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30/03/2025
05/10/2024
13/01/2023
País tropical | Jorge Ben Jor, 1969
Depois
de uma estreia retumbante, em 1963, com “Mas que nada”, “Chove
chuva” e “Por causa de você, menina”, a música de Jorge Ben
Jor, na época ainda Jorge Ben, vinha perdendo espaço. Num Brasil
cada vez mais politizado e polarizado, a espetacular batida de seu
samba-rock e o uso da guitarra elétrica passaram a ser vistos pela
turma mais sectária da MPB como sinais inimigos, símbolos do
imperialismo ianque e do abominável rock and roll.
“País
tropical” foi primeiro gravada em 1969 pelos tropicalistas Caetano
Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, que adoravam o estilo de Jorge e
tinham sua música como referência do movimento, marcando o início
da sua volta ao sucesso, incorporando influências do Tropicalismo à
sua maneira de compor. Logo em seguida, teve uma espetacular gravação
de Sérgio Mendes nos Estados Unidos. Mas foi com Wilson Simonal que
“País tropical” se tornou um dos maiores hits da história da
música brasileira.
Em
1970, o carioca Wilson Simonal rivalizava com Roberto Carlos como o
cantor mais popular do Brasil, como criador de um estilo alegre e
dançante que chamava de “pilantragem”. Emplacando um sucesso
atrás do outro, Simonal ouviu a música de seu velho amigo Jorge
sobre as maravilhas de viver num país abençoado por Deus e bonito
por natureza, de ser Flamengo e ter uma nega chamada Teresa, e adorou
seu balanço irresistível. Encantou-se também com sua linguagem
malandra e ufanista, que poderia se confundir com a radicalização
nacionalista da ditadura na campanha “Brasil, Ame-o ou deixe-o”,
mas se tornou o maior sucesso de sua carreira e uma das músicas mais
queridas de nossa história.
Simonal
também popularizou uma versão alternativa da letra, criada por
Jorge, em que as palavras eram cantadas sem a última sílaba, e se
tornou mais popular que a versão original: “Mó num pá tropi”
se tornou ícone sonoro de um tempo.
Com
uma levada rítmica empolgante e uma melodia intuitiva e fluente, a
declaração de amor ao Brasil de Jorge, por sua qualidade e
sinceridade, superou qualquer eventual conexão com o ufanismo
autoritário e sobreviveu no tempo como um hino de alegria e
brasilidade.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
14/10/2022
Mas que nada | Jorge Ben Jor, 1963
Apresentando-se
como um “misto de maracatu”, este “samba de preto velho”
promoveu uma revolução pacífica e festiva na canção brasileira.
Lançado em 1963, inicialmente num 78 rpm com “Por causa de você,
menina” no lado B, logo este samba diferente virou um sucesso em
todo o Brasil, apesar de tachado de primitivo e infantil por boa
parte da crítica. Com seu balanço original e seu vigoroso violão
percussivo de sotaque afro, não dedilhado como na bossa nova, mas
tocado com palheta como entre rockers e bluesmen, Jorge
Ben Jor (na época ainda Jorge Ben) abriu novos caminhos para a
música popular, num momento em que a bossa nova já dava sinais de
esgotamento no Brasil. Uma volta às raízes que apontava para o
futuro.
Ainda
em 1963, “Mas que nada” também foi a faixa escolhida para abrir
o álbum de estreia do cantor, Samba esquema novo, produzido
por Armando Pittigliani e acompanhado pelo grupo de samba-jazz Os
Copa 5, liderado pelo saxofonista e arranjador J.T. Meirelles.
Hoje
considerado um clássico da MPB, o álbum também inclui sucessos
como “Chove, chuva”, “Rosa, menina rosa”, “Vem, morena,
vem” e “Balança pema”. Mas foi “Mas que nada” que melhor
sintetizou o esquema novo de Jorge Ben Jor, com o apelo irresistível
de sua levada e de sua letra rítmica e sonora, e começou a rodar o
mundo. Com a espetacular versão de Sérgio Mendes & Brasil 66,
tornou-se um big hit nos Estados Unidos e uma das músicas
brasileiras mais regravadas no mundo. Da diva do jazz Ella Fitzgerald
ao grupo de hip-hop Black Eyed Peas em 2006.
