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20/04/2015

Em comum


“Desde que me mudei para Nova Iorque entendi o que a palavra gueixa realmente significa para a maioria dos ocidentais. De tempos em tempos, em festas elegantes, fui apresentada a uma jovem ou outra usando um vestido magnífico e joias. Quando ela fica sabendo que um dia eu fui gueixa em Kioto, dá uma espécie de sorriso, embora os cantos de sua boca não se ergam como deveriam. Ela não sabe o que dizer. Então o ônus da conversa recai sobre o homem ou a mulher que me apresentou a ela – porque nunca aprendi muito inglês, mesmo depois de todos estes anos. Naturalmente, a essa altura não faria muito sentido nem tentar, porque a mulher estará pensando: 'Meu Deus... estou falando com uma prostituta...' Logo depois ela é salva pelo seu acompanhante, um homem rico trinta ou quarenta anos mais velho que ela. Bem, muitas vezes imagino por que ela não percebe quanto realmente temos em comum. Ela é uma mulher sustentada, você entende, e antigamente eu também fui.”
Arthur Golden, in Memórias de uma gueixa

05/04/2015

Rugas


“- Olhe só parar você, Nobu-san. Rugas tão fundas entre os olhos como sulcos numa estrada.
Ele relaxou um pouco os músculos em torno dos olhos, de modo que a ruga pareceu se desfazer.
- Não sou mais tão jovem como já fui, sabe? - ele disse.
- E o que quer dizer isso?
- Quer dizer que algumas rugas se tornaram traços permanentes e não vão desaparecer só porque você diz que deviam.
- Há rugas boas e rugas más, Nobu-san. Nunca esqueça isso.”
Arthur Golden, in Memórias de uma gueixa

27/03/2015

Diferentes, mas somos iguais

“Mas, sabe, eu acho fascinante que, não importa como nós homens pareçamos diferentes, por baixo de tudo somos exatamente iguais.”
Arthur Golden, in Memórias de uma gueixa

21/03/2015

Adversidade

“A adversidade é como um longo vento forte. Não quero apenas dizer que ela nos afasta de lugares aonde poderíamos ir, mas também arranca de nós tudo, menos as coisas que não podem ser arrancadas, de modo que depois nos vemos como realmente somos, e não apenas como gostaríamos de ser.”
Arthur Golden, in Memórias de uma gueixa

19/03/2015

Sonhos

“É por isso que os sonhos podem ser coisas tão perigosas: queimam como fogo, e às vezes nos consomem completamente.”
Arthur Golden, in Memórias de uma gueixa

15/09/2014

Água e madeira


“Dentro dessa casa bêbada vivi uma espécie de vida entortada. Porque desde os meus primeiros anos fui muito parecida com minha mãe, e quase nada com meu pai ou com minha irmã mais velha. Minha mãe dizia que era porque éramos feitas do mesmo jeito, ela e eu – e na verdade tínhamos os mesmos olhos peculiares de um tipo que quase nunca se vê no Japão.  Em vez de serem castanho-escuros como os de todo mundo, os olhos de minha mãe eram de um cinza translúcido, e os meus são exatamente assim. Quando era muito pequena, eu disse à minha mãe que achava que alguém tinha feito um furo em seus olhos e a tinta escorrera, o que ela achou muito engraçado. As adivinhas diziam que seus olhos eram tão pálidos porque havia água demais em sua personalidade, tanta que os outros quatro elementos quase nem estavam presentes – e diziam que era por isso que seus traços combinavam tão mal. Muitas vezes os moradores da aldeia diziam que ela deveria ter saído extremamente atraente porque seus pais tinham sido. Bem, um pêssego tem um gosto delicioso e o cogumelo também, mas não se pode juntar os dois; era essa a terrível peça que a natureza lhe pregara. (…)
Minha mãe sempre dizia que se casara com meu pai porque havia água demais em sua própria personalidade e madeira demais na dele. Quem conhece meu pai entenderia o que ela estava dizendo. Água corre rapidamente de um lugar a outro e sempre encontram uma fenda onde se derramar. Madeira, por outro lado, prende-se rapidamente à terra.”
Arthur Golden, in Memórias de uma gueixa