Mostrando postagens com marcador Abel Silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Abel Silva. Mostrar todas as postagens

08/01/2019

O poço

A moeda do Acaso
cai tão fundo
no Poço dos Destinos
que vivemos descolados
do viver do outro,
como num contrato de comportamento.
O milagre do viver nos entorpece.
Então a notícia da doença de um amigo,
o convite para a missa de um outro,
um susto, um alarme, uma suspeita
nos vareja no rosto uma aragem de morte.
Às vezes choramos,
ficamos desorientados
mas abrimos os olhos,
levantamos os ombros e seguimos em frente.
A gente é assim.
Como não guardo a esperança
de um encontro feliz
ao final das eras,
valorizo o tempo do aconchego,
abraço, beijo, conforto, aceito, sirvo.
Armo como posso a teia do afeto,
enquanto estamos perto
enquanto estamos vivos.
Abel Silva

10/12/2017

Local

De onde me viria
esta história de o amor
ser de partida?

E esta agonia,
o inquirir de cada olhar
o revés
do esquecimento?

Minha praia é esta
meu convés o litoral
eu sou a minha nau
e o meu descobrimento.

Eu não conheço a dor dos navegantes
nem as areias escaldantes
dos salvados do mar...

Se sou assim desde o primeiro dia
por que fugir de mim
em travessia?
Abel Silva

01/10/2017

Galo cantando




Tem tempo que não ouço um galo
cantando na madrugada
um galo chamando o dia
dentro da noite calada.

Seu canto marcando o terreno
de sua própria ousadia
entre a sombra e o clarão
na noite a sua vigia.

Canto que puxa o tempo
de dentro do poço escuro
sangue de um outro dia
carne de um outro futuro.
Abel Silva

23/04/2012

Jura Secreta, com Simone



Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada que eu quero me suprime
De que por não saber 'Inda não quis.

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri.

Composição: Sueli Costa e Abel Silva

10/08/2011

Capricho


Quando uma mulher 
deseja o coração 
de um homem 
toda a natureza 
corre pra ajudar. 
E pinta de beleza 
o sorriso que artimanha 
e faz que é sutileza 
o gesto mais vulgar. 
E esse homem, então, 
vive o cerco mais feliz 
que pode um animal sofrer. 
- Cuidado! É perigoso! - 
o coração lhe diz, 
mas diz também que quer 
se deixar prender. 
Amor - ai, que capricho - 
me tirou a paz, 
me acende em arrepios, 
me faz sufocar 
Me deixa assim vazio, 
me faz transbordar, 
a dor não sei se dói, 
se aquece, 
não sei o que acontece 
em mim 
Só sei que é alegria, 
desesperada luz, 
a vida revelada 
em mim!

Abel Silva

28/07/2011

Acaso



Não sei se o acaso quis brincar
Ou foi a vida que escolheu
Por ironia fez cruzar
O meu caminho com o seu
Eu nem queria mais sofrer
A agonia da paixão
Nem tinha mais o que esquecer
Vivia em paz na solidão
Mais foi te encontrar e o futuro
Chegou como um pressentimento
Meus olhos brilharam, brilharam
No escuro da emoção
Não sei se o acaso quis brincar
Ou foi a vida que escolheu
Por ironia fez cruzar
O seu caminho com o meu
Por ironia fez cruzar o seu caminho com o meu.

Composição: Abel Silva e Ivan Lins

César Camargo Mariano e Pedro Mariano: não por acaso pai e filho, piano e voz em magistral interpretação de um clássico da MPB.