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10/03/2026

I Lost My Little Girl – Paul McCartney


I Lost My Little Girl – Paul McCartney
(Composta em 1956, mas só gravada em 1991)

Well I woke up late this morning
My head was in a whirl
And only then I realised
I lost my little girl
Uh huh huh huh

Well her clothes were not expensive
Her hair didn’t always curl
I don’t know why I loved her
But I loved my little girl
Uh huh huh huh huh huh

Não é necessário ser um Sigmund Freud para você reconhecer que a canção é uma resposta muito direta à morte de minha mãe. Ela morreu em outubro de 1956, muito jovem, aos 47 anos. Escrevi esta canção naquele mesmo ano. Na época eu tinha quatorze anos.
Como o meu pai tocava trompete, eu aprendi um pouco. Desisti porque não tinha como cantar com a boquilha na boca. A questão é que a ideia de cantar me agradava e eu estava vendo muita gente entrando em cena. Quando você olha para trás e pensa nisso, o rock’n’roll estava só começando.
Já que o trompete era meio inviável no rock’n’roll, acabei com um violãozinho improvisado. Um Zenith acústico. Era um violão para destros, porque não vendiam violões para canhotos, então tive que adaptar. Virei-o para que as cordas grossas e graves ficassem nos buracos finos e as cordas finas e agudas nos buracos largos. Tive de entalhar os buracos finos para permitir que os fios grossos entrassem e, em seguida, encaixar um pedaço de palito de fósforo em cada buraco largo para que o fio fino passasse por cima. Agora eu tinha um violão para canhotos e poucos acordes no repertório – acordes muito básicos, recém-aprendidos.
Os acordes em “I Lost My Little Girl” vão de Sol a Sol maior com sétima até chegar em Dó, então temos um efeito decrescente. Eu queria que a melodia aumentasse à medida que a progressão dos acordes diminuísse. Então, eu já estava tentando pensar nessas coisas aos quatorze anos, talvez porque sempre convivi com música em casa – meu pai tocava, ou um amigo dele, ou as nossas tias, e eu provavelmente os via improvisando um pouco. Por isso, decidi: enquanto o violão estivesse baixando, o meu canto ia subir.
O verso de abertura, “Well I woke up late this morning”, ou uma variação disso, é um elemento básico do blues americano. Não sei ao certo se eu tinha uma canção de blues em particular na minha cabeça. Era uma configuração bem familiar. Blues 101, ou seja, as 101 progressões essenciais do blues. O verso “Her hair didn’t always curl” me fez encolher de vergonha ao longo dos anos, mas, puxa vida, eu tinha só quatorze anos. E esse, como se diz, foi o primeiro passo.
Eu nem preciso falar, a coisa começou para valer quando eu conheci John Lennon. Fomos apresentados por um amigo em comum, Ivan Vaughan, que me levou para ver John tocar na Woolton Village Fête, na Igreja de São Pedro. O palco era um caminhão-plataforma, e eu achei que John era muito bom. Ele estava cantando “Come Go With Me”, dos Del-Vikings, e eu só conhecia vagamente essa canção. Para mim ficou claro que ele também a conhecia apenas vagamente e estava inventando à medida que prosseguia. Ele cantou algo como “Vem, vem, vem, venha comigo até a penitenciária”. Sem dúvida, a letra não é essa, mas ele deve ter tirado isso de Lead Belly ou de outra pessoa. Achei aquilo muito inteligente da parte dele.
John e eu então nos encontramos no intervalo entre o show diurno e o show noturno, que aconteceu no salão da igreja – e ali tinha uma pequena área de bastidores. Eu me lembro de que havia um piano e eu estava com o meu violão. Então, toquei a canção “Twenty Flight Rock”, que era a minha peça festiva, e ele aparentemente ficou muito impressionado porque eu sabia a letra de cor e salteado.
Eu tive a sensação de que ele não queria realmente fazer uma parceria comigo, porque eu era um pouco mais jovem do que ele, mas ele tinha que admitir, bem, existia um pouco de talento ali.
Compareci ao show naquela noite e depois saí com Ivan e ele. A banda não era grande coisa, mas John era bom. Cerca de uma semana depois, um dos amigos de John, Pete Shotton, me alcançou quando eu estava na minha bicicleta e disse: “Querem você na banda”. Fiz uma pausa e disse: “Vou pensar no assunto”.
Eu não estava me fazendo de difícil. Mas eu era um mocinho precavido. Eu me perguntei se eu realmente queria fazer parte de uma banda. Era uma coisa boa ou seria melhor me dedicar aos estudos?
Para o bem ou para o mal, eu os procurei e disse: “Sim”.

