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27/07/2026
11/11/2019
Olhai por nós
Senhor
dos Oprimidos,
Senhor
dos ofendidos,
Olhai
por nós.
Senhor
dos perseguidos
E
dos arrependidos,
Olhai
por nós.
Por
tanta intolerância,
Por
tanta ignorância,
Olhai
por nós.
Conceda
Vossa Graça,
Nos
livre da desgraça
E
olhai por nós.
Senhor
dos desvalidos,
Senhor
dos combalidos,
Olhai
por nós.
Senhor
dos maltratados
E
dos aniquilados,
Olhai
por nós.
Por
tanto sofrimento,
Por
tanto esquecimento,
Olhai
por nós.
Nos
cubra com seu manto,
Que
sirva de acalanto
E
olhai por nós.
Que
se pague a penitência
Pra
livrar da indolência
Dos
que mandam em nós.
Também
cesse a hipocrisia
Do
profeta que não guia
E
olhai por nós.
Pão
e vinho renovados,
Nossos
sonhos realizados,
Olhai
por nós.
Senhor,
nos fortaleça,
Que
a Paz e o Amor floresça,
Olhai
por nós,
Amém!
Elilson
José Batista
03/11/2018
Oração a Nossa Senhora de Paris
Notre
Dame de Paris, Notre Dame de Partout, rogai por mim, rogai por nós,
os malferidos de amor, os feridos do doce langor, os que uivam à lua
nas praias desertas do mundo, os que buscam um vagabundo num bar para
falar da bem-amada, para não dizer nada só que ela é bonita, os
que saem andando em campos de estrelas e de repente é uma rua
deserta com um apartamento aceso que fica olhando o deambulante, o
amante perdido, sem rumo e sem prumo, barco sozinho no meio do oceano
lunar, é só olhar, lá está ela, a bem-amada dormindo no céu com
os braços para cima, linda axila, macio feno, suave veneno de
paixão, ó não, Nossa Senhora de Paris, Nossa Senhorazinha de
Paris, rogai por mim porque a coisa está ruim, ela está longe eu
sigo nessa névoa de luminosos astros e choro ao ver um rio que
corre, uma estrela que morre, um mendigo que dorme, um cão que faz
amor com uma cadela de olhos úmidos, túmidos seios, negro vórtex,
meu amor, Notre Dame de Paris, Notre Dame de Partout, aqui estou eu,
lembrai-vos, diante de vossa portada maior, o santo de cabeça
cortada me espiando sofrer a angústia da espera vem não vem o homem
me oferece cartões-postais de mulher nua pensa que eu sou americano
eu sou é brasileiro do Rio de janeiro onde mora a minha amada numa
colmeia a beira-parque fazendo há dois mil anos mel de amor com que
adoçar todas as minhas mágoas, ó águas do Sena revoltas, minha
amada está serena porque nós viemos de muito, muito, muito longe
para nos encontrar, atravessamos os lagos da infância, cruzamos os
desertos da adolescência, galgamos as montanhas da mocidade e aqui
nesta cidade nos encontramos uma só vez, o mês era março, e nos
reencontramos em abril novecentos e sessenta luas depois na rue
Pierre Charon e ela entrou pelos meus olhos, banhou-se no meu
cristalino, acendeu-me a íris e postou-se como santa Luzia no nicho
de minhas pupilas oferecendo-me os próprios olhos numa salva de
prata e pôs-se a comer devagarinho minha cabeça enquanto eu não
sabia o que lhe dissesse só pedia vem comigo vem comigo mas ela não
podia porque não era o dia mas lá vem ela de táxi entrou na Île
de Ia Cité, rodeou a praça, que graça é ela, vai saltar, não eu
que vou com ela, adeus Notre Dame de Paris, Notre Dame de l'Amour,
iluminai vossos vitrais, levantai âncora ó galera gótica dos meus
martírios vossos santos aos remos o Corcunda no mais alto mastro
Jesus na torre de comando e buscai serenamente o grande caudal no
qual me abandono náufrago coberto de flores em demanda do abismo
claro e indevassável da morte, Saravá!
Vinicius
de Moraes, in Prosa
17/09/2018
Oração
Horizontina
é gorda,
mas
é com desvelo que seus pais a amam,
eles
que só compram livros didáticos:
‘Já
tomou seu leite, filhinha?’
