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11/05/2026
09/04/2025
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28/11/2023
11/11/2023
19/08/2023
Fera ferida | Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982
Lançada
no fim de 1982, no disco anual de Roberto Carlos, que então
funcionava como um aviso de que o Natal chegara, “Fera ferida”
logo foi incorporada à sua longa lista de clássicos. Na letra
extensa, um sofrido desabafo de alguém devastado por uma separação,
Roberto e Erasmo usam imagens fortes e referências aos instintos
animais para marcar a sensação de desespero do narrador. São
tantos sentimentos expostos com crueza e lirismo, envolvidos por uma
bela melodia romântica, mas cheia de tensões, que logo foi
considerada uma das mais perfeitas composições da dupla.
A
música começa feroz, com a última briga, cheia de fúria selvagem:
“Acabei
com tudo / Escapei com vida / Tive as roupas e os sonhos / Rasgados
na minha saída.”
Depois
explica as razões de ter se entregado ao amor e se decepcionado:
“Animal
arisco / Domesticado esquece o risco / Me deixei enganar / E até me
levar por você.”
Sim,
“Fera ferida” foi um sucesso animal, não só com Roberto. Em
1987, também ganhou uma bela versão de Caetano Veloso, mais pop,
com arranjo de Lincoln Olivetti. Seis anos depois foi a vez de Maria
Bethânia, como uma das faixas mais fortes de um disco inteiramente
dedicado ao repertório do Rei, As canções que você fez pra
mim, com recordes de vendagem. Sua gravação, produzida por Guto
Graça Mello, é romântica e classuda, com belo arranjo de cordas. A
música também foi escolhida como tema de abertura e título de uma
novela que a TV Globo exibiu entre 1993 e 1994.
“Fera
ferida”, portanto, virou mais um elo entre três personagens que já
tinham uma ligação forte. Como Caetano conta, até a metade dos
anos 1960, o jovem convertido à música por João Gilberto não dava
bola para a Jovem Guarda. Foi só depois de comentários da irmã
quatro anos mais nova que começou a gostar das canções de Roberto
e Erasmo.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
06/08/2023
Emoções | Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981
Lançada
em novembro de 1981, como uma das dez faixas do álbum Ele está
para chegar, “Emoções” contagiou imediatamente o público e
se tornou um dos maiores sucessos de Roberto Carlos. Hit instantâneo
com presença avassaladora nas rádios, a música batizou o show que,
em dezembro, estreou no palco do Canecão, no Rio de Janeiro, e desde
então virou o prefixo de abertura de todos os shows de Roberto.
Nessa
parceria com Erasmo, Roberto, que estava com 40 anos, confirmava a
sua paixão pelos standards, o estilo de música que imperou nos
Estados Unidos até meados da década de 1950, com as big bands
e seus fabulosos crooners, até o surgimento devastador do rock and
roll. A letra romântica de “Emoções” é um balanço
autobiográfico do privilégio de ter vivido, entre lágrimas e
risos, tantas emoções, que o fizeram otimista e esperançoso com as
que ainda virão.
A
grande inspiração para a música e o seu arranjo foi a gravação
de Frank Sinatra de “New York, New York”, lançada em 1980, com
sucesso no mundo inteiro. O impactante arranjo original de “Emoções”
foi escrito pelo maestro americano Torrie Zito.
Talvez
por sua letra tão pessoal e identificada com Roberto, raros
intérpretes ousaram regravar a música. Mas sobram regravações do
autor. Desde o seu lançamento, “Emoções” nunca mais saiu dos
roteiros dos espetáculos de Roberto e também teve lugar garantido
nos muitos discos e DVDs ao vivo que ele vem fazendo nas duas últimas
décadas, com pouco material inédito.
A
carreira de Roberto Carlos não se descolou mais deste sucesso, e
vice-versa. Além da turnê de lançamento do disco, a música já
batizou o avião em que o cantor percorreu o Brasil na sua turnê de
1982, um perfume lançado no mercado em 2008, uma coleção de joias
lançada em 2009 e uma empresa de empreendimentos imobiliários
aberta em 2014. Até hoje, inclusive, dá nome ao cruzeiro marítimo
que, desde 2005, ele tem feito todos os verões: “Emoções em
alto mar”.
E
“as emoções se repetindo”, como ondas no mar.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
12/03/2023
26/02/2023
22/02/2023
18/02/2023
01/02/2023
Detalhes | Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971
Faixa
de abertura e principal destaque do disco que lançou em 1971, esta
balada devastadora funcionou como um rito de passagem na carreira de
Roberto Carlos (1941). Aos 30 anos, ele começava a deixar para trás
o ídolo da Jovem Guarda para se transformar no maior cantor
romântico brasileiro. Sucesso popular imediato e até hoje uma das
mais amadas pelo seu público, a canção também ganhou aplausos
unânimes da crítica, que na época ainda costumava desmerecer e
subavaliar a obra de Roberto e Erasmo.
Mais
um fruto da parceria com Erasmo Carlos (1941), a letra da música, em
forma de list song, lembra os pequenos mas tão importantes detalhes
que marcam as lembranças felizes de um amor passado, mas ainda vivo:
“a velha calça desbotada”, “os erros do meu português ruim”,
“o ronco barulhento do meu carro”… e a advertência irônica
“não vá dizer meu nome à pessoa errada”.
Como
conta o biógrafo proscrito Paulo Cesar de Araújo no livro proibido
Roberto Carlos em detalhes, apesar de ter consciência de que
acabara de criar um clássico, movido por seu lendário
perfeccionismo, Roberto implicou com a palavra “ronco”, por sua
sonoridade bruta e possíveis outros sentidos pouco poéticos. E, até
entrar no estúdio, testou a letra com diversos amigos, mas, como
ninguém estranhou, o ronco ficou na história da música brasileira.
Roberto
começou a compor “Detalhes” sozinho, numa noite em março de
1971, em São Paulo, onde vivia na época. No dia seguinte, ao ouvir
o rascunho que gravara, percebeu que estava diante de algo maior.
Animado e ansioso, sem querer perder tempo e o momento da inspiração,
ligou para Erasmo no Rio, que pegou o primeiro voo e naquela mesma
tarde terminaram a canção.
A
inspiração e a intuição de Roberto não falharam. “Detalhes”
nasceu clássica e conquistou instantaneamente todos que a ouviram e,
meses depois, abriu o seu álbum do ano. Um de seus melhores discos,
seu poderoso repertório incluía uma composição que Caetano fez
para ele (“Como dois e dois”) e outras pérolas com Erasmo, como
“Amada amante”, “Todos estão surdos” e “Debaixo dos
caracóis dos seus cabelos”, dedicada a Caetano, então exilado em
Londres, mas “Detalhes” foi a que bateu mais forte.
A
gravação de Roberto foi valorizada por um sofisticado arranjo do
maestro americano Jimmy Wisner, e a levada rítmica e a estrutura
harmônica de “Detalhes” lançaram um modelo de canção que
depois foi infinitamente imitado e explorado no Brasil.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
02/12/2022
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