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01/03/2026

Condizente com a razão

Dado esse material, o que pode ser falado ou feito da maneira mais condizente com a razão? Seja o que for, falar ou fazer depende de você. Não se justifique dizendo que foi impedido.
Não suspenderá as lamentações até que o material que lhe é submetido e apresentado seja tão valorizado pela sua mente quanto o luxo o é pelos lascivos. Até que julgue prazerosas as ações adequadas à sua constituição. O poder de julgá-las assim o acompanha para todo canto.
Perceba: a escolha de se direcionar não é dada a um cilindro, à água, ao fogo ou a quaisquer entes governados só pela natureza ou por almas irracionais. São impedidos de inúmeras maneiras. Por outro lado, a inteligência e a razão podem escolher transpor os impedimentos, pois foram constituídas para isso. Note como a razão os transpõe tão facilmente quanto o fogo ascende, a pedra cai ou um cilindro desce por um plano inclinado. Não busque mais nada.
Entraves impedem apenas o corpo — um cadáver. Exceto se assim opinar ou se renunciar à razão, não esmagam nem danificam. Se esmagassem, quem fosse danificado se tornaria pior. Mas, ao passo que os demais entes pioram quando são danificados, o homem se torna melhor e mais elogiável quando emprega esse “dano” com destreza.
Por fim, recorde-se: se não deteriora um cidadão genuíno, não deteriora o estado. Se não afeta o estado, não afeta a lei. Nenhum entrave infringe a lei. Logo, se não fere a lei, não fere o cidadão ou o estado.

Marco Aurélio, em Meditações

09/12/2025

Prossiga, seguindo a razão

Se estiver em seu poder investigar o que deve ser feito, para que serve esse seu medo desconfiado? Caso possa ver com clareza, siga satisfeito por este caminho, sem voltar atrás. Se não puder, pare e consulte os melhores conselheiros. Caso se depare com algum obstáculo, prossiga como for viável, com a devida consideração e firmando-se no que parece ser justo. Não há nada melhor do que alcançar esse objetivo. Se for falhar, falhe tentando alcançá-lo. Quem segue a razão é, simultaneamente, ativo, tranquilo, alegre e controlado.

Marco Aurélio, em Meditações

25/06/2025

A razão produz frutos para tudo e para si mesma

O homem, deus e o universo produzem frutos. Cada um é frutífero na estação adequada. Não importa se o costume limitou esse termo à videira e às outras plantas. A razão produz frutos para tudo e para si mesma. Desses, brotam outras coisas da mesma cepa que a própria razão.

Marco Aurélio, em Meditações

30/01/2025

A razão

Caso retire a opinião a respeito do que parece lhe causar dor, então o seu “eu” estará seguro.
Quem é este ‘eu’?”
A razão.
Mas não sou a razão.”
Então torne-se ela! Não a permita se inquietar. Caso qualquer outro componente seu sofra, deixe-o opinar sozinho.

Marco Aurélio, em Meditações

20/01/2023

Razão

A razão governante sabe qual é a sua própria disposição, o que faz e em qual material trabalha.

Marco Aurélio, in Meditações

09/11/2022

Razão e racionalidade

A razão e a arte da racionalidade são poderes suficientes para você e suas obras. Partem de um princípio inerente e caminham até o fim que lhes foi proposto. Como atos racionais prosseguem em linha reta, são denominados “atos corretos”.

*

Nenhuma dessas coisas deve ser atribuída ao homem caso não pertença à sua constituição típica. Elas não lhe são exigidas, não são prometidas pela sua natureza e não constituem os meios pelos quais a natureza do homem alcança seu fim. Além disso, nelas não reside a finalidade do homem ou aquilo que o ajuda a alcançá-la—e somente aquelas que contribuem para isso são boas.
Caso alguma dessas coisas lhe pertencesse, seria errado desprezá-la e se opor a ela. Um homem que demonstrasse não querê-las não seria digno de elogio. Um homem que se limitou a qualquer uma delas não seria bom. No entanto, quanto mais um homem se priva ou é privado dessas coisas ou de similares, mais suporta a perda com paciência e melhor se torna.

