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18/11/2021

Como é que se escreve?

Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve?
Por que, realmente, como é que se escreve? que é que se diz? e como dizer? e como é que se começa? e que é que se faz com o papel em branco nos defrontando tranquilo?
Sei que a resposta, por mais que intrigue, é a única: escrevendo. Sou a pessoa que mais se surpreende de escrever. E ainda não me habituei a que me chamem de escritora. Porque, fora das horas em que escrevo, não sei absolutamente escrever. Será que escrever não é um ofício? Não há aprendizagem, então? O que é? Só me considerarei escritora no dia em que eu disser: sei como se escreve.

Clarice Lispector, in Todas as crônicas

04/06/2019

16/03/92 - 00:53

Não tenho ideia do que causa isso. Aparece: uma certa ideia sobre os escritores do passado. E minhas ideias não são nem mesmo precisas, são apenas minhas, quase que totalmente inventadas. Acho que Sherwood Anderson, por exemplo, era baixinho e de ombros levemente encurvados. Provavelmente, tinha ombros retos e era alto. Não interessa. Eu o vejo do meu jeito. (Nunca vi uma foto dele.) Vejo Dostoievsky como um cara barbudo, grandão, com letárgicos olhos verde-escuros. Primeiro, ele era gordo demais, depois magro demais, depois gordo demais. Bobagem, com certeza, mas eu gosto da minha bobagem. Até vejo Dostoievsky como um cara que desejava garotinhas. Faulkner, vejo, em meio a uma certa penumbra, como um ranzinza e um cara com mau hálito. Gorky, como um cara que bebe escondido. Tolstoi, como um homem que tinha ataques de fúria por besteiras. Vejo Hemingway como um cara que dançava balé a portas fechadas. Vejo Celine como um cara que não dormia direito. Vejo e.e. cummings como um grande jogador de sinuca. Poderia continuar sem parar.
Em geral, tinha essas visões quando era um escritor faminto, meio louco, incapaz de me adaptar à sociedade. Tinha pouca comida, mas muito tempo. Quem quer que fossem os escritores, eram mágicos para mim. Abriam portas de um jeito diferente. Precisavam de uma bebida forte ao acordar. A vida era demais para eles. Cada dia era como caminhar sobre cimento fresco. Fiz deles meus heróis. Me alimentava deles. Minhas ideias sobre eles me sustentavam no meu lugar nenhum. Pensar sobre eles era muito melhor do que lê-los. Como D. H. Lawrence. Que sujeitinho perverso. Ele sabia tanto que isso fazia com que ficasse possesso o tempo todo. Sensacional, sensacional. E Aldous Huxley... poder mental de sobra. Ele sabia tanto que isso lhe dava dor de cabeça.
Me espreguiçava em minha cama de fome e pensava nesses caras.
A literatura era tão... romântica. É.
Mas os compositores e pintores também eram bons, sempre ficando loucos, se suicidando, fazendo coisas estranhas e abjetas. O suicídio parecia uma ideia tão boa. Eu mesmo tentei algumas vezes, falhei, mas cheguei perto, fiz umas boas tentativas. Agora, aqui estou com quase 72 anos. Meus heróis já se foram há muito e tive que viver com outros. Alguns dos novos criadores, alguns dos recém-famosos. Não são a mesma coisa pra mim. Olho para eles, os escuto e penso, é só isso? Quero dizer, eles parecem estar numa boa... eles reclamam... mas eles parecem estar NUMA BOA. Não há loucura. Só os que parecem loucos são os que fracassaram como artistas e acham que o fracasso é culpa de forças exteriores. E criam muito mal, de forma horrível.
Não tenho mais ninguém em quem me espelhar. Não consigo nem me espelhar em mim mesmo. Costumava entrar e sair de cadeias, costumava arrombar portas, quebrar janelas, beber 29 dias por mês. Hoje, sento em frente deste computador com o rádio ligado, ouvindo música clássica. Nem mesmo estou bebendo esta noite. Estou me resguardando. Pra quê? Será que quero viver até os 80, 90 anos? Não me importo de morrer... mas não neste ano, tá legal?
Não sei, era diferente no passado. Os escritores pareciam ser mais... escritores. Coisas eram feitas. A Black Sun Press. Os Crosby. Me lembro tanto daquela época! Caresse Crosby publicou um dos meus contos na sua revista Portfolio, junto com Sartre, acho, e Henry Miller e acho que, talvez, Camus. Não tenho mais a revista. As pessoas me roubam. Levam minhas coisas quando bebem comigo. Por isso que estou cada vez mais sozinho. De qualquer forma, outros devem ter saudades dos extraordinários anos 20, Gertrude Stein e Picasso... James Joyce, Lawrence e essa turma.
Para mim, parece que não somos mais o que éramos. É como se tivéssemos gasto as opções, como se não conseguíssemos mais fazer alguma coisa.
Sento aqui, acendo um cigarro, ouço música. Minha saúde está boa e espero estar escrevendo bem ou melhor que nunca. Mas tudo mais que leio parece tão... usado... é como um estilo reconhecido. Talvez eu tenha lido demais, talvez eu tenha lido por tempo demais. Também, depois de décadas e décadas escrevendo (e escrevi um monte), quando leio outro escritor acho que posso dizer exatamente quando ele está fingindo, a mentira salta aos olhos, as resvaladas untuosas... Posso adivinhar qual será a próxima linha, o próximo parágrafo... Não há brilho, emoção, risco. É uma tarefa que aprenderam, como consertar uma torneira que pinga.
Gostava mais quando conseguia imaginar grandeza nos outros, mesmo que nem sempre houvesse.
Na minha cabeça, via Gorki em um cortiço, pedindo tabaco para o cara ao lado. Via Robinson Jeffers falando com um cavalo. Via Faulkner olhando para o último gole da garrafa. É claro, é claro, era bobo. Os jovens são bobos e os velhos, idiotas.
Tenho que me adaptar. Mas para todos nós, mesmo agora, a próxima linha está sempre lá e pode ser a linha que finalmente consegue dar o recado, que diz tudo. Podemos dormir pensando nisso durante as lentas noites e esperar que aconteça.
Provavelmente, somos tão bons hoje quanto aqueles filhos da puta do passado. E alguns dos jovens pensam sobre mim como eu pensava sobre eles. Eu sei, recebo cartas. Eu as leio e jogo fora. Estes são os monumentais anos 90. Existe a próxima linha. E a linha depois dessa. Até não haver mais nenhuma.
É. Mais um cigarro. Depois, acho que vou tomar um banho e dormir.
Charles Bukowski, in O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio

