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06/01/2012

Meninos, eu (ou)vi: Sem Palavras

Assisti ontem ao espetáculo teatral Sem Palavras, com os artistas Maxson Ariton e Antônio Marcos, dirigido por Dionísio do Apodi, na residência do artista plástico e poeta Rogério Dias. Posso afirmar, com palavras: belo, comovente, criativo. Bravo, bravíssimo.
A iniciativa de O Pessoal do Tarará, grupo teatral mossoroense, com esse Teatro em Domicílio, é aproximar, de forma mais íntima, no aconchego do lar, o público com o espetáculo, com os artistas.
Nessa primeira fase do projeto, temos os espetáculos Sem Palavras e Aurora Boreal.
Que venha em breve outras apresentações! Segue meus flagrantes.

Rogério agradecendo por estar recebendo em sua residência a 1ª apresentação

Dionísio Explicando ao privilegiado público a iniciativa do projeto

Maxson Ariton e Antonio Marcos









22/10/2011

Meninos, eu (ou)vi!









Ontem, quando o Trem da Poesia passou, os trilhos reverberaram música e poesia, sensibilizando a todos. Uma noite memorável! A banda Negantonho, com um belíssimo repertório, antecedeu a Khrystal, que encantou com sua diversidade musical, notadamente com raízes nordestinas. Uma justa homenagem aos poetas, e a Eliseu Ventania, Rogério Dias e Antônio Francisco, que,  para o deleite da plateia, declamou diversos poemas.

04/08/2011

Esselentíssimo Juiz

Ao transitar pelos corredores do fórum, o advogado (e professor) foi chamado por um dos juízes:
- Olha só que erro ortográfico grosseiro temos nesta petição.
Estampado logo na primeira linha do petitório lia-se: "Esselentíssimo Juiz".
Gargalhando, o magistrado lhe perguntou :
- Por acaso esse advogado foi seu aluno na Faculdade?
- Foi sim - reconheceu o mestre. Mas onde está o erro ortográfico a que o senhor se refere?
O juiz pareceu surpreso:
- Ora, meu caro, acaso você não sabe como se escreve a palavra Excelentíssimo?
Então explicou o catedrático:
- Acredito que a expressão pode significar duas coisas diferentes.
Se o colega desejava se referir a excelência dos seus serviços, o erro ortográfico efetivamente é grosseiro. Entretanto, se fazia alusão à morosidade da prestação jurisdicional, o equívoco reside apenas na junção inapropriada de duas palavras.
O certo então seria dizer: "Esse lentíssimo juiz".
Depois disso, aquele magistrado nunca mais aceitou o tratamento de "Excelentíssimo Juiz", sem antes perguntar:
- Devo receber a expressão como extremo de excelência ou como superlativo de lento? 

“Causo” enviado por Rogério Dias.

22/05/2011

Desolação

Venho do abrigo
Da desolação,
De casa sem teto,
Do sítio sem chão.

Nasci numa terra
Onde não tem água.
Tem bicho morrendo,
Tem homens com mágoa.

Na minha varanda
Secas folhas soltas,
Espinhos nos pés
Com dor que treslouca.

Quando a noite chega,
O corpo só treme;
Um dia de fome,
A mente só geme.

O sonho de estio
Só faz ressecar
Os lábios da gente,
A terra rachar.

Alguém escreveu
Que o homem matuto
É antes de tudo
Um forte, um bruto.

Um ano inteiro
A chuva a esperar,
Destoca o roçadop
Pra terra lavrar.

As águas que chegam
Não dão pra molhar
A boca tão seca
De tanto rezar.

A rotina da vida
É só esperança.
O inverno que passa
É a triste lembrança.

Voltando ao abrigo
Da desolação,
Do piso já úmido
Das lágrimas no chão.

Rogério Dias, poeta e artista plástico mossoroense.



22/04/2011

Sagrados Segredos

A mala que guarda sagrados segredos
Os livros, brinquedos, as traças, cupim
As velhas cantigas de vozes em coro
Lembranças alegres de tempos sem fim.

Crianças libertas de vis preconceitos
Nem pensam direito, sem rumo, é assim
Mas andam felizes sorrindo por vento
Cantando e brincando sem tempo ruim.

Saudades dos banhos, nos rios e lagos
Nadando e brincando, pescando anequim
Sussurros e gritos vagueiam nos ventos

Riscando as escritas do meu folhetim
Estórias e sonhos guardados na mente
Deslizam no tempo, deixadas por mim.

Rogério Dias, escritor mossoroense

03/04/2011

Poema/Canção*

Grão
Poema: Rogério Dias
Música: Elilson Batista


    Am7     Am7/G    Dm7
Diminuto, pequenino
    G/F       G7       C7M/9
Areia, minúsculo grão
         F7+               Bm7/5-
Carregado pelo Vento
          E7            Am7
Rastejando pelo chão.


             Am7/G           Dm7
Migrando de Gado Bravo,
          G/F           G7     C7M/9
Às praias de qualquer porto,
           F7+             Bm7/5-
O grãozinho vai rolando
             E7                Am7
À procura do seu horto.


          Am/G               Dm7
Passa em terrenos baldios,
               G/F  G7   C7M/9
Sobe morro, desce chão
            F7+                   Bm7/5-
As correntes não dão trégua
            E7                 Am7
Nem sequer na escuridão.


           Am7/G              Dm7
Corre por cima do asfalto,
      G/F  G7        C7M/9
Atravessa contramão,
          F7+         Bm7/5-
Entra no acostamento,
         E7               Am7
Do outro lado, sertão.


       Am7/G        Dm7
As teimosas ventanias
       G/F    G7      C7M/9
Açoitam o nosso grão
        F7+             Bm7/5-
Atravessando caatingas,
              E7            Am7
Veredas do meu rincão.


          Am7/G            Dm7
O grãozinho sem destino
       G/F  G7     C7M/9
Um dia pode parar,
          F7+                  Bm7/5-
Se juntar a ferro e cimento
                 E7            Am7
Numa construção morar.


*Do livro de poemas Êxtase da Omissão, de Rogério Dias.
Coleção Mossoroense, setembro de 2005.