hoje possibilitam a realidade do amanhã. Observe as suásticas e os outros sinais do ódio. Não desvie o olhar, nem se acostume com eles. Remova-os você mesmo e dê o exemplo para que outros também o façam.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente
Na política do cotidiano, nossos atos, palavras e gestos, ou até a nossa omissão fazem muita diferença. O autor traz exemplos do século passado para mostrar como isso acontece.
Na URSS de Stálin, fazendeiros prósperos eram representados em cartazes de propaganda como porcos, o que é claramente uma espécie de desumanização. Isso fez com que os camponeses mais pobres se voltassem contra os mais ricos, representados como porcos vis. Só que depois, o poder soviético abocanhou a todos, tomando suas terras e fazendas. Depois da coletivização das posses, imensa parte do campesinato veio a passar fome. No fim das contas, todos sofreram, ninguém foi poupado.
No embalo da vitória, nazistas tentaram criar um boicote às lojas dos judeus. Lojas passaram a ser sinalizadas com as palavras ‘Judia’ ou ‘Ariana’. Uma loja marcada como ‘Judia’ era vista como algo que não tinha futuro, e tornou-se alvo fácil de roubos. O desejo que os judeus desaparecessem foi crescendo.
Em 1933, na Alemanha nazista, as pessoas usavam broches pelo “Sim”, nas eleições e no referendo que afirmou o Estado de um só partido. Na Áustria, pessoas que antes não eram nazistas passaram a usar broches com suásticas.

10/09/2019

Trate bem a língua


Evite proferir as frases que todo mundo usa. Reflita sobre sua maneira de falar, mesmo que apenas para transmitir aquilo que você acha que todos estão dizendo. Faça um esforço para afastar-se da internet. Leia livros.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente
Hitler manipulava a linguagem. Para ele, ‘Povo’ significava algumas pessoas e outras não, (Snyder cita que Trump também o faz), os conflitos eram sempre ‘lutas’, e qualquer tentativa de ver o mundo de uma maneira diferente, feita por parte de indivíduos livres, era vista como difamação do líder ou calúnia. Na nossa época, os chavões são uma arma constante dos políticos.
Tymothy faz uma crítica a letargia causada pela televisão e a espécie de entorpecimento causado pelas telas.
No século passado, romances clássicos já advertiam sobre a dominação das telas, a supressão dos livros, do estreitamento do vocabulário e das dificuldades de se pensar.
Em Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, bombeiros procuram e queimam livros, enquanto a maior parte dos cidadãos assiste a televisão interativa.
No famoso 1984, de George Orwell, os livros são proscritos, e os televisores são os informadores e transmissores, permitindo o governo vigiar os cidadãos.
No livro de Orwell, a linguagem dos meios visuais é muito limitada, para negar ao público os conceitos precisos para refletir sobre o momento em que se vive, ou recordar o passado e pensar no futuro. Um dos projetos desse regime era limitar a linguagem cada vez mais, retirando cada vez mais palavras das edições dos dicionários.
Quando começamos a reproduzir as mesmas frases e palavras que aparecem nos meios de comunicação diários, nos conformamos com a ausência de um quadro maior de referencial. Dispor desse referencial exige mais conceitos, e conceitos exige leitura.
Por isso, afaste as telas de sua vida e cerque-se de livros. Os personagens dos livros de Orwell e Bradbury não podiam fazer isso — mas nós ainda podemos”.

03/09/2019

Destaque-se


Alguém precisa tomar a frente. É fácil acompanhar a maioria. Pode parecer estranho fazer ou dizer algo diferente. Mas sem essa inquietação não existe liberdade. No momento em que você dá o exemplo, quebra-se o encanto exercido pelo status quo, e outros o imitarão.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente

28/08/2019

Pratique a política


O poder deseja que seu corpo amoleça na poltrona e que suas emoções se dissipem na tela. Saia de casa. Leve seu corpo a lugares desconhecidos, onde vivem pessoas desconhecidas. Faça novos amigos e se manifeste junto deles.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente
Para Tymothy, se os tiranos não percebem consequência nenhuma para seus atos no mundo real, nada mudará. Então, deixar as críticas apenas no mundo online e sair para a esfera do real, do corpo-a-corpo é essencial em uma resistência a um governo com vieses autoritários.

