Octopus (1866), de Victor Hugo
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09/06/2025
20/07/2015
Amor posto à prova
“Olho
para o passado com embriaguez,
mas não é com menos deslumbramento que encaro o nosso futuro.
Eis-nos, agora, um do outro para todo o sempre, sem ansiedades, sem
inquietações, sem angústias. Atravessamos
e vencemos tudo o que era mau e que poderia ser fatal. Estamos na
plena posse dos nossos dois destinos fundidos num só. O nosso amor
não terá a frescura dos primeiros tempos, mas é um amor posto à
prova, um amor que conhece a sua força, e que mesmo para além do
túmulo, espera ser infinito. O amor, quando nasce, só vê a vida, o
amor que dura vê a eternidade.”
Victor
Hugo,
in
Carta a Juliette Drouet
20/02/2015
Esperas e lembranças
“Quando esperamos, os
segundos são anos; quando nos lembramos, os anos são segundos.”
Victor Hugo
25/11/2013
Aparência

“O corpo humano é talvez uma simples
aparência, escondendo a nossa realidade, e condensando-se sobre a nossa luz ou
sobre a nossa sombra. A realidade é a alma. A bem dizer, o rosto é uma máscara.
O verdadeiro homem é o que está debaixo do homem. Mais de uma surpresa haveria
se pudesse vê-lo agachado e escondido debaixo da ilusão que se chama carne. O
erro comum é ver no ente exterior um ente real.”
Victor
Hugo, in Os Trabalhadores do Mar
17/09/2013
Diminuir o número dos tenebrosos e aumentar o dos iluminados
“Sois vós um daqueles a quem se chama feliz? Pois
bem, vós estais tristes todos os dias. Cada dia tem uma grande amargura e um
pequeno cuidado. Ontem tremíeis pela saúde de alguém que vos é caro, hoje
receais pela vossa; amanhã será uma inquietação de dinheiro, depois a diatribe
de um caluniador ou a infelicidade de um amigo, mais tarde o mau tempo que faz,
qualquer coisa que se quebrou ou se perdeu, uma vez um prazer que a vossa
consciência e a coluna vertebral reprovam, outra vez a marcha dos negócios
públicos. Isto sem contar as penas de coração. E assim sucessivamente. Uma
nuvem que se dissipa e outra que se forma logo. Apenas um dia em cem de plena
felicidade e cheio de sol. E sois desse pequeno número que é feliz! Quanto aos
outros homens, envolve-os a noite estagnante.
Os espíritos refletidos usam pouco desta locução:
os felizes e os infelizes. Neste mundo, evidentemente vestíbulo de outro, não
há felizes.
A verdadeira divisão humana é esta: os iluminados e
os tenebrosos.
Diminuir o número dos tenebrosos e aumentar o dos
iluminados, eis o fim. É por isso que nós gritamos: ensino, ciência! Aprender a
ler, é alumiar com fogo; toda a sílaba soletrada cintila.
De resto, quem diz luz não diz, necessariamente,
alegria. Também se sofre com a luz; em demasia queima. A chama é inimiga da
asa. Queimar-se sem deixar de voar, é o prodígio do gênio.
Quando conhecerdes
e quando amardes, sofrereis ainda. O dia nasce em lágrimas. Os iluminados
choram quando mais não seja sobre os tenebrosos.”
Victor Hugo, in Os Miseráveis
10/05/2013
A tirania constrange o escritor
“Dos
déspotas provêm, até certo ponto, os pensadores. A palavra acorrentada é
terrível. O escritor duplica e triplica o seu estilo, quando um senhor impõe
silêncio ao povo. Sai desse silêncio certa plenitude misteriosa que se filtra e
se condensa em bronze no pensamento. A compreensão na história produz a
concisão no historiador. A solidez granítica de tal ou tal prosa célebre não é
mais do que um amontoamento feito por um tirano.
A tirania constrange o escritor a
circunscrições de diâmetro, que são alargamentos de força. O período
ciceroniano, apenas suficiente para Verres, sobre Calígula embotar-se-ia.
Quanto menor for a exuberância da frase, maior será a intensidade do golpe.
