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12/03/2023

E quando se aproximou a hora

E quando se aproximou a hora, o Anjo da Encarnação perguntou-lhe:
Que queres ser na face da Terra?
Um polígono regular estrelado.
O quê?!
Um polígono regular estrelado — repetiu imperturbavelmente a alma do nascituro.
Mais um...” — pensou o Anjo. Mas, como os anjos e os poetas são os únicos que não riem dos loucos, limitou-se a objetar:
E por que não um poliedro? Vais viver num mundo de três dimensões e bem sabes que um polígono apenas tem duas. Lá só existirias na face do papel... e não propriamente na face da Terra.
Por isso mesmo.
O Anjo desta vez não compreendeu muito bem e retirou-se, dando de asas.
E foi assim que, quando chegou a hora, veio ao mundo mais um louco.
E um “louco simétrico”!
Chamou-se, entre os homens, Edgar Allan Poe.

Mário Quintana, in Caderno H

17/09/2016

Da solidão

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Sequioso de escrever um poema que exprimisse a maior dor do mundo, Poe chegou, por exclusão, à ideia da morte da mulher amada. Nada lhe pareceu mais definitivamente doloroso. Assim nasceu “O corvo”: o pássaro agoureiro a repetir ao homem sozinho em sua saudade a pungente litania do “nunca mais”.
Será esta a maior das solidões? Realmente, o que pode existir de pior que a impossibilidade de arrancar à morte o ser amado, que fez Orfeu descer aos Infernos em busca de Eurídice e acabou por lhe calar a lira mágica? Distante, separado, prisioneiro, ainda pode aquele que ama alimentar sua paixão com o sentimento de que o objeto amado está vivo. Morto este, só lhe restam dois caminhos: o suicídio, físico ou moral, ou uma fé qualquer. E como tal fé constitui uma possibilidade - que outra coisa é a Divina comédia para Dante senão a morte de Beatriz? - cabe uma consideração também dolorosa: a solidão que a morte da mulher amada deixa não é, porquanto absoluta, a maior solidão.
Qual será maior então? Os grandes momentos de solidão, a de Jó, a de Cristo no Horto, tinham a exaltá-la uma fé. A solidão de Carlitos, naquela incrível imagem em que ele aparece na eterna esquina no final de Luzes da cidade, tinha a justificá-la o sacrifício feito pela mulher amada. Penso com mais frio n'alma na solidão dos últimos dias do pintor Toulouse-Lautrec, em seu leito de moribundo, lúcido, fechado em si mesmo, e no duro olhar de ódio que deitou ao pai, segundos antes de morrer, como a culpá-lo de o ter gerado um monstro. Penso com mais frio n'alma ainda na solidão total dos poucos minutos que terão restado ao poeta Hart Crane, quando, no auge da neurastenia, depois de se ter jogado ao mar, numa viagem de regresso do México para os Estados Unidos, viu sobre si mesmo a imensa noite do oceano imenso à sua volta, e ao longe as luzes do navio que se afastava. O que se terão dito o poeta e a eternidade nesses poucos instantes em que ele, quem sabe banhado de poesia total, boiou a esmo sobre a negra massa líquida, à espera do abandono?
Solidão inenarrável, quem sabe povoada de beleza... Mas será ela, também, a maior solidão? A solidão do poeta Rilke, quando, na alta escarpa sobre o Adriático, ouviu no vento a música do primeiro verso que desencadeou as Elegias de Duino, será ela a maior solidão?
Não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.
Vinicius de Moraes, in Para viver um grande amor

18/03/2015

Dualidade

"O infortúnio é múltiplo. A infelicidade, sobre a terra, multiforme. Dominando, como o arco-íris, o amplo horizonte, seus matizes são tão variados como os desse arco e, também, nítidos, embora intimamente unidos entre si. Dominando o vasto horizonte como o arco-íris! Como é que pude obter da beleza um tipo de fealdade? Como pude conseguir, do pacto de paz, um símile de tristeza? Mas, como na ética, o mal é uma consequência do bem e, assim, na realidade, da alegria nasce a tristeza. Ou a lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, ou as agonias que são têm a sua origem nos êxtases que poderiam ter sido."
Edgar Allan Poe, in Berenice (Histórias Extraordinárias)

