Mostrando postagens com marcador Frejat. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Frejat. Mostrar todas as postagens

25/09/2023

Pro dia nascer feliz | Cazuza e Frejat, 1983


Lançada pelo Barão Vermelho em 1983, “Pro dia nascer feliz” dormia esquecida no segundo disco do grupo carioca até, meses depois, chegar às rádios a sensacional versão de Ney Matogrosso. Grande amigo de Cazuza, Ney tinha ouvido a canção numa fita, antes de a gravação do Barão chegar ao mercado, e insistiu para regravá-la no álbum …pois é, que saiu no fim do ano.
O impacto nas rádios deste rock cru, de letra hedonista, na voz de Ney foi tão forte que despertou o interesse de alguns programadores pela versão original do Barão. Relançada em single pela Som Livre, essa gravação, mais rascante e suja, também começou a ter grande execução, chamando atenção para a nova banda e dando o primeiro de muitos hits à dupla Frejat e Cazuza.
Rebelde e amoroso, sensível e debochado, cronista agudo de seu tempo, falando de sexo e drogas com uma linguagem original em que amores adolescentes do rock se cruzam com dramas passionais do samba-canção, Cazuza (Agenor Miranda de Araújo Neto, 1958-1990) encontrou em Roberto Frejat (1962) o parceiro ideal. O guitarrista encharcou de rock e blues aquelas crônicas cariocas de uma vida sem rédeas, levada às últimas consequências, como celebraram em “Pro dia nascer feliz”, autorretrato do artista como um assumido vagabundo em busca do prazer, “nadando contra a corrente só para exercitar / todo o músculo que sente” e sempre querendo mais.
Influenciados pelos Rolling Stones, e incentivados pelo produtor Ezequiel Neves, eles se tornaram os Jagger & Richards do rock brasileiro. Durante cerca de quatro anos, os dois produziram muito, emplacando vários sucessos, como “Bete Balanço”, “Por que que a gente é assim?” e “Todo amor que houver nessa vida”, até Cazuza sair para a carreira solo em 1985.

Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil

08/04/2011

A Máquina de Escrever (Frejat/Goffi/Ghiaron)

Mãe, se eu morrer 
De um repentino mal 
Vende meus bens 
À bem dos meus credores 
A fantasia de festivas cores que usei 
No derradeiro carnaval.
 
Vende esse rádio 
Que ganhei de prêmio 
Por um concurso 
Num jornal do povo 
E aquele terno novo 
Ou quase novo 
Com poucas manchas 
De café boêmio.
 
Vende também meus óculos antigos 
Que me davam ares inocentes 
Não precisarei de suas lentes 
Pra enxergar os corações amigos.
 
Sem ruído é mais provável 
Que eu alcance o céu 
Vou penetrar e então provar seu mel 
No paraíso só preciso de um olhar 
Sem teu sorriso, outro sorriso pra me enganar.
 
Mas poupa minha amiga de horas mortas 
Com teclas bambas, minha máquina de peças tortas.

Vende todas as grandes pequenezas 
Que eram o meu íntimo tesouro 
Mas não! ainda que ofereçam ouro 
Mas não! ainda que ofereçam ouro 
Não vendas o meu filtro de tristezas.