18/08/2019

Não obedeça de antemão


A maior parte do poder do autoritarismo é concedida voluntariamente. Em tempos como estes, as pessoas calculam com antecedência o que um governo mais repressivo pode querer, e muitas vezes oferecem sua adesão sem que sejam solicitadas. Um cidadão que procede dessa maneira está ensinando ao poder o que ele pode fazer.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente

11/08/2019

Defenda as instituições


São as instituições que nos ajudam a preservar a decência. Elas também precisam de nossa ajuda. Não se refira às ‘nossas instituições’, a não ser que você as torne realmente suas por atuar em benefício delas. As instituições não se protegem sozinhas. Desmoronam uma depois de outra se cada uma delas não for defendida desde o início. Por isso, escolha uma instituição que você aprecia — um tribunal, um jornal, uma lei, um sindicato — e aja em seu favor.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente

É um erro pensarmos que os governantes que chegaram ao poder por meio das instituições não sejam capazes de mudá-las, ou até mesmo de destruí-las (Às vezes, candidatos anunciam que o farão, previamente).
Em muitos momentos, os revolucionários tem a declarada vontade de destruir as instituições no mesmo momento em que se tornam poderosos. Foi o que fizeram os bolcheviques russos.
Em outros momentos, as instituições se tornam uma sombra do que foram antes, passando a trabalhar a favor da nova ordem, e não atuando como uma resistência. Foi o que ocorreu na Alemanha nazista.

08/08/2019

Cuidado com grupos paramilitares


Quando pessoas armadas que sempre afirmaram ser contra o sistema começam a usar uniformes e a desfilar com tochas e retratos de um líder, o fim está próximo. Quando o grupo paramilitar favorável ao líder se unir à polícia e às Forças Armadas oficiais, o fim chegou.”

Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente

Segundo o autor, é impossível existir eleições democráticas, julgamentos em tribunais, formulação e cumprimento de leis, quando outras organizações que não seja o Estado tenha o direito de usar de violência(?).
Os grupos armados primeiro corroem a ordem política para depois transformá-la. Por exemplo, a Guarda de Ferro, na Romênia, a Cruz Flechada húngara, e as tropas de choque nazistas. O autor também faz uso de um exemplo, (sem citar o nome de Trump, mesmo ficando implícito), de um candidato americano que impediu a presença de um adversário em um comício seu, expulsando-o, mas com sua guarda pessoal.
Para Snyder, para a violência transformar não somente o clima político mas também o sistema, as emoções dos comícios e a ideologia de exclusão precisam ser incorporadas ao treinamento dos guardas armados.
Esses guardas primeiro desafiam a polícia e as Forças Armadas, depois se infiltram nessas organizações e por fim as transformam.”

28/07/2019

Acredite na verdade


Como na era da internet todos nós somos editores, cada um de nós arca com uma certa responsabilidade privada pelo senso de verdade do público. Se adotarmos uma postura de seriedade na busca dos fatos, cada um de nós pode fazer uma pequena revolução na forma como a internet funciona. Se procurar por fatos comprovados, você não enviará informações falsas a outras pessoas.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente

Segundo o autor, é impossível existir eleições democráticas, julgamentos em tribunais, formulação e cumprimento de leis, quando outras organizações que não seja o Estado tenha o direito de usar de violência(?).
Os grupos armados primeiro corroem a ordem política para depois transformá-la. Por exemplo, a Guarda de Ferro, na Romênia, a Cruz Flechada húngara, e as tropas de choque nazistas. O autor também faz uso de um exemplo, (sem citar o nome de Trump, mesmo ficando implícito), de um candidato americano que impediu a presença de um adversário em um comício seu, expulsando-o, mas com sua guarda pessoal.
Para Snyder, para a violência transformar não somente o clima político mas também o sistema, as emoções dos comícios e a ideologia de exclusão precisam ser incorporadas ao treinamento dos guardas armados.
Esses guardas primeiro desafiam a polícia e as Forças Armadas, depois se infiltram nessas organizações e por fim as transformam.”

24/07/2019

Lembre-se da ética profissional


Se os advogados tivessem seguido a norma que proibia execuções sem julgamento, se os médicos tivessem obedecido à regra que proíbe cirurgias sem consentimento, se os executivos tivessem endossado a proibição da escravidão e se os burocratas tivessem se recusado a processar a documentação que envolvia os assassinatos, o regime nazista teria enfrentado muito mais dificuldades para dar cabo das atrocidades pelas quais é lembrado.”
Timothy Snyder, in Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente