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10/11/2025
31/01/2024
07/02/2023
Não quero dinheiro (Só quero amar) | Tim Maia, 1971
No
fim dos anos 1960, depois do AI-5 que endureceu a ditadura, a música
brasileira estava em crise. A MPB parecia ter chegado a um impasse
criativo, com os seus principais nomes (Caetano, Gil, Chico Buarque,
Edu Lobo, Geraldo Vandré) fora do país. O Tropicalismo, que havia
rachado a MPB em busca de liberdade e modernização pop, mas não
chegou a ter sucesso popular, praticamente acabou com o exílio de
Gilberto Gil e Caetano Veloso em Londres. O rock brasileiro, que
nunca chegou a ser um movimento, se resumia aos casos isolados de
Rita Lee, Raul Seixas e Mutantes. É nesse vazio que surge como um
furacão Tim Maia.
Depois
de cinco anos nos Estados Unidos, Sebastião Rodrigues Maia
(1942-1998) voltou ao Brasil com 23 anos e uma grande novidade: a
mistura explosiva do funk, do soul e do R&B americanos com ritmos
nacionais – uma alquimia sonora que mudou os rumos da música
brasileira, que ficou mais alegre, mais suingada, mais negra e mais
romântica.
Em
1968, Tim emplacou seu primeiro sucesso, o funk raivoso “Não vou
ficar”, que foi um marco na carreira de Roberto Carlos. Um ano
depois, começou a se tornar conhecido nacionalmente por seu
sensacional dueto com Elis Regina em “These Are the Songs”, em
que fazia uma integração de soul e bossa nova. Até que, em 1970,
foi contratado pela Philips para seu primeiro LP, um
arrasa-quarteirão que se tornou o maior sucesso e a melhor novidade
do ano, graças a hits como “Azul da cor do mar” e “Coroné
Antônio Bento”, uma recriação de uma composição de João do
Vale e Luiz Wanderley, como uma pioneira fusão de funk com xaxado.
Mas
foi no seu segundo álbum, em 1971, que Tim Maia sedimentou de vez a
sua original mistura. No repertório estava o clássico “Não quero
dinheiro (Só quero amar)”, uma melodia construída sobre uma
levada soul seca, que se desenvolve em uma sequência ascendente para
desembocar no refrão irresistível, síntese de um novo gênero
musical que conquistou imediato sucesso popular, influenciando as
gerações que vieram depois.
Nos
anos 1990 foi regravada com grande sucesso por Marisa Monte e Ivete
Sangalo.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
08/01/2023
13/04/2015
Ele seria Tim Maia se não fosse tão "Tim Maia"?
Ele
é um dos artistas mais talentosos da música brasileira. É, também,
um dos mais polêmicos, irresponsáveis e malandros. E uma coisa
está, necessariamente, ligada às outras.
Tim
Maia é, assim como todos nós, uma grande lista de prós e contras.
Só que, no caso dele, às vezes os contras transformam-se em prós.
E isso é para poucos.
Vale
a pena exaltar o malandro? O que não honra seus compromissos, não
paga impostos, o que briga, xinga, suborna, explode de ciúmes. Vale?
E se esse cara for Tim Maia?
É
injusto que o talentoso não se esforce para brilhar e que, por mais
que o esforçado se desdobre, ainda lhe falte aquele milésimo de dom
capaz de fazer com que os outros se arrepiem. É injusto. Mas
acontece.
Não
que Sebastião Rodrigues Maia não tenha se esforçado; sua infância
sofrida, sua ida aos Estados Unidos sem saber um pingo de inglês,
sua vontade de ser alguém e a confiança no próprio talento de
certo foram merecidamente recompensadas. “Pobre, preto, gordo e
cafajeste”, Sebastião teimou, ralou e demorou a virar Tim.
Mas,
quando virou...
“Dar
pro Tim é fácil, quero ver é dar pro Sebastião”, disse, naquela
que muito provavelmente é a frase que melhor representou sua vida,
em todos os sentidos.
Estourou.
Cantou, compôs, engordou, cheirou, bebeu, fumou, brigou, brilhou.
Furioso com um mercado que não premiava o artista, criou sua própria
gravadora, a Seroma (as iniciais de seu nome que, se lidas ao
contrário, formam a palavra “Amores”. Isso é Tim.).
Ver
matéria completa da Obvious aqui.
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