De
que vale pagar o dízimo da menta e da arruda
se
meu coração não se desdobra?
Já
vi um homem sofrido ficar feliz de repente
e
puxar uma fumaça no pito
como
se visse no céu as trombetas da parusia,
ele
que não sabe dos místicos:
“nem
todo o que diz Senhor, Senhor,
entrará
no Reino”.
Eu
Vos peço perdão
por
ter amado mal.
Adélia
Prado
28/01/2014
Oração a Nossa Senhora de Paris
“Notre Dame de Paris, Notre Dame de
Partout, rogai por mim, rogai por nós, os malferidos de amor, os feridos do
doce langor, os que uivam à lua nas praias desertas do mundo, os que buscam um
vagabundo num bar para falar da bem-amada, para não dizer nada só que ela é
bonita, os que saem andando em campos de estrelas e de repente é uma rua
deserta com um apartamento aceso que fica olhando o deambulante, o amante
perdido, sem rumo e sem prumo, barco sozinho no meio do oceano lunar, é só
olhar, lá está ela, a bem-amada dormindo no céu com os braços para cima, linda
axila, macio feno, suave veneno de paixão, ó não, Nossa Senhora de Paris, Nossa
Senhorazinha de Paris, rogai por mim porque a coisa está ruim, ela está longe
eu sigo nessa névoa de luminosos astros e choro ao ver um rio que corre, uma
estrela que morre, um mendigo que dorme, um cão que faz amor com uma cadela de
olhos úmidos, túmidos seios, negro vórtex, meu amor, Notre Dame de Paris, Notre
Dame de Partout, aqui estou eu, lembrai-vos, diante de vossa portada maior, o
santo de cabeça cortada me espiando sofrer a angústia da espera vem não vem o
homem me oferece cartões-postais de mulher nua pensa que eu sou americano eu
sou é brasileiro do Rio de janeiro onde mora a minha amada numa colmeia a
beira-parque fazendo há dois mil anos mel de amor com que adoçar todas as
minhas mágoas, ó águas do Sena revoltas, minha amada está serena porque nós
viemos de muito, muito, muito longe para nos encontrar, atravessamos os lagos
da infância, cruzamos os desertos da adolescência, galgamos as montanhas da
mocidade e aqui nesta cidade nos encontramos uma só vez, o mês era março, e nos
reencontramos em abril novecentos e sessenta luas depois na rue Pierre Charon e
ela entrou pelos meus olhos, banhou-se no meu cristalino, acendeu-me a íris e
postou-se como santa Luzia no nicho de minhas pupilas oferecendo-me os próprios
olhos numa salva de prata e pôs-se a comer devagarinho minha cabeça enquanto eu
não sabia o que lhe dissesse só pedia vem comigo vem comigo mas ela não podia porque
não era o dia mas lá vem ela de táxi entrou na Île de Ia Cité, rodeou a praça,
que graça é ela, vai saltar, não eu que vou com ela, adeus Notre Dame de Paris,
Notre Dame de l'Amour, iluminai vossos vitrais, levantai âncora ó galera gótica
dos meus martírios vossos santos aos remos o Corcunda no mais alto mastro Jesus
na torre de comando e buscai serenamente o grande caudal no qual me abandono
náufrago coberto de flores em demanda do abismo claro e indevassável da morte,
Saravá!”
Vinicius
de Moraes
12/09/2012
Oração à caça
Google Imagens
Ó bisão irmão,
Que o teu sangue
Por mim
derramado
Não seja em vão.
Que a tua carne consumida
por mim
E meus próximos
Fortaleça-nos.
Com o teu corpo
Fazendo parte de
nós,
Teu espírito
também nos aqueça.
Diferente do
branco, que mata por prazer,
Serás de todo
útil
À nossa gente:
Carne, pele,
ossos e nervos.
Confrade
natural,
Correi às pradarias
eternas
Ao encontro de
Wakan Tanka.
E num futuro não
muito distante
Iremos nos
reencontrar:
Não
mais caça e caçador.
Chefe Red Bird, índio Sioux*
(*Verus author: Elilson José Batista)
(*Verus author: Elilson José Batista)
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