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24/11/2023

Eu com duas damas vim

Mote: A mais formosa, que Deus.

Eu com duas Damas vim
de uma certa romaria,
uma feia em demasia,
sendo a outra um Serafim:
e vendo-as eu ir assim
sós, e sem amantes seus,
lhes perguntei, Anjos meus,
que vos pôs em tal estado?
a feia diz, que o pecado,
A mais formosa, que Deus.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

29/10/2023

Pretende agora (posto que em vão) desenganar aos sebastianistas, que aplicavam o dito cometa à vinda do encoberto.

Estamos em noventa era esperada
De todo o Portugal, e mais conquistas,
Bom ano para tantos Bestianistas,
Melhor para iludir tanta burrada.

Vê-se uma estrela pálida, e barbada,
E deduzem agora astrologistas
A vinda de um Rei morto pelas listas,
Que não sendo dos Magos é estrelada.

Oh quem a um Bestianista pergunta,
Com que razão, ou fundamento, espera
Um Rei, que em guerra d’África acabara?

E se com Deus me dá; eu lhe dissera,
Se o quis restituir, não o matara,
E se o não quis matar, não o escondera.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

13/10/2023

A uma dama, que se recatava de pagar finezas

1

Filena: eu que mal vos fiz,
que sempre a matar-me andais,
uma vez, quando me olhais,
outra quando me fugis:
vi-vos, e logo vos quis
tão inseparavelmente,
que nem a vista ao presente
ao menos sabe dizer-me,
entre ver-vos, e render-me
qual foi primeiro acidente.

2

Vós sois tão esquiva, e tal,
que outras cousas não sabendo,
da vossa esquivança entendo,
que o meu amor me fez mal:
não cabe em meu natural
fugir, de quem me maltrata,
e se me sai tão barata
a vingança de querer-vos,
quero amar-vos, e sofrer-vos,
porque fiqueis mais ingrata.

3

Não sinto esta pena atroz,
que me fazeis padecer,
antes folgo de morrer,
vendo, que morro por vós:
e se com passo veloz
vejo a morte já chegar,
não sinto ver-me acabar,
sinto a glória, que vos cresce,
que uma ingrata não merece
a glória de me matar.

4

Vivam vossas esquivanças,
e vossa crueldade viva,
que a sem razão de uma esquiva
acredita as esperanças:
tudo tem certas mudanças,
também se muda o rigor,
e se Amor me dá valor
para sofrer-vos, e amar-vos,
claro está, que hão de mudar-vos
firmezas do meu amor.

Gregório de Matos, in Antologia poética 

04/10/2023

Moraliza o poeta nos ocidentes do sol a inconstância dos bens do mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

15/09/2023

Defende-se o bem que se perdeu na esperança pelos mesmos consoantes

O bem, que não chegou ser possuído,
Perdido causa tanto sentimento,
Que faltando-lhe a causa do tormento,
Faz ser maior tormento o padecido.

Sentir o bem logrado, e já perdido
Mágoa será do próprio entendimento,
Porém o bem, que perde um pensamento,
Não o deixa outro bem restituído.

Se o logro satisfaz a mesma vida,
E depois de logrado fica engano
A falta, que o bem faz em qualquer Sorte:

Infalível será ser homicida
O bem, que sem ser mal motiva o dano,
O mal, que sem ser bem apressa a morte.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

06/09/2023

Pergunta-se neste problema, qual é maior, se o bem perdido na posse, ou o que se perde antes de se lograr? Defende o bem já possuído

Quem perde o bem, que teve possuído,
A morte não dilate ao banimento,
Que esta dor, esta mágoa, este tormento
Não pode ter tormento parecido.

Quem perde o bem logrado, tem perdido
O discurso, a razão, o entendimento:
Porque caber não pode em pensamento
A esperança de ser restituído.

Quanto fosse a esperança alento à vida,
Té nas faltas do bem seria engano
O presumir melhoras desta Sorte.

Porque onde falta o bem, é homicida
A memória, que atalha o próprio dano,
O Refúgio, que priva a mesma morte.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

14/08/2023

Ana Maria era uma donzela nobre, e rica, que veio da Índia sendo solicitada dos melhores da terra para desposórios, empreendeu Fr. Tomás casá-la com o dito, e o conseguiu

Sete anos a Nobreza da Bahia
Serviu a uma Pastora Indiana, e bela,
Porém serviu a Índia, e não a ela,
Que à Índia só por prêmio pretendia.

