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30/10/2011

A essência do fanatismo

“A essência do fanatismo consiste em considerar determinado problema como tão importante que ultrapasse qualquer outro. Os bizantinos, nos dias que precederam a conquista turca, entendiam ser mais importante evitar o uso do pão ázimo na comunhão do que salvar Constantinopla para a cristandade. Muitos habitantes da península indiana estão dispostos a precipitar o seu país na ruína por divergirem numa questão importante: saber se o pecado mais detestável consiste em comer carne de porco ou de vaca. Os reacionários americanos prefeririam perder a próxima guerra do que empregar nas investigações atómicas qualquer indivíduo cujo primo em segundo grau tivesse encontrado um comunista nalguma região. Durante a Primeira Guerra Mundial, os escoceses sabatários, a despeito da escassez de víveres provocada pela atividade dos submarinos alemães, protestavam contra a plantação de batatas ao domingo e diziam que a cólera divina, devido a esse pecado, explicava os nossos malogros militares. Os que opõem objecções teológicas à limitação dos nascimentos, consentem que a fome, a miséria e a guerra persistam até ao fim dos tempos porque não podem esquecer um texto, mal interpretado, do Gênese. Os partidários entusiastas do comunismo, tal como os seus maiores inimigos, preferem ver a raça humana exterminada pela radioatividade do que chegar a um compromisso com o mal - capitalismo ou comunismo segundo o caso. Tudo isto são exemplos de fanatismo.
Em cada comunidade há certo número de fanáticos por temperamento. Alguns desses fanáticos são essencialmente inofensivos e os outros não fazem mal enquanto os seus partidários forem pouco numerosos ou estiverem afastados do poder. Os amish na Pensilvânia pensam que é mau usar botões; isto é completamente inofensivo, salvo na medida em que revela um estado de espírito absurdo. Alguns protestantes extremistas gostariam de ressuscitar a perseguição aos católicos; essas pessoas só serão inofensivas enquanto forem em pequeno número. Para que o fanatismo se torne uma ameaça séria é preciso que possua bastantes partidários para pôr a paz em perigo, internamente por meio de uma guerra civil ou externamente por uma cruzada; ou quando, sem guerra civil, estabeleça uma Lei dos Santos que implique a perseguição e a estagnação mental. No passado, o melhor exemplo da história é o reinado da Igreja desde o século IV ao século XVI. (...) Para curar o fanatismo - salvo nas aberrações raras dos indivíduos excêntricos - são necessárias três condições: segurança, prosperidade e educação liberal. 

Bertrand Russell, in A Última Oportunidade do Homem

12/10/2011

“O truque da filosofia é começar por algo tão simples que ninguém ache digno de nota e terminar por algo tão complexo que ninguém entenda”.
  Bertrand Russel
  

11/09/2011

07/09/2011

“Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade”.
Bertrand Russell

10/07/2011


            "Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade".
Bertrand Russel


20/06/2011

“Os Políticos não encontram atrativo algum numa opinião que não se presta a perorações partidárias, e os mortais comuns preferem opiniões que atribuem a desgraça às manobras dos inimigos. Consequentemente, o povo luta contra e a favor de medidas inteiramente irrelevantes, enquanto que os poucos que têm opinião racional não se podem fazer ouvir porque não alimentam as paixões de ninguém”.
Bertrand Russel, in Ensaios Céticos

16/06/2011

“Vêem-se pessoas de idade oprimidas pelo medo da morte. Entre os jovens, tal sentimento é justificado, pois temendo com justa razão serem mortos na guerra têm o direito de se amargurarem, ao pensamento de frustração, diante de que a vida pode oferecer de melhor. Mas, no homem velho, que conheceu as alegrias e os sofrimentos humanos, e realizou sua obra de acordo com as próprias possibilidades, o medo da morte parece um tanto abjeto e ignóbil. A melhor maneira de superá-lo, ao menos pelo que me parece, consiste em alargar progressivamente seus centros de interesse, recuando aos poucos as fronteiras do eu, até confundir sua vida pessoal com a vida universal. Uma existência individual é como um rio, pequeno em sua nascente, a correr estreitamente entre as margens, precipitando-se nos rochedos, recaindo em cascatas. Devagar, o rio se alarga, as margens desaparecem, as águas se acalmam e, no fim, sem ruptura aparente, elas se confundem com o mar e perdem insensivelmente a existência própria. Aquele que, na velhice, pode encarar assim o seu destino, não temerá a morte, porquanto sua obra será continuada. E, ao aumentar sua fraqueza, o pensamento do repouso ser-lhe-á suave. Eu gostaria de morrer no trabalho, sabendo que outros tentarão alcançar o mesmo objetivo que busquei, satisfeito com a idéia de que foi realizado o que era humanamente possível”.
Bertrand Russel, in A Arte de Envelhecer