O
tijucano Jorge Ben Jor (Jorge Duílio Lima Menezes, 1942), de remota
origem etíope, cresceu ouvindo samba e também rock and roll, que
seriam amalgamados em seu estilo. No início da carreira, tanto se
apresentava no Beco das Garrafas, em Copacabana, reduto da bossa nova
e do samba-jazz, quanto em bailes de rock nos subúrbios do Rio.
Criticado pela MPB, a partir de 1965 teve lugar cativo no palco da
Jovem Guarda, ao lado de Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa, e, em
seguida, foi abraçado pela Tropicália, que viu nele um instintivo
pioneiro que realizava na prática a síntese musical que eles
propunham e tentavam fazer na teoria.
Apesar
de se dizer “misto de maracatu”, o gênero criado por Jorge se
popularizou, mais apropriadamente, como samba-rock.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
12/04/2019
07/06/2012
Um disco fundamental da MPB
Samba Esquema Novo
1963
Para a maioria dos pesquisadores da música popular brasileira o período
mais importante de nossa história concentra-se entre os anos de 1930 a 1945. É
o que chamam de época de ouro. Sem dúvida que esse foi um dos momentos mais
ricos que tivemos, pois naquele espaço de 15 anos vimos florescer nomes como
Noel Rosa, Ary Barroso, Dorival Caymmi, Carmen Miranda, Orlando Silva, Sílvio
Caldas, Ataulfo Alves, Custódio Mesquita e muitos outros grandes artistas que
marcaram o cancioneiro popular do Brasil. Contudo, um fato importante deve ser
citado com o mesmo destaque, qual seja a grande coincidência que viria também
15 anos depois em 1960, quando o Brasil já demonstrava a maturidade de uma nova
geração de músicos que despontaram nos meados dos anos cinqüenta e que se
juntariam a outros que fariam da década de sessenta mais uma fase de ouro,
fazendo-nos concluir que não tivemos um hiato muito grande de carência musical,
apenas uma fase de adaptação durante os dez primeiros anos do pós-guerra e
depois uma avalanche de novos talentos, que renovariam a música popular
brasileira, e a fariam universal, desta vez de forma definitiva.
Após o advento da Bossa Nova o mercado e as condições históricas
visualizavam um campo extremamente fértil para o surgimento de novos artistas e
novas tendências musicais. Nesse contexto é que surge a figura de Jorge Ben,
cantor e compositor carioca que iria trazer para o público brasileiro um novo
som, um samba estilizado, diferente das concepções bossanovistas, com uma
negritude e um balanço jamais vistos em nossa música popular, onde sua batida
de violão, aliada a uma linha melódica totalmente renovada e moderna mais a
ingenuidade de suas letras revelaram uma nova maneira de interpretar o samba,
que ele chamou de esquema novo, título de seu primeiro LP lançado em 1963.
O destaque maior do disco estava nas canções "Mas que nada", e
"Por causa de você, menina" anteriormente gravadas em um disco 78
rotações com Jorge Ben acompanhado do conjunto Copa 5 formado por, Meireles no
sax, Pedro Paulo no trompete, Toninho no piano, Do Um Romão na Bateria e Manuel
Gusmão no baixo, gravações estas que foram reaproveitadas no LP.
O sucesso foi imediato apesar de alguns críticos acharem as letras
infantis, as harmonias pobres e o violão tocado errado e o que é mais curioso,
eles pensavam que Jorge Ben seria um fenômeno passageiro, contrariando, pois os
"entendidos" no assunto, o disco alcançou em apenas dois meses a
cifra recorde para a época de 100 mil cópias vendidas transformando Jorge Ben
da noite para o dia no maior fenômeno da música popular brasileira e não em
mais um modismo efêmero, fato este que veio a se confirmar com seus discos
posteriores, todos eles com músicas de excelente qualidade e grande apelo
popular.
É importante citar algumas partes do comentário de Armando Pittigliani
na contra-capa do disco: "O samba de Jorge Ben, da batida de seu violão à
linha melódica e letra de suas composições revela um novo caminho nos
horizontes de nossa música popular. É o esquema novo do samba. Reparem que a
harmonia negroide transborda em todos os momentos de sua música (...) Seu inato
talento musical proporcionou-lhe descobrir uma nova puxada para o nosso samba,
fazendo do violão um instrumento, sobretudo, de ritmo. Na sua batida tanto se
destaca o baixo como o desenho rítmico de sua pontuação na maneira toda sua de
tocar. Um exemplo disso é o fato de várias faixas deste disco não contarem com
o contrabaixo na orquestração. Somente o violão de Jorge já da a necessária
marcação dispensando, portanto, aquele instrumento de ritmo. O balanço do
acompanhamento repousa quase sempre no seu violão".