26/12/2016

Leitura como alucinação aural

As palavras escritas, escritas, desde os tempos das primeiras tabuletas sumérias, destinavam-se a ser pronunciadas em voz alta, uma vez que os signos traziam implícito, como se fosse sua alma, um som particular. A frase clássica scripta manent, verba volant - que veio a significar em nossa época, “a escrita fica, as palavras voam” - costumava expressar exatamente o contrário: foi cunhada como elogio à palavra dita em voz alta, que tem asas e pode voar, em comparação com a palavra silenciosa na página, que está parada, morta. Diante de um texto escrito, o leitor tem o dever de emprestar voz às letras silenciosas, a scripta, e permitir que elas se tornem, na delicada distinção bíblica, verba , palavras faladas - espírito. As línguas primordiais da Bíblia - aramaico e hebreu - não fazem diferença entre o ato de ler e o ato de falar; dão a ambos o mesmo nome.
Nos textos sagrados, nos quais cada letra e o número de letras e sua ordem eram ditados pela divindade, a compreensão plena exigia não apenas os olhos, mas também o resto do corpo: balançar na cadência das frases e levar aos lábios as palavras sagradas, de tal forma que nada do divino possa se perder na leitura. Minha avó lia o Velho Testamento dessa maneira, pronunciando as palavras e movendo o corpo de um lado para o outro, ao ritmo da prece. Posso vê-la em seu apartamento sombrio no Barrio del Once, o bairro judeu de Buenos Aires, entoando as palavras antigas do único livro da casa, a Bíblia, cuja capa preta lembrava a textura de sua própria tez pálida amolecida pela idade. Também entre os muçulmanos o corpo inteiro participa da leitura sagrada. No islã, saber se um texto sagrado é para ser ouvido ou lido é uma questão de importância essencial. O erudito do século IX Ahmad ibn Muhammad ibn Hanbal expôs o problema nos seguintes termos: uma vez que o Corão original - a Mãe do Livro, a Palavra de Deus tal como revelada por Alá a Maomé - é incriado e eterno, torna-se ele presente apenas ao ser dito na oração ou ele se multiplica na página examinada pelo olho para ler, copiada por diferentes mãos ao longo das eras humanas? Não sabemos se obteve resposta, porque em 833 tal questão valeu-lhe a condenação do mihnah, ou inquisição islâmica, instituída pelos califas abássidas. Três séculos depois, o estudioso de leis e teólogo Abu Hamid Muhammad al-Ghazali estabeleceu uma série de regras para estudar o Corão, segundo as quais ler e ouvir o texto lido tornaram-se parte do mesmo ato sagrado. A regra número cinco estabelecida que o leitor deve seguir o texto lentamente e sem nenhum atropelo a fim de refletir sobre o que está lendo. A regra número seis mandava “chorar”. Se não consegues chorar naturalmente, então força-te a chorar, pois o pesar deve estar implícito na apreensão das palavras sagradas. A regra número nove exigia que O Corão fosse lido “alto o suficiente para que o leitor o escutasse, porque ler significa distinguir entre sons”, afastando assim as distrações do mundo externo.
O psicólogo americano Julian Jaynes, em um estudo controvertido sobre a origem da consciência, afirmou que a mente bicameral – na qual um dos hemisférios torna-se especializado na leitura silenciosa – é um desenvolvimento tardio da evolução da humanidade e que o processo pelo qual essa função se desenvolve ainda está mudando.