Sirva de exemplo a concisão de Tácito no exprimir e a sua veemência no pensar.
A honestidade de um grande coração, condensada em justiça e em verdade,
fulmina.”
Victor
Hugo, in Os Miseráveis
04/05/2013
O sucesso ilude os homens
“Abominável coisa é o bom êxito, seja dito de
passagem. A sua falsa parecença com o merecimento ilude os homens. Para o
vulgo, o bom sucesso equivale à supremacia. A vítima dos logros do triunfo,
desse menecma da habilidade, é a história. Só Tácito e Juvenal se lhe opõem.
Existe na época e sente uma filosofia quase oficial, que envergou a libré do bom
êxito e lhe faz o serviço da antecâmara. Fazei por serdes bem sucedido, é a
teoria. Prosperidade supõe capacidade. Ganhai na lotaria, sereis um homem
hábil. Quem triunfa é venerado. Nascei bem-fadado, não queirais mais nada.
Tende fortuna, que o resto por si virá; sede feliz, julgar-vos-ão grande. Se
pusermos de parte as cinco ou seis exceções imensas que fazem o esplendor de um
século, a admiração contemporânea é apenas miopia. Duradora é ouro. Pouco
importa que não sejais ninguém, contanto que consigais alguma coisa.
O vulgo é um
narciso velho, que se idolatra a si próprio e aplaude o vulgar. A faculdade sublime de ser
Moisés, Esquilo, Dante, Miguel Ângelo ou Napoleão, decreta-a a multidão
indistintamente e por unanimidade a quem atinge o alvo que se propôs, seja no
que for. Que um tabelião se transforme em deputado; que um falso Corneille
componha Tiridates; que um eunuco chegue a possuir um harém; que um
Prudhomme militar ganhe por casualidade a batalha decisiva de uma época; que um
boticário invente solas de papelão para o exército de Samba e Mosa, e,
vendendo-as por couro, consiga arranjar uma fortuna de quatrocentos mil francos
de rendimento; que qualquer pobretão case com a usura e a faça parir sete ou
oito milhões, de que ele é pai e ela mãe; que qualquer pregador arranje a ser
bispo, à força de falar pelo nariz; que o mordomo de qualquer casa grande saia
dela tão rico, que obtenha a pasta das Finanças, os homens chamam a isso Gênio,
do mesmo modo que chamam Beleza à cara de Mousqueton e Majestade à aparência de
Cláudio. Confundem com as constelações do abismo as estrelas que os gansos
imprimem com as patas na superfície mole do lodaçal.”
Victor Hugo, in Os Miseráveis
31/01/2013
Falar a si mesmo
“É certo que o homem fala a si mesmo; não
há um único ser racional que o não tenha experimentado. Pode-se até dizer que o
mistério do Verbo nunca é mais magnífico do que quando, no interior do homem,
vai do pensamento à consciência, e volta da consciência ao pensamento. (...)
Diz, fala, exclama cada um consigo mesmo, sem que seja quebrado o silêncio
exterior. Há um grande tumulto; tudo fala em nós, exceto a boca. As realidades
da alma, por não serem visíveis e palpáveis, nem por isso deixam de ser também
realidades.”
Victor
Hugo, in Os Miseráveis
12/12/2012
Diminuir o número dos tenebrosos e aumentar o dos iluminados
“Sois
vós um daqueles a quem se chama feliz? Pois bem, vós estais tristes todos os
dias. Cada dia tem uma grande amargura e um pequeno cuidado. Ontem tremíeis
pela saúde de alguém que vos é caro, hoje receais pela vossa; amanhã será uma
inquietação de dinheiro, depois a diatribe de um caluniador ou a infelicidade
de um amigo, mais tarde o mau tempo que faz, qualquer coisa que se quebrou ou
se perdeu, uma vez um prazer que a vossa consciência e a coluna vertebral
reprovam, outra vez a marcha dos negócios públicos. Isto sem contar as penas de
coração. E assim sucessivamente. Uma nuvem que se dissipa e outra que se forma
logo. Apenas um dia em cem de plena felicidade e cheio de sol. E sois desse
pequeno número que é feliz! Quanto aos outros homens, envolve-os a noite
estagnante.
