Mostrando postagens com marcador Zé Keti. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Zé Keti. Mostrar todas as postagens

17/11/2022

Mascarada | Zé Kéti e Elton Medeiros, 1965


Parceria de Zé Kéti e Elton Medeiros, o samba “Mascarada” foi cantado pela primeira vez por Elton Medeiros no álbum Roda de samba, lançado em 1965 pelo conjunto A Voz do Morro. Idealizado e liderado por Zé Kéti, esse supergrupo começou a nascer durante o musical Rosa de Ouro e também contava com Elton e os bambas Paulinho da Viola, Jair do Cavaquinho, Zé Cruz, Anescarzinho e Oscar Bigode. No ano seguinte, Elton voltaria à canção, no álbum Samba na madrugada, que dividiu com Paulinho da Viola, e logo esse belíssimo samba melódico e refinado, com letra que descreve uma típica paixão de carnaval, se tornaria um clássico e seria adotado por muitos outros intérpretes.
Autor da melodia, Elton Medeiros revelou em 2010, numa entrevista para o jornalista Chico Pinheiro no programa Sarau (GloboNews), que, ao entregar a música, alertou o parceiro que se tratava de “um samba que não é samba nem é bossa nova”. Zé Kéti não se intimidou com o samba diferente e escreveu a letra inspirado em experiência própria. Durante o carnaval, participando do desfile do Bloco das Piranhas, tinha se encantado por uma moça que se escondia atrás de uma máscara. Apesar dos flertes e dos amassos, só após o terceiro dia de folia o sambista conseguiu conhecer o rosto da misteriosa musa.
Elton conta que Zé Kéti chegou a apresentá-lo à ex-mascarada, mas o namoro não durou muito, era coisa passageira de carnaval. Ao contrário da arrebatadora canção, que foi gravada por Jair Rodrigues, Beth Carvalho, Zé Renato, Joyce e recebeu uma antológica interpretação de Emílio Santiago, chegando ao século XXI com o sucesso da gravação de Zeca Pagodinho.
O namoro não durou muito, mas, dois anos após lançar “Mascarada”, Zé Kéti voltou a se inspirar no episódio para cantar mais um amor de carnaval e emplacou outro grande sucesso popular com a marcha-rancho “Máscara negra”.

Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil

25/07/2022

A voz do morro | Zé Kéti, 1955


Primeiro grande sucesso do carioca Zé Kéti (José Flores de Jesus, 1921-1999), este samba empolgante foi gravado por Jorge Goulart, com arranjo de Radamés Gnattali, para a trilha sonora do filme Rio 40 graus, e se tornou um hit nacional.
O filme de Nelson Pereira dos Santos, produzido em 1955 e marco fundador do Cinema Novo, em que Zé Kéti também trabalhou como ator, consagrou a canção de melodia arrebatadora, embalando a letra que remete a uma sintética autobiografia do gênero. “Eu sou o samba / A voz do morro sou eu mesmo, sim, senhor…”, anuncia-se nos primeiros versos, para, na segunda estrofe, contrariar as teses e polêmicas sobre sua origem baiana: “Sou natural daqui do Rio de Janeiro.”
Sim, foi decisiva a contribuição dos sambas de roda do Recôncavo Baiano no começo do século XX, mas foi no Rio de Janeiro, a partir do início dos anos 1930, com Noel Rosa, Pixinguinha, Ismael Silva e demais bambas do Estácio, que o samba ganhou o seu formato urbano, distanciando-se do maxixe, do coco, do samba de roda e demais manifestações rurais. Carioca por adoção e formação, por meio do disco e do rádio o samba se espalhou pelo Brasil.
Zé Kéti começou a mostrar seus talentos no início dos anos 1940, no seleto grupo de compositores da poderosa Portela e, antes de emplacar seu primeiro sucesso com “A voz do morro”, teve sambas gravados por Linda Batista, Ciro Monteiro, Jamelão e Garotos da Lua. Em 1962, Zé Kéti começou a subir aos palcos com o grupo que idealizou, homônimo do seu maior sucesso. Uma primeira formação de A Voz do Morro incluiu dois outros grandes mestres, Nelson Cavaquinho e Cartola. A formação que se consolidou um ano depois chegou a gravar um LP, reunindo Zé Kéti, os então garotos Paulinho da Viola e Elton Medeiros, mais Zé Cruz, Anescarzinho e Oscar Bigode.
Além de “A voz do morro”, que décadas depois recebeu uma interpretação luxuosa de Luiz Melodia, Zé Kéti também compôs os clássicos “Opinião”, “Diz que fui por aí” e o belíssimo samba de carnaval “Mascarada”, regravado por Emílio Santiago.
A partir de 1964, quando participou do espetacular sucesso do show Opinião, ao lado da ex-musa da bossa nova que se tornara musa da oposição, Nara Leão (um ano depois substituída por uma baiana de 19 anos, Maria Bethânia), e do maranhense João do Vale, Zé Kéti foi um dos responsáveis pela volta do samba às paradas de sucesso. A voz do morro era ele mesmo, sim senhor.

Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil

11/07/2012

Diz que fui por aí, com Seu Jorge e Luiz Melodia



Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando um violão debaixo do braço
Em qualquer esquina eu paro
Em qualquer botequim eu entro
Se houver motivo
É mais um samba que eu faço
Se quiserem saber se volto
Diga que sim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
Tenho um violão para me acompanhar
Tenho muitos amigos, eu sou popular
Tenho a madrugada como companheira
A saudade me dói, o meu peito me rói
Eu estou na cidade, eu estou na favela
Eu estou por aí
Sempre pensando nela.

Composição: Zé Keti e Hortênsio Rocha