08/03/2015

Uma descida ao Maelstrom, de Edgar Allan Poe


Havíamos atingido agora o cume do rochedo mais elevado. Por alguns minutos o velho demonstrou estar cansado demais para falar.
Não faz muito tempo”, disse por fim, “eu podia ter guiado o senhor por este caminho tão bem quanto o mais novo de meus filhos; mas, cerca de três anos atrás, aconteceu comigo um fato como nunca ocorreu antes a nenhum ser mortal – pelo menos a alguém que tenha sobrevivido para contá-lo – e as seis horas de implacável terror que enfrentei na ocasião me abalaram o corpo e o espírito. O senhor deve imaginar que eu seja... muito velho – mas não sou. Menos de um dia foi o suficiente para que os meus cabelos mudassem do negro para o branco, as pernas e os braços enfraquecessem e meus nervos se afrouxassem, a tal ponto que fico trêmulo ao menor esforço e assustado só em ver uma sombra. Acredita que mal posso olhar de cima deste pequeno penhasco sem ficar tonto?
O “pequeno penhasco”, à borda do qual ele tão despreocupadamente se jogara para descansar, de um jeito que o corpo, pela sua parte mais pesada, ficava pendente e só não caía devido à sustentação que lhe dava o cotovelo, apoiado com firmeza sobre a aresta extrema e escorregadia da borda – este “pequeno penhasco” elevava-se – verdadeiro precipício de rocha negra e brilhante – cerca de mil e quinhentos ou mil e seiscentos pés sobre um mundo de penhascos abaixo de nós. Nada me teria tentado a ir além de meia dúzia de jardas antes de sua beira. Na verdade, tão perturbado me sentia ante a arriscada posição de meu companheiro, que me deixei cair de comprido sobre o chão, agarrei os arbustos ao meu redor e não ousei nem mesmo olhar para o alto – enquanto lutava em vão para afastar a ideia de que a própria base da montanha estava em perigo com a fúria dos ventos. Foi preciso algum tempo para que eu pudesse voltar a raciocinar e adquirir a coragem suficiente para sentar e olhar os pontos distantes.
O senhor deve aprender a enfrentar essas dificuldades”, disse o guia, “pois eu o trouxe aqui para que pudesse ter a melhor visão possível do cenário daquele fato que mencionei – e contar-lhe a história toda com o próprio lugar sob a vista.”
Estamos agora”, continuou, com aquele modo de falar minucioso que o caracterizava – “estamos agora sobre a costa norueguesa – a sessenta e oito graus de latitude – na grande província de Nordland – e no lúgubre distrito de Lofoden. A montanha em cujo cume nos sentamos é Helseggen, a Nublada. Agora levante-se um pouquinho mais – se sentir tontura, agarre-se na grama – assim – e olhe para o mar, para além daquela cinta de vapor abaixo de nós.”
Olhei aturdido, e vi uma larga extensão de oceano, cujas águas exibiam um matiz de tinta tão carregado que me lembrou de imediato a descrição do Mare Tenebrarum, do geógrafo Nubian. A imaginação humana não pode conceber um panorama mais deploravelmente desolado. À direita e à esquerda, tão distantes quanto o olho podia alcançar, estendiam-se, como as muralhas do mundo, as linhas de um rochedo horrivelmente negro e saliente, cujo caráter de melancolia não seria com maior vigor melhor ilustrado senão pela ressaca, que se atirava para o alto contra sua branca e medonha crista, permanentemente uivando e soltando urros estridentes. Bem defronte ao promontório, sobre cujo ápice nos encontrávamos, e numa distância de mais ou menos cinco ou seis milhas ao largo, avistava-se uma ilhota que parecia desértica; ou, melhor dizendo, deduzia-se a sua existência através das vagas em tumulto que a envolviam. Mais próxima da terra cerca de duas milhas, via-se outra de tamanho ainda menor, pavorosamente árida e escarpada, rodeada a intervalos diversos por grupos de rochas negras.

Leia o conto completo aqui.