Os
espíritos refletidos usam pouco desta locução: os felizes e os infelizes. Neste
mundo, evidentemente vestíbulo de outro, não há felizes.
A verdadeira divisão humana é esta: os iluminados e os tenebrosos.Diminuir o número dos tenebrosos e aumentar o dos iluminados, eis o fim. É por
isso que nós gritamos: ensino, ciência! Aprender a ler, é alumiar com fogo;
toda a sílaba soletrada cintila.
De
resto, quem diz luz não diz, necessariamente, alegria. Também se sofre com a
luz; em demasia queima. A chama é inimiga da asa. Queimar-se sem deixar de
voar, é o prodígio do gênio.
Quando conhecerdes e quando amardes,
sofrereis ainda. O dia nasce em lágrimas. Os iluminados choram quando mais não
seja sobre os tenebrosos.”
Victor
Hugo, in Os Miseráveis
08/11/2012
O poder da concisão
“Dos
déspotas provêm, até certo ponto, os pensadores. A palavra acorrentada é
terrível. O escritor duplica e triplica o seu estilo, quando um senhor impõe
silêncio ao povo. Sai desse silêncio certa plenitude misteriosa que se filtra e
se condensa em bronze no pensamento. A compreensão na história produz a
concisão no historiador. A solidez granítica de tal ou tal prosa célebre não é
mais do que um amontoamento feito por um tirano.
A tirania constrange o escritor a
circunscrições de diâmetro, que são alargamentos de força. O período
ciceroniano, apenas suficiente para Verres, sobre Calígula embotar-se-ia.
Quanto menor for a exuberância da frase, maior será a intensidade do golpe.
Sirva de exemplo a concisão de Tácito no exprimir e a sua veemência no pensar.
A honestidade de um grande coração, condensada em justiça e em verdade,
fulmina.”
Victor
Hugo, in Os Miseráveis
12/08/2012
Os iluminados e os tenebrosos
Sois
vós um daqueles a quem se chama feliz? Pois bem, vós estais tristes todos os
dias. Cada dia tem uma grande amargura e um pequeno cuidado. Ontem tremíeis
pela saúde de alguém que vos é caro, hoje receais pela vossa; amanhã será uma
inquietação de dinheiro, depois a diatribe de um caluniador ou a infelicidade
de um amigo, mais tarde o mau tempo que faz, qualquer coisa que se quebrou ou
se perdeu, uma vez um prazer que a vossa consciência e a coluna vertebral
reprovam, outra vez a marcha dos negócios públicos. Isto sem contar as penas de
coração. E assim sucessivamente. Uma nuvem que se dissipa e outra que se forma
logo. Apenas um dia em cem de plena felicidade e cheio de sol. E sois desse
pequeno número que é feliz! Quanto aos outros homens, envolve-os a noite
estagnante.
Os
espíritos refletidos usam pouco desta locução: os felizes e os infelizes. Neste
mundo, evidentemente vestíbulo de outro, não há felizes. A verdadeira divisão humana é esta: os iluminados e os tenebrosos.
Diminuir
o número dos tenebrosos e aumentar o dos iluminados, eis o fim. É por isso que
nós gritamos: ensino, ciência! Aprender a ler, é alumiar com fogo; toda a
sílaba soletrada cintila. De resto, quem diz luz não diz, necessariamente,
alegria. Também se sofre com a luz; em demasia queima. A chama é inimiga da
asa. Queimar-se sem deixar de voar, é o prodígio do gênio.
Quando conhecerdes e quando amardes,
sofrereis ainda. O dia nasce em lágrimas. Os iluminados choram quando mais não
seja sobre os tenebrosos.
Victor
Hugo, in Os Miseráveis
12/07/2012
Penetrar na consciência dos outros
“Na verdade, se nos
fosse dado penetrar com os olhos da carne na consciência dos outros,
julgaríamos com mais segurança um homem pelo que devaneia do que pelo que
pensa. O pensamento é dominado pela vontade, o devaneio não. O devaneio, que é absolutamente
espontâneo, toma e conserva, mesmo no gigantesco e no ideal, a figura do nosso
espírito. Não há coisa que mais direta e profundamente saia da nossa alma do que
as nossas aspirações irrefletidas e desmesuradas para os esplendores do
destino. Nestas aspirações é que se pode descobrir o verdadeiro caráter de cada
homem, melhor do que nas ideias compostas, coordenadas e
discutidas. As nossas quimeras são o que melhor nos parece.