Mil dias na esperança de um só dia
Passava contentando-se com vê-la:
Mas Fr. Tomás usando de cautela,
Deu-lhe o vilão, quitou-lhe a fidalguia.

Vendo o Brasil, que por tão sujos modos
Se lhe usurpara a sua Dona Elvira,
Quase a golpes de um maço, e de uma goiva:

Logo se arrependeram de amar todos,
E qualquer mais amara, se não fora
Para tão limpo amor tão suja Noiva.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

02/08/2023

A certo frade que se meteu a responder a uma sátira, que fez o poeta, ele agora lhe retruca com est’outra

Ilustre, e reverendo Frei Lourenço,
Quem vos disse, que um burro tão imenso,
Siso em agraz, miolos de pateta
Pode meter-se em réstia de poeta?
Quem vos disse, magano,
Que fará verso bom um Franciscano?
Cuidais, que um tonto revestido em saco
O mesmo é ser poeta, que velhaco?
Seres mestre vós na velhacaria
Vos vem por reta via
De trajar de burel essa libreia,
E o ser poeta nasce de outra veia;
Não entreis em Aganipe mais na barca,
Porque nela co’a mesma vossa alparca
Apolo tem mandado,
Que vos espanquem por desaforado.

Não sabeis, Reverendo Mariola,
Remendado de frade em salvajola,
Que cada gota, que o meu sangue pesa,
Vos poderá a quintais vender nobreza?
Falais em qualidade,
Tendo nessas artérias quantidade
De sangue vil, humor meretricano,
Pois nascestes de sêmen franciscano,
E sobre vossa Mãe em tempos francos
Caíram mil tamancos,
De sorte que não soube a sua pele,
Se vos fundiu mais este, do que aquele:
E nem vós, Frei Monturo, ou Frade Cisco,
Sabeis se filho sois de São Francisco,

Porque sois, vos prometo,
Filho do Santo não, porém seu neto.
Quem vos meteu a vós, vilão de chapa
A tomares as dores do meu mapa,
Se no mapa, que fiz não se esquadrinha
Linha tão má, como é a vossa linha?

Mas como comeis alhos,
Vos queimais, sem chegares aos burralhos;
E se acaso vos toca a putaria,
Que ali pintou a minha fantesia,
Não vos canseis em defender as putas,
Pois sendo dissolutas,
Não vos querem soldado aventureiro,
Querem, que lhe acudais com bem dinheiro;
E querem pelo menos, Frei Bolório,
Que os sobejos lhe deis do refectório,
Que as dádivas de um Frade
sobejos são da leiga caridade.

E se acaso esforçastes a ousadia
À vista de uma larga companhia,
Ides, Frei Maganão, muito enganado,
Que o capitão pretérito é passado:
Não é cousa possível,
Que vos livre de trago tão terrível;
Tornai em vós, Frei Burro, ou Frei Cavalo,
Que cair sobre vós pode o badalo
De algum celeste signo, que vos abra,
E sem dizer palavra
Vos leve em corpo, e alma algum demônio
Por mau imitador de Santo Antônio;
Confessai vossas culpas, Frei Monturo,
Que anda a morte de ronda pelo muro,
E se na esfera vos topar a puta,
Vos heis de achar no inferno a pata enxuta.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

24/07/2023

À mesma dama

Ai, Custódia! sonhei, não sei se o diga:
Sonhei, que entre meus braços vos gozava.
Oh se verdade fosse, o que sonhava!
Mas não permite Amor, que eu tal consiga.

O que anda no cuidado, e dá fadiga,
Entre sonhos Amor representava
No teatro da noite, que apartava
A alma dos sentidos, doce liga.

Acordei eu, e feito sentinela
De toda a cama, pus-me uma peçonha,
Vendo-me só sem vós, e em tal mazela.

E disse, porque o caso me envergonha,
Trabalho tem, quem ama, e se desvela,
E muito mais quem dorme, e em falso sonha.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

04/07/2023

A mesma Custódia mostra a diferença que há entre amar, e querer

Sabei, Custódia, que Amor
inda que tirano, é rei,
faz leis, e não guarda lei,
qual soberano Senhor.

