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17/03/2012

O ser humano


O ser humano já nasce
Com o destino de ser
Fanático pelo poder...
E, louco por recompensa,
Faz guerra pelo domínio
De tudo que a vista alcança,
E luta na esperança
De ser dono do que pensa.

Movido pela ganância,
Cobiça o que é alheio
Sem perceber que é feio
Querer o que não é seu...
Quer ganhar as coisas grandes
Com atitudes pequenas,
Podendo querer apenas
Aquilo que Deus lhe deu.

Pelas costas trai quem faz
Favor à sua pessoa...
Quando tem muito, caçoa
De quem quase nada tem.
Mente pra ter o que quer,
Rouba pra acumular,
Pede, mas não sabe dar
Nada que tem a ninguém.

Sorri quando alguém chora
De dor e necessidade...
Não faz uma caridade
Pra ver o próximo feliz...
De todo mundo recebe
O bem, mas não corresponde,
Promete, mas se esconde
Pra não fazer o que diz.

Constrói bomba nuclear
E míssil de grande alcance,
Pra não dar nenhuma chance
Da vítima se defender...
E lava a terra com sangue
Sem remorso e piedade,
Porque a impunidade
Reina pra lhe proteger.

O homem junta dinheiro,
Prédio, gado, terra e ouro,
Mas todo esse tesouro
Que preserva, não é dele...
No dia que ele morre,
Do que tem não leva nada...
Porque a última morada
Só cabe o caixão e ele.

José Ribamar, in Espelho de Carne e Osso. Poeta e repentista de Craúbas – RN, radicado em Mossoró – RN.



 
Capa digitalizado pelo blogueiro

06/12/2011

O mundo todo
Pertence a todo mundo,
Mas todo mundo
Quer pra si o mundo todo.

José Ribamar, poeta mossoroense

08/11/2011

Servidão comum

O cidadão pra ter água
Nas torneiras do seu lar
Tem que pagar uma taxa
Todo mês sem atrasar...
Paga, mas às vezes vê
Faltar água pra usar;
Só não vê no fim do mês
Na porta da casa dele
A conta d’água faltar.

Pra ter eletricidade
Na casa que ele tem,
Tem uma conta mensal
Que pro endereço vem,
E a grana tem que ir
Pro bolso não sei de quem.
Aqui no Brasil se gente
Comesse papel de conta
O povo vivia bem.

Quem mora de aluguel
Tem mais um débito a quitar.
Com quase tudo na vida
O homem tem que gastar;
Só não gasta pra ser preso,
Pra ser traído e votar...
Tirando esses aliados,
Que ele queira ou não queira,
O resto tem que pagar.

Quem tem telefone fixo,
Por mês paga uma fatura.
Tendo casa, todo ano
Paga conta à prefeitura.
Não procurando acertar,
A prefeitura procura...
Quem bota a sela no burro
Só esquece do remédio
De botar na pisadura.

Para possuir um carro
Ou uma moto é assim:
Paga por ano uma taxa,
Achando bom ou ruim.
Pra ter celular da Claro,
Da Oi, da Vivo ou da Tim,
Tem que gastar com recarga
Ou deixa de possui-lo,
Ou tem conta até o fim.

Quando se acha doente,
Aí é que é taxado.
Se o SUS não resolver,
Paga pra ser internado.
Se for preciso operar,
Paga pra ser operado.
Por incrível que pareça,
Até no dia que morre
Paga pra ser enterrado.

José Ribamar, poeta caraubense, radicado em Mossoró.

29/10/2011

Resumo

Somos nós o inverso do perfeito,
E a bússola das mágoas que expomos,
Inimigos fanáticos do só isso,
Falsos clones dos anjos que já fomos,
Passageiros do trem da vaidade,
Inquilinos do rancho da maldade,
Sem ideias concretas do que somos.

Nutridos do vírus da ganância,
Ofegando na faina pelo mais,
Submissos ao hábito de trair,
Vivos pávidos na fila dos mortais,
Hesitando que Deus salva e castiga,
Integrando a liga que mais liga
Almas frágeis aos bens materiais.

Também somos a revigoração
Do pecado que deixa Deus irado.
Pelo visgo genético da fraqueza,
Nos mantemos ligados ao pecado,
Preservamos o ódio como lança;
E se Deus nos fez sua semelhança,
Há quem diga que algo deu errado.

José Ribamar, in Espelho de Carne e Osso. Poeta, repentista e cordelista de Caraúbas - RN, radicado em Mossoró