Ele sugeriu que a leitura possa ter sido inicialmente uma percepção aural, e não visual. “A leitura no terceiro milênio antes de Cristo pode, portanto, ter sido uma questão de ouvir o cuneiforme, isto é, uma alucinação do discurso a partir do movimento do olhar para suas figuras-símbolos, em vez de uma leitura visual de sílabas, no nosso sentido.”
Essa “alucinação aural” pode ter sido verdade também no tempo de Agostinho, quando as palavras na página não apenas se “tornavam” sons quando os olhos as percebiam: elas eram sons. A criança que cantava a canção reveladora no jardim vizinho, tal como Agostinho antes dela, tinha certamente aprendido que ideias, descrições, histórias verdadeiras e inventadas, qualquer coisa que a mente pudesse processar possuía uma realidade física em sons, sendo simplesmente lógico que esses sons, representados na tabuleta, rolo ou página manuscrita, fossem pronunciados pela língua quando reconhecidos pelo olho. Ler era uma forma de pensar e falar. Cícero, consolando os surdos em um de seus ensaios morais, escreveu: “Se gostam de recitações, deveriam primeiro lembrar que, antes da invenção dos poemas, muitos homens sábios viviam felizes; e, em segundo lugar que se pode ter prazer muito maior lendo e não ouvindo esses poemas”. Mas isso é apenas um prêmio de consolação oferecido por um filósofo que pode se regalar com o som da palavra escrita. Para Agostinho, como para Cícero, ler era uma habilidade oral: oratória, no caso de Cícero; pregação, no de Agostinho.
Alberto Manguel, in Uma história da leitura

23/10/2015

O perigo que ronda as oficinas literárias

Nas oficinas literárias, às vezes, alguns participantes apegam-se a detalhes do texto, inadequações semânticas e sintáticas, referências espaciais e temporais, e propõem um verdadeiro napalm corretivo. Para matar um inseto, devastam uma floresta inteira, no afã de tornar o texto “mais universal”. Como se o que constituísse a universalidade de uma obra literária fosse a pasteurização vocabular, a homogeneização estilística e a desvitalização de conteúdo.
Em geral, são alunos que não compreendem as relações sociais, políticas e econômicas que constituem a malha do discurso e do sentido. Açodados pela ansiedade de mostrar o próprio texto, preferem patinar sobre ele, apontar o óbvio e produzir toneladas de materiais que receberão da história futura uma não tão generosa recepção quanto a dos colegas de turma.
A estes, urge a leitura de Bakhtin, de Saussure, de Ducrot, de Benveniste, de Greimas, de Jakobson, de Charaudeau, de Authier-Revuz, de Bally e, por que não dizer, de Sartre. Mas, com frequência, e não por acaso, são alunos que resistem às necessárias paradas teóricas que proponho em meu método pedagógico. Por eles, as aulas seriam compostas somente de leitura e de discussão dos textos produzidos pelos próprios discentes.
Por outro lado, só avanço, teoricamente, quando percebo que meus alunos estão prontos para acompanhar os não tão simples raciocínios dialéticos da teoria linguística e literária. E para que sejam capazes disso, é preciso aprofundamento, que só virá pela ampliação da leitura, em casa, e pela discussão qualificada dos temas, em sala de aula.
Às vezes, é necessário mesmo deixar que as coisas girem em torno de vírgulas, até o momento de implodir o grupo e recomeçar com um novo. Outros alunos talvez compreendam que o texto literário de qualidade é espesso, opaco e plurivocal, e que a conquista da grande literatura só se dá pelo obstinado rigor.
Charles Kiefer, in Para ser escritor