E assim eu quando vos peço,
que talvez vos chego a olhar,
as leis não posso guardar,
que temos de parentesco:

Que vossa boca tão bela
tanto a amar-vos me provoca,
que por lembrar-me da boca,
me esqueço da parentela.

Mormente considerada
vossa consciência algum dia,
que nenhum caso faria
de ser filha, ou enteada.

Dera-vos pouco cuidado
então ser eu vosso assim,
e anda hoje para mim
vós, e o mundo concertado.

Mas eu amo sem confiança
nos prêmios do pertendente,
amo-vos tão puramente,
que nem peco na esperança.

Beleza, e graciosidade
rendem à força maior,
mas eu se vos tenho amor,
tenho amor, e não vontade.

Como nada disso ignoro,
quisera, pois vos venero,
que entendais, que vos não quero,
e saibais, que vos adoro.

Amar, e querer, Custódia;
soam quase o mesmo fim,
mas diferem quanto a mim,
e quanto à minha paródia.

O querer é desejar,
a palavra o está expressando:
quem diz quer, está mostrando
a cobiça de alcançar.

Vi, e quis, segue-se logo,
que o meu coração aspira
o lograr o bem, que vira,
dando à pena um desafogo.

Quem diz, que quer, vai mostrando,
que tem ao prêmio ambição,
e finge uma adoração
um sacrilégio ocultando.

Vil afeto, que ao intento
foge com néscia confiança,
pois guia para a esperança
os passos do rendimento.

Quão generoso parece
o contrário amor: pois quando
está o rigor suportando,
nem penas crê, que merece.

Amar o belo é ação
que toca ao conhecimento
ame-se co entendimento,
sem outra humana paixão.

Quem à perfeição atento
adora por perfeição
faz, que a sua inclinação
passe por entendimento.

Amor generoso tem
o amor por alvo melhor
sem cobiça, ao que é favor,
sem temor, ao que é desdém.

Amor ama, amor padece
sem prêmio algum pertender,
e anelando a merecer
não lhe lembra, o que merece.

Custódia, se eu considero,
que o querer é desejar,
e amor é perfeito amar,
eu vos amo, e não vos quero.

Porém já vou acabando,
por nada ficar de fora
digo, que quem vos adora,
vos pode estar desejando.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

19/06/2023

Soneto a Nosso Senhor

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinquido
Vos tem a perdoar mais empenhado.

Se basta a voz irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história.

Eu sou, Senhor a ovelha desgarrada,
Recobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

15/05/2023

Outra imagem não menos elegante da matéria antecedente

Horas contando, numerando instantes,
Os sentidos à dor, e à glória atentos,
Cuidados cobro, acuso pensamentos,
Ligeiros à esperança, ao mal constantes.

Quem partes concordou tão dissonantes?
Quem sustentou tão vários sentimentos?
Pois para glória excedem de tormentos,
Para martírio ao bem são semelhantes.

O prazer com a pena se embaraça;
Porém quando um com outro mais porfia,
O gosto corre, a dor apenas passa.

Vai ao tempo alterando à fantasia,
Mas sempre com vantagem na desgraça,
Horas de inferno, instantes de alegria.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

12/04/2023

Quis o poeta embarcar-se para a cidade e antecipando a notícia à sua senhora, lhe viu umas derretidas mostras de sentimento em verdadeiras lágrimas de amor

Ardor em coração firme nascido!
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!

Tu, que um peito abrasas escondido,
Tu, que em um rosto corres desatado,
Quando fogo em cristais aprisionado,
Quando cristal em chamas derretido.

Se és fogo como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! que andou Amor em ti prudente.

Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

06/04/2023

Increpa jocosamente ao rapaz cupido por tantas dilações

Amor, cego, rapaz, travesso, e zorro,
Formigueiro, ladrão, maldoutrinado,
Em que lei achai vós, que um home honrado
Há de andar trás de vós como um cachorro?

Muitos dias, Mancebinho, há, que morro
Por colher-vos um tanto descuidado,
Que à fé que bem de mim tendes zombado,
Pois me fazeis cativo, sendo forro.

