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11/12/2011

Uma montanha russa para percorrer a pé

Já imaginou uma montanha russa feita para ser utilizada a pé? Os alemães Heike Mutter e Ulrich Genth não somente pensaram nisso, como executaram a escultura na Alemanha. A ideia é realmente paradoxal. Montanhas russas estão intimamente ligadas às altas velocidades, enquanto o andar a pé está ligado às velocidades mais baixas. Foi desse contraste que surgiu seu nome: Tiger and Turtle, ou seja, tigre e tartaruga.
O local escolhido para a implantação foi o pico mais alto do parque Heinrich-Hildebrand-Höhe, na cidade de Duisburg. Um ponto realmente estratégico, já que de longe é possível visualizar as curvas como uma assinatura apoiada sobre o monte, trazendo imediatamente à mente a idéia de dinâmica e velocidade.
Entretanto, ao aproximarmo-nos da Tiger and Turtle, é surpreendente a descoberta de que ela é toda feita de escadas. As curvas são caminhos cheios de escadarias feitas para serem percorridos a pé. O visitante vai subindo, até ser guiado ao ponto mais alto, a 45 metros de altura, de onde pode desfrutar de uma maravilhosa vista da região do Ruhr.
A montanha russa é uma das várias instalações site-specific criadas por Heike e Ulrich. Ou seja, a escultura foi concebida apresentando uma profunda relação com aquele lugar. A Tiger and Turtle traduz uma posição crítica em relação à velocidade com a qual as mudanças vêm sendo implantadas na região da cidade de Duisbug, que fica a apenas 30 minutos de Düsseldorf. E nos leva a estender essa postura crítica para a dialética das altas e baixas velocidades dos acontecimentos cotidianos.
Com uma base de 44 por 37 metros, é a maior escultura da Alemanha, além de ser uma obra prima da engenharia. Seus contornos oferecem uma forma diferente a cada ponto de vista, não aceitando, como obra de arte, uma interpretação definida.
A pergunta que se faz após observar as imagens da Tiger and Turtle é: como acessar o loop a pé? Será necessária uma visita para averiguar a questão (esta montanha russa foi aberta ao público no dia 13 de novembro de 2011).

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Izabela Americano, in www.obviuosmag.org

04/10/2011

Goethe, o brasileiro

O escritor e pesquisador alemão Sylk Schneider, autor de “Viagem de Goethe ao Brasil”, fala da relação, quase obsessão, entre o canônico poeta alemão e o “país grandioso”.
Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) é visto como o maior poeta da língua alemã. Stefan Zweig, que viveu 100 anos mais tarde, assim o definiu: “Goethe... o homem que a Alemanha, que a Europa vê como o mais sábio dos sábios, o mais maduro e esclarecido espírito do século 19...”. Goethe não foi só poeta, dramaturgo, diretor de teatro, ministro e homem de Estado. Goethe atuou em várias áreas do saber humano. Ao lado de suas poesias, dramas e prosa, é autor de tratados tão distintos como arte, mineralogia, botânica, ótica, granito, Aristóteles, Júlio César, arquitetura alemã, arte da Antiguidade. Sua biografia é amplamente conhecida graças aos seus minuciosos diários e milhares de documentos particulares arquivados na Anna-Amalia-Bibliothek de Weimar, cidade onde viveu a maior parte de sua vida. Há porém um detalhe na vida deste homem que, mesmo entre os seus admiradores alemães, é pouco conhecido. Goethe foi um grande admirador do Brasil. O primeiro registro em seu diário sobre o Brasil encontra-se no dia 8 de dezembro de 1802 e o último em 31 de setembro de 1831. São pequenas anotações mas que dão ao estudioso informações sobre o vasto campo de interesse de Goethe sobre o Brasil bem como o seu diversificado contato com outros cientistas e naturalistas que, na época, estudavam a flora, a fauna e as riquezas geológicas do país que na Europa, na época de Goethe, ainda eram desconhecidas. Tão acentuado foi o interesse de Goethe pelo Brasil que outros naturalistas, referindo-se a ele, chamavam-no de “Goethe, o Brasileiro”.
O acadêmico alemão Sylk Schneider (foto) interessou-se por este detalhe da vida de Goethe. Pesquisou nos arquivos da Anna-Amália Bibliothek e várias outras instituições. Publicou os resultados de suas investigações em um livro lançado na Alemanha com título enigmático: “Viagem de Goethe ao Brasil — Viagem Imaginária de um Gênio”.
Edgar  Welzel, in Revista Bula