Cada qual devaneia o incógnito e o impossível, conforme a sua natureza”.
Victor
Hugo, in Os Miseráveis
09/07/2012
31/01/2012
A verdadeira divisão humana
“Sois vós um daqueles a quem se chama feliz? Pois bem, vós estais tristes todos os dias. Cada dia tem uma grande amargura e um pequeno cuidado. Ontem tremíeis pela saúde de alguém que vos é caro, hoje receais pela vossa; amanhã será uma inquietação de dinheiro, depois a diatribe de um caluniador ou a infelicidade de um amigo, mais tarde o mau tempo que faz, qualquer coisa que se quebrou ou se perdeu, uma vez um prazer que a vossa consciência e a coluna vertebral reprovam, outra vez a marcha dos negócios públicos. Isto sem contar as penas de coração. E assim sucessivamente. Uma nuvem que se dissipa e outra que se forma logo. Apenas um dia em cem de plena felicidade e cheio de sol. E sois desse pequeno número que é feliz! Quanto aos outros homens, envolve-os a noite estagnante.
Os espíritos refletidos usam pouco desta locução: os felizes e os infelizes. Neste mundo, evidentemente vestíbulo de outro, não há felizes.
A verdadeira divisão humana é esta: os iluminados e os tenebrosos.
Diminuir o número dos tenebrosos e aumentar o dos iluminados, eis o fim. É por isso que nós gritamos: ensino, ciência! Aprender a ler, é alumiar com fogo; toda a sílaba soletrada cintila.
De resto, quem diz luz não diz, necessariamente, alegria. Também se sofre com a luz; em demasia queima. A chama é inimiga da asa. Queimar-se sem deixar de voar, é o prodígio do gênio.
Quando conhecerdes e quando amardes, sofrereis ainda. O dia nasce em lágrimas. Os iluminados choram quando mais não seja sobre os tenebrosos.”
Victor Hugo, in Os Miseráveis
12/07/2011
10/05/2011
De quem a culpa?
- Tu fostes incendiar a Biblioteca?
- Sim, queimei-a".
- Sim, queimei-a".
- Mas é um crime inaudito e ruim,
Que mesmo contra ti, infame, praticaste!
A luz que a tua alma aclara, intrépido, apagaste!
É a tua própria luz que acabas de soprar.
Isso que teu ódio ímpio e louco ousa queimar
é teu bem, teu tesouro, a herança da tua alma.
O livro te protege, instrui, anima e acalma.
O livro toma sempre a tua defensiva.
Vale uma biblioteca o ato de fé, que agora,
Cada uma geração, nos livros rediviva,
Presta: é a noite rendendo um testemunho à aurora.
Oh! Nesse venerando acervo de verdade,
Nessas obras geniais jorrando claridades,
Tumba da antiguidade erguida em repertório,
Nos séculos de luz, nesse genuflexório,
No passado, lição que soletra o porvir,
Nisso que se criou para não se extinguir,
Nos poetas, nos heróis, belos, imarcescíveis,
Na ruma divinal dos Ésquilos terríveis,
Dos Homeros, dos Jobs, de pé sobre o arrebol,
Em Moliére, em Voltaire e Kant, à luz do sol,
Ímpio! Foste chegar uma tocha inflamada!
Todo o espírito humano em cinza, em fumarada!
Esqueceste que o livro é teu libertador?
Que mesmo contra ti, infame, praticaste!
A luz que a tua alma aclara, intrépido, apagaste!
É a tua própria luz que acabas de soprar.
Isso que teu ódio ímpio e louco ousa queimar
é teu bem, teu tesouro, a herança da tua alma.
O livro te protege, instrui, anima e acalma.
O livro toma sempre a tua defensiva.