Paul McCartney, em As Letras – 1956 até o presente

29/11/2011

Hoje faz dez anos de morte do beatle George Harrison

Sempre apaixonado pela música, mas quase nunca à vontade em um palco. Assim se definia o ex-beatle George Harrison. Dez anos depois de sua morte, que se completam nesta terça-feira (29), o integrante mais enigmático do grupo volta a ser o centro das atenções neste dia em que fãs e admiradores prestam homenagens ao redor do mundo --ainda que ele já tenha dito um dia: "a fama não é o meu objetivo". 
Com a mulher, Olivia, e o filho, Dhani, ao seu lado, George Harrison morreu aos 58 anos de idade numa quinta-feira em Los Angeles, após uma luta de quatro anos contra um câncer no pulmão. Nos últimos anos de vida, Harrison trabalhava de forma discreta. "Ocasionalmente faço uma música nova, mas não posso me considerar realmente um indivíduo dedicado à carreira", disse ele ao "USA Today" um ano antes. "Basicamente, eu sou um jardineiro".  
Mesmo durante a explosão dos Beatles, Harrison era sempre tido como o integrante mais tímido e silencioso. Quando entrou no Hall da Fama do Rock and Roll, em 1988, até ironizou: "Não tenho muita coisa a dizer porque sou o beatle calado".
Certa vez, a viúva do guitarrista, a mexicana Olivia Harrison, disse que o músico sofreu tanto estresse ao ser perseguido por fãs e pela imprensa na época dos Beatles que optou pela reclusão. "Ele passou o resto de sua vida viajando pelo mundo para encontrar um paraíso tranqüilo, longe de seu status de celebridade", disse ela, que se casou com Harrison em 1978. 
Harrison deixou obras-primas em seu legado, como a cultuada "Something", uma inesquecível balada do disco "Abbey Road" (1969). E vieram também dele "Taxman", "While My Guitar Gently Weeps", "If I Needed Someone" e "Here Comes the Sun".  
Mas foi na música indiana que ele se encontrou espiritualmente e achou um caminho de afirmação artística para se destacar de John Lennon e Paul McCartney, num momento em que começava a sofrer os efeitos da asfixiante fama do grupo. Introduziu a cítara no rock e um toque indiano em músicas como "Norwegian Wood" e "Within You Without You". 
Mesmo após a dissolução dos Beatles, Harrison também se destacou em carreira solo: logo em sua estreia, lançou o álbum triplo "All Things Must Pass" em 1970, o primeiro trabalho de um ex-beatle a entrar em primeiro lugar nas paradas. Conhecido também pela generosidade, Harrison organizou dois concertos beneficentes em 1971 para os refugiados famintos de Bangladesh.  
Em 1974, ele se tornou o primeiro beatle a fazer sozinho uma turnê mundial. E, após uma pausa, retornou em 1988 com o álbum "Cloud Nine". Harrison se juntou a Bob Dylan, Roy Orbison, Tom Petty e Jeff Lynne no primeiro dos dois álbuns do Traveling Wilburys. Nos anos 90, fez poucas empreitadas musicais, entre elas a colaboração para o "Beatles Anthology" e a reedição do seu próprio catálogo de obras.   
Um dia após a morte de Harrison, a sua família divulgou um comunicado: "Ele deixou este mundo da mesma forma em que nele viveu, consciente da presença de Deus, sem medo da morte e em paz, rodeado pela família e pelos amigos".



Fonte: musica.uol.com.br