Tradução: José Luís Costa e Rui Miguel Ribeiro
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31/10/2025
09/10/2025
17/08/2025
Diários do Exílio
I.
(27 de outubro de 1948)
Aqui os espinhos são tantos –
espinhos castanhos, espinhos amarelos,
ao longo de todo o dia, espinhos até
no sono.
Ao saltarem o arame farpado, as noites
deixam para trás pequenas tiras da
saia.
As palavras que outrora nos pareceram
belas
perderam a cor, como o colete de um
velho num baú,
como um pôr-do-sol embotado nas
vidraças.
Aqui as pessoas caminham com as mãos
nos bolsos
ou gesticulam por vezes como se
afugentassem uma mosca
que pousa uma e outra vez no mesmo
ponto
no rebordo do copo vazio ou dentro
dele
um ponto tão indefinido e persistente
quanto sua recusa em reconhecê-lo.
Yannis Ritsos, em Diários do Exílio (tradução de José Luís Costa e Rui Miguel Ribeiro)
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