18/02/2015

Trecho inicial de A queda da Casa de Usher, de Edgar Allan Poe


Durante todo aquele triste, escuro e silencioso dia outonal, com o céu encoberto por nuvens baixas e opressivas, estive percorrendo sozinho, a cavalo, uma região rural singularmente deserta, até que enfim avistei, com as primeiras sombras da noite, a melancólica Casa de Usher. Não sei por quê, mas, assim que entrevi a construção, um sentimento de intolerável tristeza apoderou-se de meu espírito. Digo intolerável porque essa impressão não era suavizada por qualquer sensação meio prazenteira, porque poética, com que a mente geralmente recebe até mesmo as mais sombrias imagens naturais de desolação e de terror. Observei a paisagem à minha frente: a casa simples e a simplicidade do aspecto da propriedade, as paredes frias, as janelas semelhando órbitas vazias, os poucos canteiros com ervas daninhas e alguns troncos esbranquiçados de árvores apodrecidas e senti na alma uma depressão profunda que não posso comparar a nenhuma sensação terrena senão ao que experimenta, ao despertar, o viciado em ópio: o amargo retorno à vida cotidiana, o terrível descair de um véu. Havia um frio, uma prostração, uma sensação de repugnância, uma irrecuperável aflição de pensamento que nenhum excitamento da imaginação conseguiria forçar a transformar-se em algo sublime. Que era, parei para pensar, que era que tanto em perturbava ao contemplar a Casa de Usher? Era um mistério completamente insolúvel, e eu não conseguia controlar as sombrias imagens que me enchiam a cabeça enquanto refletia isso. Fui forçado a socorrer-me da conclusão nada satisfatória de que existem, sem dúvida, combinações de objetos naturais muito simples, que têm o poder de nos afetar assim, embora a análise desse poder se situe em considerações além de nossa perspicácia. Era possível, pensei, que um mero arranjo diferente nos pormenores da cena, dos detalhes do quadro, bastasse para modificar, ou talvez, parar suprimir sua capacidade de provocar impressões aflitivas. Com essa ideia na cabeça, guiei o cavalo até a margem íngreme de um fosso negro e sinistro cujas águas paradas refulgiam junto a casa e contemplei, com um arrepio ainda mais forte do que antes, a imagem invertida e modificada dos arbustos cinzentos, dos lívidos troncos de árvores e das janelas semelhantes a órbitas vazias.
Apesar disso, era nessa desolada mansão que eu tencionava passar algumas semanas. O proprietário, Roderick Usher, havia sido um de meus joviais amigos de infância, mas muitos anos tinham se passado desde o nosso último encontro. Uma carta, no entanto, que me chegara recentemente numa parte distante do país, uma carta dele exigia pela insistência de seu teor resposta pessoal. A caligrafia revela agitação nervosa. O remetente falava de aguda doença física, de opressiva perturbação mental e do intenso desejo de me ver, como seu melhor e na verdade único amigo pessoal, com a intenção de lograr, pela alegria de minha companhia, algum alívio para sua doença. A maneira pela qual tudo isso e muito mais coisas foram ditas e o manifesto estado de espírito expresso no pedido impediram-me qualquer hesitação e por esse motivo obedeci na mesma hora ao que ainda considerava como um convite muito estranho.
Leia o conto completo aqui.

22/07/2011

O Corvo (The Raven)


Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
                 É só isto, e nada mais".

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais-

Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
                 Mas sem nome aqui jamais! 

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
                 É só isto, e nada mais". 

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
                 Noite, noite e nada mais. 

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais. 
                 Isso só e nada mais. 

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
                 "É o vento, e nada mais." 

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
                 Foi, pousou, e nada mais. 

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
                 Disse o corvo, "Nunca mais". 

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
                 Com o nome "Nunca mais". 

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos já se foram. Amanhã também te vais".
                 Disse o corvo, "Nunca mais". 

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
                 Era este "Nunca mais". 

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
                 Com aquele "Nunca mais". 

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
                 Reclinar-se-á nunca mais! 

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
                 Disse o corvo, "Nunca mais". 

"Profeta", disse eu, "profeta — ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
                 Disse o corvo, "Nunca mais". 

"Profeta", disse eu, "profeta — ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
                 Disse o corvo, "Nunca mais". 

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
                 Disse o corvo, "Nunca mais". 

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
                 Libertar-se-á... nunca mais! 

Tradução: Fernando Pessoa

Publicado pela primeira vez num jornal em 1845, o poema “O Corvo” (The Raven), do americano Edgar Allan Poe, transformou-se numa das páginas literárias mais conhecidas em todo o mundo. Nele o narrador conta que, certa noite, recebe a visita de um corvo falante, que entra em sua casa e só sabe dizer uma expressão: “Nunca mais”.

Abalado com a morte da amada, o anfitrião, atribui ao visitante origens sobrenaturais e fica terrivelmente impressionado com o refrão da ave agourenta. Assim resumido, o poema não parece ter nenhum interesse. Mas, quando lido com atenção, “O Corvo” mostra por que, desde o século XIX, vem encantando tantas gerações de leitores.