Marco Aurélio, in Meditações

18/12/2021

Da razão

Se as nossas faculdades intelectuais são comuns, a razão que nos torna racionais também o é. Se assim for, partilhamos da razão que nos comanda e que designa o que fazer e o que não fazer. Se assim for, existe uma lei comum. Se assim for, somos concidadãos. Se assim for, participamos de alguma comunidade política. Se assim for, o mundo é, de certo modo, um estado.
De qual outra comunidade política alguém poderia dizer que toda a raça humana faz parte? O intelecto, a racionalidade e a lei advém desse estado do qual somos membros. De onde mais poderiam advir?
Minha porção terrestre me foi provida a partir de determinada terra. A parte aquosa provém de outro elemento. A porção calorosa e ardente se origina de outra fonte peculiar. Nada surge do nada. A existência não deixa de existir. Logo, a faculdade intelectual procede de alguma fonte.

Marco Aurélio, in Meditações do Imperador Marco Aurélio: Uma Nova Tradução

30/03/2021

Três razões

Penetra em tua própria razão, na do todo e na deste homem. Na tua, para fazeres teu espírito justo; na do todo para teres sempre na memória o conjunto de que és parte; na deste homem, para verificares se ele é ignorância ou reflexão e, ao mesmo tempo, para teres conta que ele é aparentado a ti.

Marco Aurélio, in Meditações

19/03/2020

Acerca da razão

Minha razão não perturba a si mesma; digo: não se amedronta nem se aflige a si mesma. Se outra pessoa qualquer pode amedrontá-la ou afligi-la, que o faça. Ela própria, por si mesma, não se voltará para tais direções refletidamente. Que o pobre corpo cuide, se puder, de não sofrer e que fale se sofrer algo. A pobre alma, que querem atemorizar, afligir, mas que em última análise forma a opinião sobre isso, nada sofrerá; sua constituição não a obriga a tal julgamento. A razão, por si mesma, não tem necessidades; por isso está livre de perturbações e entraves, a não ser que ela mesma se perturbe e crie entraves a si própria.
Marco Aurélio, in Meditações

26/11/2019

10/07/2019

Amor x razão

Pinta-se o Amor sempre menino, porque ainda que passe dos sete anos, como o de Jacó, nunca chega à idade de uso de razão. Usar de razão, e amar, são duas coisas que não se juntam. A alma de um menino, que vem a ser? Uma vontade com afetos, e um entendimento sem uso. Tal é o amor vulgar. Tudo conquista o amor, quando conquista uma alma; porém o primeiro rendido é o entendimento. Ninguém teve a vontade febricitante, que não tivesse o entendimento frenético. O amor deixará de variar, se for firme, mas não deixará de tresvariar, se é amor. Nunca o fogo abrasou a vontade, que o fumo não cegasse o entendimento. Nunca houve enfermidade no coração, que não houvesse fraqueza no juízo. Por isso os mesmos Pintores do Amor lhe vendaram os olhos. E como o primeiro efeito, ou a última disposição do amor, é cegar o entendimento, daqui vem, que isto que vulgarmente se chama amor, tem mais partes de ignorância: e quantas partes tem de ignorância, tantas lhe faltam de amor. Quem ama, porque conhece, é amante; quem ama, porque ignora, é néscio. Assim como a ignorância na ofensa diminui o delito, assim no amor diminui o merecimento. Quem, ignorando, ofendeu, em rigor não é delinquente; quem, ignorando, amou, em rigor não é amante.”
Padre Antônio Vieira, in Sermões

25/02/2018

Capítulo 8 - Razão Contra Sandice

Já o leitor compreendeu que era a Razão que voltava à casa, e convidava a Sandice a sair, clamando, e com melhor jus, as palavras de Tartufo:
La maison est à moi, c'est à vous d'' sortir.
Mas é sestro antigo da Sandice criar amor às casas alheias, de modo que, apenas senhora de uma, dificilmente lha farão despejar. É sestro; não se tira daí; há muito que lhe calejou a vergonha. Agora, se advertirmos no imenso número de casas que ocupa, umas de vez, outras durante as suas estações calmosas, concluiremos que esta amável peregrina é o terror dos proprietários. No nosso caso, houve quase um distúrbio à porta do meu cérebro, porque a adventícia não queria entregar a casa, e a dona não cedia da intenção de tomar o que era seu. Afinal, já a Sandice se contentava com um cantinho no sótão.
- Não, senhora, replicou a Razão, estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sótão à sala de jantar, daí à de visitas e ao resto.
- Está bem, deixe-me ficar algum tempo mais, estou na pista de um mistério...
- Que mistério?
- De dois, emendou a Sandice; o da vida e o da morte; peço-lhe só uns dez minutos.
A Razão pôs-se a rir.
- “Hás de ser sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa”.
E, dizendo isto, travou-lhe dos pulsos e arrastou-a para fora; depois entrou e fechou-se. A Sandice ainda gemeu algumas súplicas, ainda grunhiu algumas zangas; mas desenganou-se depressa, deitou a língua de fora, em ar de surriada, e foi andando... foi andando... Provavelmente andará até a consumação dos séculos.
Machado de Assis, in Memórias póstumas de Brás Cubas

