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14/08/2024
24/03/2024
A alma, o sonho, a realidade
Supõe-se
que, de fato, a alma de uma pessoa adormecida se afasta de seu corpo
e visita lugares, vê as pessoas e verifica os atos que ela está
sonhando. Quando um índio do Brasil ou das Guianas sai de um sono
profundo, está firmemente convencido de que sua alma esteve na
realidade caçando, derrubando árvores ou qualquer outra coisa que
tenha sonhado, enquanto seu corpo esteve estendido imóvel na rede.
Um
povoado bororó inteiro aterrorizou-se e esteve a ponto de emigrar
porque um dos índios sonhou que os inimigos se aproximavam
sigilosamente. Um macusi de saúde precária que sonhou que seu
patrão o havia feito subir de canoa por difíceis corredeiras, ao
amanhecer exprobou-o amargamente por sua falta de consideração com
um pobre inválido. Os índios do Grande Chaco fazem relatos
incríveis de coisas que viram e ouviram, e os forasteiros os
consideram grandes embusteiros; os índios, porém, estão firmemente
convencidos da verdade de seus relatos, pois estas maravilhosas
aventuras são simplesmente o que eles sonham e não sabem distinguir
do que acontece quando estão acordados.
Quando
um dayako sonha que caiu n'água, pede ao feiticeiro que pesque o seu
espírito com uma rede, coloque-o em um recipiente e o devolva. Os
santals falam do homem que adormeceu e sonhou que tinha tanta sede,
que sua alma, em forma de lagarto, deixou o corpo e meteu-se em uma
vasilha para beber; o dono da vasilha, porém, tapou-a e o homem,
impedido de recuperar sua alma, morreu. Faziam-se os preparativos
para o enterro quando alguém destapou a vasilha e o lagarto escapou,
reintegrou-se ao cadáver, e o morto ressuscitou. Disse que havia
caído em um poço em busca de água e que tivera dificuldades para
voltar; assim todos o entenderam.
James George Frazer, La rama dorada (1890), in Livro de Sonhos, de Jorge Luís Borges
13/03/2019
Realidade
Podem
ficar com a realidade
esse
baixo astral
em
que tudo entra pelo cano.
Eu
quero viver de verdade
eu
fico com o cinema americano.
Paulo
Leminski
14/01/2017
Toda realidade, para o homem, é imperfeita
O
homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse
mesmo mundo. Efetivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa
maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo,
sofrem, sempre, pelo contrário, por não poderem possuí-lo
suficientemente, estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na
sua própria pátria. Exceto nos momentos fulgurantes da plenitude,
toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus atos escapam-lhes
noutros atos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas;
fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda
desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir
enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto
mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no
conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não
pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a
morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso
deixar de ser para sempre.
Neste
ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida
dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências,
emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter,
na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê
mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência
do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas
existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse
sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o
amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por
milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um
amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de
subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o
soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se
sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo fato de este não
durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao
menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas
terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma
irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e
que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.
Albert
Camus, in
O Homem Revoltado
14/03/2016
08/03/2016
23/07/2015
Não abandonar os ideais
“É
difícil em tempos como estes: ideais, sonhos e esperanças
permanecerem dentro de nós, sendo esmagados pela dura realidade. É
um milagre eu não ter abandonado todos os meus ideais, eles parecem
tão absurdos e impraticáveis. No entanto, eu me apego a eles,
porque eu ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas são
realmente boas de coração.”
Anne
Frank,
in
O
Diário de Anne Frank
09/03/2014
Sonho e realidade
“É melhor, muito melhor, contentar-se com
a realidade; se ela não é tão brilhante como os sonhos, tem pelo menos a
vantagem de existir.”
Machado
de Assis
26/10/2012
Assombrados pela realidade
“A cada passo somos assombrados pela
realidade do que anteriormente nos parecia impossível: o pesado se torna leve e
o leve se faz pesado e do nada anterior parece brotar um mundo e aquilo que se
nos apresentava como enorme agora se transforma em nada.”
Artur
Schopenhauer
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