Outra música incluída no disco e que se tornaria em grande sucesso foi
"Chove chuva", um dos clássicos de seu repertório. Em "Por causa
de você, menina", ele inova na letra fazendo menção a Obá (deusa nagô do
amor) e aos santos Sacundin e Sacundém e ainda aos guerreiros Dombim e Dombém,
além de pronunciar a palavra você como "voxê", dando um toque
especial e único à interpretação. Misture, portanto, essas expressões em nagô,
inclua umas inflexões rítmicas influenciadas pelo som "mbira"
rodesiano mais o balanço rítmico de seu violão que temos então a receita
perfeita de realmente um novo som, popular, brasileiro e universal.
Mas a negritude estilizada do som de Jorge Ben e a influencia dos
elementos afro em suas canções vem por ele mesmo traduzida ao afirmar em
"Mas que nada", que "este samba que é misto de maracatu, é samba
de preto velho, samba de preto tu". O LP Samba Esquema Novo contava também
com as músicas, "Tim dom dom", de João Mello, única música não
assinada por Jorge Ben, "Balança pema", "Rosa, menina,
rosa", "Quero esquecer voce", "Ualá ualalá", "Vem
morena", "É só sambar", "A tamba" e "Menina
bonita não chora".
Quando hoje em dia fala-se em renovação na música
popular brasileira, mistura de ritmos e novas experiências sonoras, que invariavelmente
caem na mediocridade ou na mera preocupação de consumo, verificamos ao ouvir
este disco de Jorge Ben, o quanto ainda precisamos aprender a sermos talentosos
e revolucionários sem a necessidade de simplesmente ganhar dinheiro a qualquer
custo, pois o talento é um dom natural que nem todos possuem e que não se vende
barato. Viva seu Jorge Ben ou Benjor, você que já esta com todos os méritos na
galeria dos grandes de nossa canção popular, continue com seu balanço, pois ele
já é eterno. Sacundim, sacundem!
Luiz
Américo Lisboa Junior,
in www.luizamerico.com.br
04/06/2011
Por que é proibido pisar na grama?
Acordei com uma vontade de saber como eu ia
E como ia meu mundo
Descobri que além de ser um anjo eu tenho cinco inimigos
Preciso de uma casa para minha velhice
Porém preciso de dinheiro pra fazer investimentos
Preciso às vezes ser durão
Pois eu sou muito sentimental meu amor
Preciso falar com alguém que precise de alguém
Pra falar também
Preciso mandar um cartão postal para o exterior
Pra meu amigo Big Joney
Preciso falar com aquela menina de rosa
Pois preciso de inspiração
Preciso ver uma vitória do meu time
Se for possível vê-lo campeão
Preciso ter fé em Deus
E me cuidar e olhar minha família
Preciso de carinho pois eu quero ser compreendido
Preciso saber que dia e hora ela passa por aqui
E se ela ainda gosta de mim
Preciso saber urgentemente
Porque é proibido pisar na grama.
E como ia meu mundo
Descobri que além de ser um anjo eu tenho cinco inimigos
Preciso de uma casa para minha velhice
Porém preciso de dinheiro pra fazer investimentos
Preciso às vezes ser durão
Pois eu sou muito sentimental meu amor
Preciso falar com alguém que precise de alguém
Pra falar também
Preciso mandar um cartão postal para o exterior
Pra meu amigo Big Joney
Preciso falar com aquela menina de rosa
Pois preciso de inspiração
Preciso ver uma vitória do meu time
Se for possível vê-lo campeão
Preciso ter fé em Deus
E me cuidar e olhar minha família
Preciso de carinho pois eu quero ser compreendido
Preciso saber que dia e hora ela passa por aqui
E se ela ainda gosta de mim
Preciso saber urgentemente
Porque é proibido pisar na grama.
Composição: Jorge Ben Jor, na voz de Jussara Silveira
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