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24/10/2013

Tipos inesquecíveis

Era elegante como um manequim de vitrine e ocupado como telefone de bicheiro. Embora mentiroso como bula de remédio, mais enganador que boletim meteorológico e vagaroso como uma obra da prefeitura, era minucioso como um vendedor de imagináveis e tão perigoso quanto um pastel de botequim. De inteligência era tão quadrado quanto a frente de um carro inglês e sua ignorância era transparente como fatia de presunto em sanduíche. Sob o ponto de vista moral, era mais sujo que qualquer rua do Rio e mais desmoralizado que o cruzeiro. Sentindo-se tão inútil quanto um deputado honesto e mais abandonado que o plano para erradicar a seca, resolveu por fim a vida de maneira tão rápida quanto o governo aumenta impostos. Hoje é apenas uma saudade funda como o time do Olaria e seu nome está mais esquecido que promessa de vereador em época eleitoral.
Max Nunes, in Uma pulga na camisola: o máximo de Max Nunes

03/05/2011

Homeopoesia


Não sei se a homeopatia cura ou não. Mas acho lindos os nomes de seus remédios. Eis alguns, colhidos no velho Guia Homeopático de Almeida Cardoso, de 1938.


Bórax - Lembra nome de âncora de telejornal, mas resolve a falta do leite materno.
Briônia - Uma rainha da antiga Babilônia? Não. É um remédio para problemas da bexiga e suores noturnos.
Dulcâmara - Para dores reumáticas ou nome de mucama em filme brasileiro de época.
Gelsemium - Remédio para senhoras histéricas. Cairia igualmente bem como nome de parlamentar corrupto.
Ipecacuanha - Serve para bronquite catarral ou para batizar cidade do interior paulista.
Jucaína - Remédio que não informam muito bem para o que serve, mas cujo nome seria ideal para índia de novela.
Lobélia - Poderia ser o título de um balé do Bolshoi com coreografia de Roland Peti, mas também cura sarna.
Stramonium - Ficaria melhor como nome de compositor russo, mas é remédio para insônia.

Uma certeza: enquanto houver homeopatia, não vai faltar poesia.


Max Nunes