Vale uma biblioteca o ato de fé, que agora,
Cada uma geração, nos livros rediviva,
Presta: é a noite rendendo um testemunho à aurora.
Oh! Nesse venerando acervo de verdade,
Nessas obras geniais jorrando claridades,
Tumba da antiguidade erguida em repertório,
Nos séculos de luz, nesse genuflexório,
No passado, lição que soletra o porvir,
Nisso que se criou para não se extinguir,
Nos poetas, nos heróis, belos, imarcescíveis,
Na ruma divinal dos Ésquilos terríveis,
Dos Homeros, dos Jobs, de pé sobre o arrebol,
Em Moliére, em Voltaire e Kant, à luz do sol,
Ímpio! Foste chegar uma tocha inflamada!
Todo o espírito humano em cinza, em fumarada!
Esqueceste que o livro é teu libertador?
Lá na altura ele está, como altivo condor:
Brilha. Porque ele brilha é que nos ilumina;
Destrói o cadafalso, a miséria, a chacina.
Ele fala, e nos diz: - Nada de escravo ou pária.
Abre um livro, vai ler: - Platão, Milton, Beccaria,
Esses profetas: - Dante, e Corneille e Shakespeare;
A alma imensa que têm, em ti sentes surgir;
Lendo-os, sentes-te igual a eles todos, altivo;
Lendo, tornas-te meigo, austero e pensativo.
Eles, em tua mente, aumentam de grandeza.
À escuridão de um claustro a alva vem dar clareza.
À proporção que ele entra e afunda em tua mente,
tornas-te mais feliz, tornas-te mais vivente.
Tua alma torna-se apta, a arguida, responder.
Reconheces-te bom e sentes derreter
como a neve ao calor, a vaidade sombria,
O mal, o preconceito, o dogma, a tirania!
Pois, no homem o saber é o que chega primeiro;
Depois a liberdade. Esta divina luz
É tua, e foste tu que, de pronto, a apagaste.
O livro atinge os fins que tu próprio sonhaste.
Entra em teu pensamento e solta e desenleia
Os grilhões com que o erro, a verdade aperreia.
A consciência é um nó górdio horrível, que asfixia.
O livro é teu guardião, teu médico, teu guia.
Tua raiva, ele acalma, e tira-te a demência.
Eis o que perdes, tu, por tua intransigência.
O livro é teu tesouro; é a riqueza, é o saber,
O direito, a verdade, a virtude, o dever,
A razão, aclarando a tua inteligência.
E tu queimaste tudo, infame!...
- Eu não sei ler!
Brilha. Porque ele brilha é que nos ilumina;
Destrói o cadafalso, a miséria, a chacina.
Ele fala, e nos diz: - Nada de escravo ou pária.
Abre um livro, vai ler: - Platão, Milton, Beccaria,
Esses profetas: - Dante, e Corneille e Shakespeare;
A alma imensa que têm, em ti sentes surgir;
Lendo-os, sentes-te igual a eles todos, altivo;
Lendo, tornas-te meigo, austero e pensativo.
Eles, em tua mente, aumentam de grandeza.
À escuridão de um claustro a alva vem dar clareza.
À proporção que ele entra e afunda em tua mente,
tornas-te mais feliz, tornas-te mais vivente.
Tua alma torna-se apta, a arguida, responder.
Reconheces-te bom e sentes derreter
como a neve ao calor, a vaidade sombria,
O mal, o preconceito, o dogma, a tirania!
Pois, no homem o saber é o que chega primeiro;
Depois a liberdade. Esta divina luz
É tua, e foste tu que, de pronto, a apagaste.
O livro atinge os fins que tu próprio sonhaste.
Entra em teu pensamento e solta e desenleia
Os grilhões com que o erro, a verdade aperreia.
A consciência é um nó górdio horrível, que asfixia.
O livro é teu guardião, teu médico, teu guia.
Tua raiva, ele acalma, e tira-te a demência.
Eis o que perdes, tu, por tua intransigência.
O livro é teu tesouro; é a riqueza, é o saber,
O direito, a verdade, a virtude, o dever,
A razão, aclarando a tua inteligência.
E tu queimaste tudo, infame!...
- Eu não sei ler!
Victor Hugo
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