05/06/2011

“Posso haver-me enganado na minha concepção de verdade pura, mas não estava errado ao crer que ela existe e merece ser obedecida. Talvez tenha imaginado o caminho para um mundo livre e feliz mais curto do que é na realidade, no entanto, não estava errado em pensar que esse mundo pode existir e que a vida vale a pena ser vivida, se se deseja penetrar nela um dia. Passei a vida em busca de uma visão, ao mesmo tempo pessoal e social. Pessoal, ao procurar o que é belo, elevado e nobre, agindo de modo a que os momentos de intuição enriquecessem com sua mensagem as horas menos significativas. Minha visão social permitiu-me imaginar uma sociedade onde os seres vivem livremente e onde o ódio, a inveja e a cobiça se extinguirão, por não serem estimulados. Tudo isso é o que penso. E o mundo, com todos os seus horrores, não conseguiu abalar as minhas convicções”.
Bertrand Russel, in Retratos da Memória  

28/05/2011

“Os homens que gostam de administrar acham que é bom para o povo ser tratado como um rebanho de ovelhas, os que gostam do fumo dizem que acalmam os nervos, e os que apreciam o álcool afirmam que aguça o tino. A parcialidade assim criada falsifica o julgamento dos homens em relação aos fatos, de modo muito difícil de evitar”.
Bertrand Russel

20/04/2011

 “Os cientistas se esforçam para tornar possível o impossível. Os políticos, por fazer o possível, impossível”.
  Bertrand Russel  

11/04/2011

“Quando pensamos na humanidade, pensamos primariamente em nós mesmos como expoentes; por isso pensamos bem dela e consideramos importante sua conservação”.
                             Bertrand Russel

01/04/2011

A Arte de Envelhecer

“Vêem-se pessoas de idade oprimidas pelo medo da morte. Entre os jovens, tal sentimento é justificado, pois temendo com justa razão serem mortos na guerra têm o direito de se amargurarem, ao pensamento de frustração, diante de que a vida pode oferecer de melhor. Mas, no homem velho, que conheceu as alegrias e os sofrimentos humanos, e realizou sua obra de acordo com as próprias possibilidades, o medo da morte parece um tanto abjeto e ignóbil. A melhor maneira de superá-lo, ao menos pelo que me parece, consiste em alargar progressivamente seus centros de interesse, recuando aos poucos as fronteiras do eu, até confundir sua vida pessoal com a vida universal. Uma existência individual é como um rio, pequeno em sua nascente, a correr estreitamente entre as margens, precipitando-se nos rochedos, recaindo em cascatas. Devagar, o rio se alarga, as margens desaparecem, as águas se acalmam e, no fim, sem ruptura aparente, elas se confundem com o mar e perdem insensivelmente a existência própria. Aquele que, na velhice, pode encarar assim o seu destino, não temerá a morte, porquanto sua obra será continuada. E, ao aumentar sua fraqueza, o pensamento do repouso ser-lhe-á suave. Eu gostaria de morrer no trabalho, sabendo que outros tentarão alcançar o mesmo objetivo que busquei, satisfeito com a idéia de que foi realizado o que era humanamente possível”.
                          Bertrand Russel

31/03/2011

Homem: Pó

“No mundo visível, a Via Láctea é um minúsculo fragmento; dentro desse fragmento, o sistema solar é uma poeirinha infinitesimal, e dessa poeira o nosso planeta é um grão microscópico. Sobre esse grão, insignificantes conglomerados de carvão e água impura, de complicada estrutura, com propriedades físicas e químicas um tanto fora do comum, rastejam durante alguns anos, até se dissolverem de novo nos elementos que os compõem”.
                         Bertrand Russel