Mostrando postagens com marcador Petrúcio Amorim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Petrúcio Amorim. Mostrar todas as postagens

20/11/2011

Filho do dono


Não sou profeta
Nem tão pouco visionário
Mas o diário desse mundo
Tá na cara
Um viajante na boleia do destino
Sou mais um fio
Da tesoura e da navalha
Levando a vida
Tiro versos da cartola
Chora viola
Nesse mundo sem amor
Desigualdade
Rima com hipocrisia
Não tem verso nem poesia
Que console o cantador
A natureza na fumaça se mistura
Morre a criatura
E o planeta sente a dor
O desespero
No olhar de uma criança
A humanidade
Fecha os olhos pra não ver
Televisão: fantasia e violência
aumenta o crime e cresce a fome do poder
Boi com sede
Bebe lama
Barriga seca
Não da sono
Eu não sou dono do mundo
Mas tenho culpa
Porque sou filho do dono

Composição: Petrúcio Amorim

28/09/2011

Tareco e mariola


Eu não preciso de você
O mundo é grande e o destino me espera
Não é você quem vai me dar na primavera
As flores lindas que eu sonhei no meu verão
Eu não preciso de você
Já fiz de tudo pra mudar meu endereço
Já revirei a minha vida pelo avesso
Juro por Deus não encontrei você mais não
Cartas na mesa
O jogador conhece o jogo pela regra
Não sabes tu eu já tirei leite de pedra
Só pra te ver sorrir pra mim não chorar
Você foi longe
Me machucando provocou a minha ira
Só que eu nasci entre o velame e a macambira
Quem é você pra derramar meu mungunzá
Eu me criei
Ouvindo o toque do martelo na poeira
Ninguem melhor que mestre Osvaldo na madeira
Com sua arte criou muito mais de dez
Eu me criei
Matando a fome com tareco e mariola
fazendo versos dedilhados na viola
Por entre os becos do meu velho Vassoural.

Composição: Petrúcio Amorim

23/08/2011

Meninos do Sertão


Quando me lembro dos meninos do Sertão
Olho pro céu e vejo eu entre os pardais
Cantando estrelas, desenhando a solidão
Ouvindo estórias de fuzis e generais
Lembrando rezas que aprendi no juazeiro
Que um violeiro me ensinou numa canção
Bebendo sonhos era assim o meu destino
 
Mais um menino na poeira do Sertão
Quando me lembro dos meninos do Sertão
Beijando flores era eu em meu jardim
Qual borboletas bailarinas de quintais
E um arco-íris de esperança só pra mim
E a liberdade feito um pássaro de seda
Voava alto nos planos de menino
Nas travessuras imitava os meus heróis
Luiz Gonzaga, Lampião e Vitalino
Quando me lembro dos meninos do Sertão
Vejo Hiroshima nos olhares infantis
Vejo a essência da desigualdade humana
Num verdadeiro calabouço dos guris
Meu coração bate calado enquanto choro
A Deus imploro mais carinho e atenção
Tirai a canga do pescoço dessa gente
Que só precisa de amor, trabalho e pão
Adeus meu carro de boi
Adeus pau de arara
No ano 2000 que mal virá
Cola, Carandirú, Candelária
Quando isso vai parar
Será que será sempre assim
Será que assim sempre será.

Composição: Petrúcio Amorim e Maciel Melo

20/07/2011

Meu cenário, com Maciel Melo


Nos braços de uma morena
Quase morro um belo dia
Ainda me lembro meu cenário de amor
Um lampião aceso, um guarda-roupa escancarado
Um vestidinho amassado debaixo de um batom
Um copo de cerveja, uma viola na parede
E uma rede convidando a balançar
No cantinho da cama um rádio a meio volume
Um cheiro de amor e de perfume pelo ar

Numa esteira, o meu sapato pisando o sapato dela
Em cima da cadeira aquela minha bela sela,
Ao lado do meu belo alforje de caçador
Que tentação, minha morena me beijando feito abelha
E a lua malandrinha pela brechinha da telha
Fotografando meu cenário de amor.

Composição: Petrúcio Amorim