02/12/2014

24/09/2014

A escrita

"A escrita tem as suas próprias leis de perspectiva, de luz e de sombras, como a pintura e a música. Se nasces com elas, perfeito. Se não, aprende-as. Em seguida, reorganiza as regras à tua maneira."
Truman Capote

21/05/2013

A escrita

“A escrita é uma pequena porta. Algumas fantasias, feito grandes peças de mobiliário, não passarão por ela.”
Susan Sontag

20/11/2012

Escrever é esquecer

"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso."
Fernando Pessoa

01/11/2012

O poeta e o silêncio

Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio – um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio… Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.
Mário Quintana

28/10/2012

Como comecei a escrever

Aí por volta de 1910 não havia rádio nem televisão, e o cinema chegava ao interior do Brasil uma vez por semana, aos domingos. As notícias do mundo vinham pelo jornal, três dias depois de publicadas no Rio de Janeiro. Se chovia a potes, a mala do correio aparecia ensopada, uns sete dias mais tarde. Não dava para ler o papel transformado em mingau.
Papai era assinante da "Gazeta de Notícias", e antes de aprender a ler eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras, e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar.
Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Cada um de nós tinha de escrever uma carta, narrar um passeio, coisas assim. Criei gosto por esse dever, que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder de expressão contido nos sinais reunidos em palavras.
Daí por diante as experiências foram-se acumulando, sem que eu percebesse que estava descobrindo a literatura. Alguns elogios da professora me animavam a continuar. Ninguém falava em conto ou poesia, mas a semente dessas coisas estava germinando. Meu irmão, estudante na Capital, mandava-me revistas e livros, e me habituei a viver entre eles. Depois, já rapaz, tive a sorte de conhecer outros rapazes que também gostavam de ler e escrever.
Então, começou uma fase muito boa de troca de experiências e impressões. Na mesa do café-sentado (pois tomava-se café sentado nos bares, e podia-se conversar horas e horas sem incomodar nem ser incomodado) eu tirava do bolso o que escrevera durante o dia, e meus colegas criticavam. Eles também sacavam seus escritos, e eu tomava parte nos comentários. Tudo com naturalidade e franqueza. Aprendi muito com os amigos, e tenho pena dos jovens de hoje que não desfrutam desse tipo de amizade crítica.
Carlos Drummond de Andrade, in Para gostar de ler

16/09/2012

18/08/2012

Escrever é comover


“Escrever é isto: comover para desconvocar a angústia e aligeirar o medo, que é sempre experimentado nos povos como uma infusão de laboratório, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso (não de livraria, mas de indignação social profunda) é aquele que protege os homens do medo: por audácia, delírio, fantasia, piedade ou desfiguração. Mas porque a poética precisão de dum ato humano não corresponde totalmente à sua evidência. Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do silêncio em que foram criadas. Depois de tudo, escrever é um pouco corrigir a fortuna, que é cega, com um júbilo da Natureza, que é precavida”.
Agustina Bessa-Luís, in Contemplação Carinhosa da Angústia

13/12/2011

Na leitura e na escrita encontramo-nos todos naquilo que temos de mais humano

“A escrita, ou a arte, para ser mais abrangente, cumpre funções que mais nenhuma área consegue cumprir. (...) Sinto que há poucas experiências tão interessantes como quando se lê um livro e se percebe ‘já senti isto, mas nunca o tinha visto escrito’, procurar isso, ou procurar escrever textos que façam sentir isso, é uma das minhas buscas permanentes. Trata-se de ordenar, de esquematizar, não só sentimentos como ideias que temos de uma forma vaga mas que entendemos melhor quando os vemos em palavras. Trata-se também de construir empatia: através da leitura temos oportunidade de estar na pele de outras pessoas e de sentir coisas que não fazem parte da nossa vida, mas que no momento em que lemos conseguimos perceber como é. E isso faz-nos ser mais humanos. Na leitura e na escrita encontramo-nos todos naquilo que temos de mais humano”.

José Luís Peixoto, in Diário de Notícias (2003)