Não vos há de valer erguer o dedo
Se desatando a voz da língua muda
Me não dais minha carta de alforria.

Mas em tal parte estais, que tenho medo,
Que alguém poderá haver, que vos acuda,
Sem que pagueis tamanha rapazia.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

12/03/2023

Descreve com galharda propriedade o labirinto confuso de suas desconfianças

Ó caos confuso, labirinto horrendo,
Onde não topo luz, nem fio amando,
Lugar de glória, aonde estou penando,
Casa da morte, aonde estou vivendo!

Ó voz sem distinção, Babel tremendo,
Pesada fantesia, sono brando,
Onde o mesmo, que toco, estou sonhando,
Onde o próprio, que escuto, não entendo!

Sempre és certeza, nunca desengano,
E a ambas propensões, com igualdade
No bem te não penetro, nem no dano.

És ciúme martírio da vontade,
Verdadeiro tormento para engano,
E cega presunção para verdade.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

24/02/2023

Vagava o poeta por aqueles retiros filosofando em sua desdita sem poder desapegar as harpias de seu justo sentimento

Quem viu mal como o meu sem meio ativo!
Pois no que me sustenta, e me maltrata,
É fero, quando a morte me dilata,
Quando a vida me tira, é compassivo.

Oh do meu padecer alto motivo!
Mas oh do meu martírio pena ingrata!

Uma vez inconstante, pois me mata,
Muitas vezes cruel, pois me tem vivo.

Já não há de remédio confianças;
Que a morte a destruir não tem alentos,
Quando a vida empenar não tem mudanças.

E quer meu mal dobrando os meus tormentos,
Que esteja morto para as esperanças,
E que ande vivo para os sentimentos.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

15/01/2023

Pretende agora persuadir a um ribeirinho a que não corra. Temendo, que se perca: que é muito próprio de um louco enamorado querer que todos sigam o seu capricho, e resolve a cobiçar-lhe a liberdade

Como corres, arroio fugitivo?
Adverte, para, pois precipitado
Corres soberbo, como o meu cuidado,
Que sempre a despenhar-se corre altivo.

Toma atrás, considera discursivo,
Que esse curso, que levas apressado,
No caminho, que emprendes despenhado
Te deixa morto, e me retrata ao vivo.

Porém corre, não pares, pois o intento,
Que teu desejo conseguir procura,
Logra o ditoso fim do pensamento.

Triste de um pensamento sem ventura!
Que tendo venturoso o nascimento,
Não acha assim ditosa a sepultura.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

07/01/2023

Lisonjeia os sentimentos de Dona Vitória com este soneto feito em seu nome

Alma ditosa, que na empírea corte
Pisando estrelas vais de sol vestida,
Alegres com te ver fomos na vida,
Tristes com te perder somos na morte.

Rosa encarnada, que por dura sorte
Sem tempo do rosal foste colhida,
Inda que melhoraste na partida,
Não sofre, quem te amou, pena tão forte.

Não sei, como tão cedo te partiste
Da triste Mãe, que tanto contentaste,
Pois partindo-te, a alma me partiste.

Oh que cruel comigo te mostraste!
Pois quando a maior glória te subiste,
Então na maior pena me deixaste.

Gregório de Matos

13/12/2022

Fala o poeta com sua esperança

Não te vás, esperança presumida,
A remontar a tão sublime esfera,
Que são as dilações dessa quimera
Remora para o passo desta vida.

Num desengano acaba reduzida
A larga propensão, do que se espera,
E se na vida o adquirir te altera,
Para penar na morte te convida.

Mas voa, inda que breve te discorres,
Pois se adoro um desdém, que é teu motivo,
Quando te precipitas, me discorres.

Que me obriga meu fado mais esquivo,
Que se eu vivo da causa, de que morres,
Que morras tu da causa, de que vivo.

Gregório de Matos, in Antologia Poética

03/11/2022

Contemplando nas coisas do mundo desde o seu retiro, lhe atira com o seu apage, como quem a nado escapou da tormenta

Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
Com sua língua ao nobre o vil decepa:
O Velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

A flor baixa se inculca por Tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa:
Mais isento se mostra, o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazo a tripa,
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.

Gregório de Matos