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24/05/2024
09/11/2023
Comida | Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto, 1987
Lançada
pelos Titãs em seu quarto álbum, Jesus não tem dentes no país
dos banguelas, de 1987, “Comida” se tornou uma das músicas
mais emblemáticas do espírito da banda. Cantada por Arnaldo
Antunes, foi o segundo single do disco e um sucesso nas rádios
como uma nova forma de manifesto político e social anárquico, indo
muito além dos slogans ideológicos e partidários, numa das
melhores letras da década:
“A
gente não quer só comida / a gente quer comida, diversão e arte.”
E
finalizando com os versos antológicos:
“A
gente não quer só dinheiro / A gente quer dinheiro e felicidade / A
gente não quer só dinheiro / A gente quer inteiro e não pela
metade.”
A
nova democracia ampliava as demandas sociais, já não bastavam os
velhos slogans políticos, era preciso querer o impossível.
Arnaldo
Antunes (1960) tinha feito a primeira frase, a ideia-mãe, mas não
conseguia avançar. Quando o grupo começou a trabalhar no repertório
do novo álbum, mostrou a frase ao guitarrista Marcelo Fromer
(1961-2001) e ao tecladista e cantor Sérgio Britto (1959), e juntos
criaram a melodia e desenvolveram a letra. Como Britto relembrou no
livro Titãs: Todas as canções (1984-2001), num primeiro
momento, eles acharam que a música tinha ficado meio monocórdica, e
adicionaram novos versos e uma marcante frase musical no teclado. Na
hora de gravar, tentaram até uma versão acústica, mas acertaram em
cheio com um funk eletrônico pesado, produzido por Liminha e
inspirado em Prince.
“Comida”
foi uma das primeiras músicas de um grupo de rock adotadas por
intérpretes de MPB, a partir de Marisa Monte, abrindo seu disco de
estreia MM (1988), e depois foi cantada por Maria Bethânia,
Ney Matogrosso e até pelo grupo de pagode Exaltasamba.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
15/10/2023
Vou largar tudo para tocar pandeiro no Titãs
Se
por uma sorte eu ficar na frente de Marisa Monte, darei um tiro na
cabeça e, antes de morrer, balbuciarei: ‘‘Você é tudo, eu sou
nada.” De noite, na cama, fico pensando naqueles que conseguem ser
mais que simples mortais como eu, como você, como a maioria. Por que
não nasci belo, completo, moderno e chique? Por que pertenço à
massa duvidosa que duela com a própria imagem em frente ao espelho,
se punindo por ser apenas mais um, entre tantos anônimos, inúteis
passageiros, quando podia ter nascido Caetano Veloso, Guimarães
Rosa, Marisa Monte ou um dos Titãs? Por que não cheguei aos pés
deles, nasci isso, essa coisa, coisa boba, pequena mostra do que as
musas propõem? Ofereceram-me a vida, e desperdicei a chance de ser
um Nijinski, um Fellini, um Titã do Iê-Iê-Iê.
Conheço
os Titãs há tempos. São bons. Nascemos na mesma praia. Alguns,
amigos de infância. Algumas namoradas em comum. Assisti ao primeiro
show, no Sesc; capenga, ingênuo, fazendo cover da propaganda “A
baratinha só pensa em DDD”. Mas o tempo aumentou a distância.
Numa viagem para Brasília, embarcamos no mesmo avião. Iriam dar um
show num ginásio. Eu, participar de uma feira de livros. Aos 28
anos, perto deles, já me sentia um intelectual velho, amassado pelos
conceitos; até hoje não me livrei da bengala acadêmica,
frequentando aulas de mestrado, buscando aprender algo que talvez não
possa ser ensinado, sem nunca me sentir assado ao ponto. No
desembarque, meu amigo Ivan, velho boêmio, baixo, barrigudo, feio
como eu, me esperando numa alegria literária, ansioso por me mostrar
os novos bares da cidade. Havia 13 garotas, as mais bonitas e
gostosas de Brasília; muito arrumadinhas e perfumadas; cabelos
esvoaçantes; ansiosas para o amor. Pergunto a elas o que faziam no
aeroporto. Esperavam os Titãs, lógico. Olhei para a barriga do meu
cicerone e senti a amargura de não ter nascido um Titã.
Eu
queria ser um deles, segurar uma guitarra e fazer cara de mau, ter o
camarim cheio de chiques e modernos, frequentar a MTV, ser bajulado
por poetas concretistas que já bajularam os tropicalistas e são
mestres na arte de bajular os seus seguidores, como se Deus devesse
algo aos homens. Mas não. Intelecto, ora bolas, se perder pelo
labirinto do conhecimento, enquanto Marisa Monte existe, tem um pulso
que ainda pulsa, se banha com flores aromáticas, dorme só de
calcinha e toma suco natural todas as manhãs. Ah, meu amigo, vou me
aposentar, largar essas noites solitárias na frente de um computador
gelado que não canta, não tem cheiro, não me ama. Abandonar as
páginas incertas e, se me aceitarem, tocar pandeiro com os Titãs.
Marcelo Rubens Paiva, in Crônicas para ler na Escola
04/11/2020
07/02/2020
15/11/2014
24/09/2011
Por que eu sei que é Amor
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova
Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora
Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar (2x)
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar (2x)
Porque eu sei que é amor
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta
Mesmo sem porquê eu te trago aqui
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo
Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar (4x)
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar (4x)
Porque eu sei que é amor (3x)
Composição: Sérgio Britto e Paulo Miklos
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