23/02/2018

Loucura e amor

Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.
Friedrich Nietzsche, in Assim falava Zaratustra

04/03/2017

Irracionalidade humana

Ou a razão, no homem, não faz senão dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavelmente um animal entre os animais, também é, indubitavelmente, o mais irracional deles todos. Vou-me inclinando cada vez mais para a segunda hipótese, não por ser eu doentiamente propenso a filósofos pessimistas, mas porque o espetáculo do mundo é, na minha humilde opinião, e de todos os pontos de vista, uma demonstração explícita e evidente do que chamo de irracionalidade humana.”
José Saramago, in As palavras de Saramago

30/12/2016

O homem, irracional

Ou a razão, no homem, não faz senão dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavelmente um animal entre os animais, também é, indubitavelmente, o mais irracional deles todos. Vou-me inclinando cada vez mais para a segunda hipótese, não por ser eu doentiamente propenso a filósofos pessimistas, mas porque o espetáculo do mundo é, na minha humilde opinião, e de todos os pontos de vista, uma demonstração explícita e evidente do que chamo de irracionalidade humana.
José Saramago, in As palavras de Saramago

26/12/2016

Diminuindo a nossa franja da vida

Usamos a razão para destruir, matar, diminuir a nossa franja de vida. E é essa espécie de indecência do comportamento humano, orientada pela exploração do outro, da sede do lucro, da ambição do poder, que conduz à indiferença e ao alheamento. Ao desprezo do outro. Se a ética não governa a razão, a razão está-se nas tintas.
José Saramago, in As palavras de Saramago

15/12/2016

A razão

A razão não é inimiga das ilusões, dos sonhos, da esperança, de todas essas coisas que têm a ver com os sentimentos… Porque a razão não é algo frio, não é algo mecânico. A razão é o que é, com tudo o que a gente é de sentimentos, de desejos, de ilusões, disso tudo.
José Saramago, in As palavras de Saramago

21/11/2016

Para que a razão?

Somos nós que nos afirmamos, por oposição ao comportamento dos animais, seres dotados de razão; por isso, não posso aceitar (e aí entra uma questão ética) que a razão seja usada contra a razão. Neste sentido, uma razão que não é conservadora da vida, uma razão que não defende a vida, uma razão que (pondo a coisa num terreno mais prático, mais lhano, mais imediato) não se orienta para dignificar a vida humana, para respeitá-la, muito simplesmente para alimentar o corpo, para defender da doença, para defender de tudo o que há de negativo e que nos cerca, e que desgraçadamente é também produto da razão, é uma razão de que se faz um mau uso. Se o homem é um ser racional e usa a razão contra si mesmo — um contra si mesmo representado pelos seus semelhantes —, então de que é que serve a razão?
José Saramago, in As palavras de Saramago

09/09/2016

Vontade x Razão

Alguns afirmam que isso é de fato o que é mais caro ao ser humano; a vontade pode, se assim o desejar, coincidir com a razão, especialmente se não abusar desta e usá-la com parcimônia; é uma coisa útil e às vezes elogiável. Mas a vontade, muito frequentemente, e até mesmo na maior parte das vezes, discorda completa e teimosamente da razão.”
Dostoiévski, in Notas do subsolo

23/08/2016

Razão versus Vontade

A razão é uma coisa boa, sem dúvida, mas a razão é apenas razão e satisfaz apenas a capacidade racional do homem; já a vontade, esta é a manifestação da vida como um todo, ou melhor, de toda a vida humana, aí incluindo-se a razão e todas as formas de se coçar. E, mesmo que a nossa vida pareça às vezes bem ruinzinha do ponto de vista acima, ela é vida, apesar de tudo, e não apenas a extração de uma raiz quadrada.”
Fiódor Dostoievski, in Notas do subsolo