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23/08/2012

Zé Galinha e a graúna

Uma turma de amigos estava colocando o papo em dia na Sorveteria Polo Norte, em Pau dos Ferros e, evidentemente, tomando umas geladas para espantar o calor naquela tarde em que o mormaço imperava.
Eis que surge Zé Galinha, notório pelas mentiras, apressado. Dr. Geraldo Torquato, Promotor de Justiça da cidade à época, aproveitou a oportunidade e cutucou a fera:
- Ô Zé Galinha, que pressa é essa, homem? Senta aqui, tome uma cervejinha com a gente e conte uma mentira!
- Posso, não, doutor. Não tenho tempo pra isso não. Não tá vendo meu aperreio? É que tou procurando minha graúna que fugiu de casa com gaiola e tudo.
E lá se foi o diligente Falacioso à procura do inatingível.
Elilson José Batista, in Inéditos e Afins

21/08/2012

Zé Galinha, o futebol e o enterro

Pau dos Ferros na década de 50
Pau dos Ferros: década de 60. Cidade tranquila, no marasmo típico de um povoado sertanejo. As notícias, poucas, vinham pelas ondas do rádio, notadamente a Rádio Difusora de Cajazeiras – PB. Mas a cidade tinha um serviço de alto-falante municipal, para divulgar os acontecimentos locais.
Sucedeu que, num domingo de clássico intermunicipal, Pau dos Ferros versus Alexandria, rinhenta peleja no Campo de Futebol onde hoje se localiza o Estádio Municipal 09 de Janeiro, o escalado para locutor no serviço de alto-falante, localizado no Mercado Público, foi Zé Galinha, notório pelo seu entusiasmo futebolístico.
Ressentido pela ausência no espetacular shock, Zé Galinha recebeu a incumbência de noticiar um evento e, ainda com a visão no esporte bretão, com a voz impostada soltou o verbo:
- Atenção, povo pauferrense: não percam logo mais, às 17:30 horas, sensacional enterro, passando com seus componentes pelas principais ruas dessa cidade. Ouçam, em homenagem a esse grande evento, a música “Vassourinhas”.
Antes que terminasse a famosa introdução do frevo: “Tan taran ta ran tan ran / tan tanran tan tan tan ran…” surgiu, estupefato, Dr. José Edmilson de Holanda, para tentar emendar:
- Zé Galinha, isso é um aviso de enterro, e não de jogo de futebol!
Ainda com o microfone ligado, Zé galinha vaticinou:
- Vixe, caguei o pau!
Elilson José Batista, in Inéditos e Afins