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10/02/2024
16/10/2023
08/01/2019
O poço
A
moeda do Acaso
cai tão fundo
no Poço dos Destinos
que vivemos descolados
do viver do outro,
como num contrato de comportamento.
O milagre do viver nos entorpece.
Então a notícia da doença de um amigo,
o convite para a missa de um outro,
um susto, um alarme, uma suspeita
nos vareja no rosto uma aragem de morte.
Às vezes choramos,
ficamos desorientados
mas abrimos os olhos,
levantamos os ombros e seguimos em frente.
A gente é assim.
Como não guardo a esperança
de um encontro feliz
ao final das eras,
valorizo o tempo do aconchego,
abraço, beijo, conforto, aceito, sirvo.
Armo como posso a teia do afeto,
enquanto estamos perto
enquanto estamos vivos.
cai tão fundo
no Poço dos Destinos
que vivemos descolados
do viver do outro,
como num contrato de comportamento.
O milagre do viver nos entorpece.
Então a notícia da doença de um amigo,
o convite para a missa de um outro,
um susto, um alarme, uma suspeita
nos vareja no rosto uma aragem de morte.
Às vezes choramos,
ficamos desorientados
mas abrimos os olhos,
levantamos os ombros e seguimos em frente.
A gente é assim.
Como não guardo a esperança
de um encontro feliz
ao final das eras,
valorizo o tempo do aconchego,
abraço, beijo, conforto, aceito, sirvo.
Armo como posso a teia do afeto,
enquanto estamos perto
enquanto estamos vivos.
Abel
Silva
10/12/2017
Local
De
onde me viria
esta
história de o amor
ser
de partida?
E
esta agonia,
o
inquirir de cada olhar
o
revés
do
esquecimento?
Minha
praia é esta
meu
convés o litoral
eu
sou a minha nau
e
o meu descobrimento.
Eu
não conheço a dor dos navegantes
nem
as areias escaldantes
dos
salvados do mar...
Se
sou assim desde o primeiro dia
por
que fugir de mim
em
travessia?
Abel
Silva
01/10/2017
Galo cantando
Tem
tempo que não ouço um galo
cantando
na madrugada
um
galo chamando o dia
dentro
da noite calada.
Seu
canto marcando o terreno
de
sua própria ousadia
entre
a sombra e o clarão
na
noite a sua vigia.
Canto
que puxa o tempo
de
dentro do poço escuro
sangue
de um outro dia
carne
de um outro futuro.
Abel
Silva
23/04/2012
Jura Secreta, com Simone
Só uma coisa
me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada que eu quero me suprime
De que por não saber 'Inda não quis.
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada que eu quero me suprime
De que por não saber 'Inda não quis.
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri.
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri.
Composição: Sueli Costa e Abel Silva
10/08/2011
Capricho
Quando uma mulher
deseja o coração
de um homem
toda a natureza
corre pra ajudar.
E pinta de beleza
o sorriso que artimanha
e faz que é sutileza
o gesto mais vulgar.
E esse homem, então,
vive o cerco mais feliz
que pode um animal sofrer.
- Cuidado! É perigoso! -
o coração lhe diz,
mas diz também que quer
se deixar prender.
Amor - ai, que capricho -
me tirou a paz,
me acende em arrepios,
me faz sufocar
Me deixa assim vazio,
me faz transbordar,
a dor não sei se dói,
se aquece,
não sei o que acontece
em mim
Só sei que é alegria,
desesperada luz,
a vida revelada
em mim!
deseja o coração
de um homem
toda a natureza
corre pra ajudar.
E pinta de beleza
o sorriso que artimanha
e faz que é sutileza
o gesto mais vulgar.
E esse homem, então,
vive o cerco mais feliz
que pode um animal sofrer.
- Cuidado! É perigoso! -
o coração lhe diz,
mas diz também que quer
se deixar prender.
Amor - ai, que capricho -
me tirou a paz,
me acende em arrepios,
me faz sufocar
Me deixa assim vazio,
me faz transbordar,
a dor não sei se dói,
se aquece,
não sei o que acontece
em mim
Só sei que é alegria,
desesperada luz,
a vida revelada
em mim!
Abel Silva
28/07/2011
Acaso
Não sei se o acaso quis brincar
Ou foi a vida que escolheu
Por ironia fez cruzar
O meu caminho com o seu
Eu nem queria mais sofrer
A agonia da paixão
Nem tinha mais o que esquecer
Vivia em paz na solidão
Mais foi te encontrar e o futuro
Chegou como um pressentimento
Meus olhos brilharam, brilharam
No escuro da emoção
Não sei se o acaso quis brincar
Ou foi a vida que escolheu
Por ironia fez cruzar
O seu caminho com o meu
Por ironia fez cruzar o seu caminho com o meu.
Ou foi a vida que escolheu
Por ironia fez cruzar
O meu caminho com o seu
Eu nem queria mais sofrer
A agonia da paixão
Nem tinha mais o que esquecer
Vivia em paz na solidão
Mais foi te encontrar e o futuro
Chegou como um pressentimento
Meus olhos brilharam, brilharam
No escuro da emoção
Não sei se o acaso quis brincar
Ou foi a vida que escolheu
Por ironia fez cruzar
O seu caminho com o meu
Por ironia fez cruzar o seu caminho com o meu.
Composição: Abel Silva e Ivan Lins
César Camargo Mariano e Pedro Mariano: não por acaso pai e filho, piano e voz em magistral interpretação de um clássico da MPB.
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