Parceria
de Zé Kéti e Elton Medeiros, o samba “Mascarada” foi cantado
pela primeira vez por Elton Medeiros no álbum Roda de samba,
lançado em 1965 pelo conjunto A Voz do Morro. Idealizado e liderado
por Zé Kéti, esse supergrupo começou a nascer durante o musical
Rosa de Ouro e também contava com Elton e os bambas Paulinho
da Viola, Jair do Cavaquinho, Zé Cruz, Anescarzinho e Oscar Bigode.
No ano seguinte, Elton voltaria à canção, no álbum Samba na
madrugada, que dividiu com Paulinho da Viola, e logo esse
belíssimo samba melódico e refinado, com letra que descreve uma
típica paixão de carnaval, se tornaria um clássico e seria adotado
por muitos outros intérpretes.
Autor
da melodia, Elton Medeiros revelou em 2010, numa entrevista para o
jornalista Chico Pinheiro no programa Sarau (GloboNews), que,
ao entregar a música, alertou o parceiro que se tratava de “um
samba que não é samba nem é bossa nova”. Zé Kéti não se
intimidou com o samba diferente e escreveu a letra inspirado em
experiência própria. Durante o carnaval, participando do desfile do
Bloco das Piranhas, tinha se encantado por uma moça que se escondia
atrás de uma máscara. Apesar dos flertes e dos amassos, só após o
terceiro dia de folia o sambista conseguiu conhecer o rosto da
misteriosa musa.
Elton
conta que Zé Kéti chegou a apresentá-lo à ex-mascarada, mas o
namoro não durou muito, era coisa passageira de carnaval. Ao
contrário da arrebatadora canção, que foi gravada por Jair
Rodrigues, Beth Carvalho, Zé Renato, Joyce e recebeu uma antológica
interpretação de Emílio Santiago, chegando ao século XXI com o
sucesso da gravação de Zeca Pagodinho.
O
namoro não durou muito, mas, dois anos após lançar “Mascarada”,
Zé Kéti voltou a se inspirar no episódio para cantar mais um amor
de carnaval e emplacou outro grande sucesso popular com a
marcha-rancho “Máscara negra”.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil

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