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11/04/2026
07/12/2024
Corrupção
Charge: Millôr
♦ Acabar
com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao
poder.
♦ Corrompo,
logo existo.
♦ A
corrupção anda tão generalizada que já tem político ofendido ao
ser chamado de incorruptível.
♦ Basta
você examinar um otimista pra descobrir por baixo uma compra sem
licitação, com superfaturamento.
♦ Corrupção:
quantos decretos-leis se fazem em teu nome!
♦ Invejar
os corruptos já é meia corrupção.
♦ Lição
de corrupção número 1: “Ninguém come de graça”.
♦ Os
corruptos são encontrados em várias partes do mundo, quase todas no
Brasil.
♦ Uma
característica curiosa do corrupto se observa em restaurantes. O
corrupto está sempre nas outras mesas.
Millôr Fernandes, em A bíblia do caos
30/11/2024
25/11/2024
30/10/2023
Corrupção
♦ Acabar
com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao
poder.
♦ Corrompo,
logo existo.
♦ A
corrupção anda tão generalizada que já tem político ofendido ao
ser chamado de incorruptível.
♦ Basta
você examinar um otimista pra descobrir por baixo uma compra sem
licitação, com superfaturamento.
♦ Corrupção:
quantos decretos-leis se fazem em teu nome!
♦ Invejar
os corruptos já é meia corrupção.
♦ Lição
de corrupção número 1: “Ninguém come de graça”.
♦ Os
corruptos são encontrados em várias partes do mundo, quase todas no
Brasil.
Millôr Fernandes, in Millôr definitivo: Uma antologia baseada em “A bíblia do caos”
20/05/2023
02/07/2022
19/02/2022
Corrupção e lei
Corruptissima re publica plurimae leges. [Quanto mais corrupta é uma república, mais leis possui].
Sidney Vieira, in 500 Provérbios em Latim
14/02/2019
Poder
“O
juiz Antonio Di Pietro disse um ano atrás [2002] que na Itália a
corrupção política chegara ao fim. Como assim?, perguntaram-lhe. E
ele explicou de forma muito clara: o poder econômico precisava
corromper os políticos para que estes fizessem o que ele queria. Mas
isso agora acabou, porque o poder econômico ocupou o poder político.
Portanto, já não tem necessidade de corromper ninguém. Ele é o
poder.”
José
Saramago, in As palavras de Saramago
18/03/2018
E o seu nível de corrupção, como vai?
Dizem
por ai que todo homem tem seu preço. Há quem vá mais longe
afirmando que alguns homens são vendidos a preço de banana. Sempre
esperei, na vida, o dia da Grande Corrupção, e confesso,
decepcionado, que ele nunca veio. A mim só me oferecem causas
meritórias, oportunidades de sacrifício, salvações da Pátria ou
pura e frontalmente a hedionda tarefa de lutar... contra a corrupção.
Enquanto eu procuro desesperadamente uma oportunidade, as pessoas e
entidades agem comigo de tal forma que às vezes chego a duvidar de
que a corrupção exista. Mas, falar em corrupção, como anda a sua?
Vendendo saúde ou combalida e atrofiada como a minha? Responda com
muito cuidado às perguntas abaixo e depois conclua sobre sua própria
personalidade: você é um corrupto total ou um idiota completo? (Não
há meio-termo.) Conte 10 pontos para cada resposta certa (você é
quem decide qual é a certa) e verifique depois o grau de sua
corruptibilidade. Nota: Se você roubar neste teste, é porque sua
corrupção é mesmo absolutamente incorruptível.
A)
Você descobre que o chefe do seu departamento está com um caso
complicado com a secretária do outro chefe em frente. Você: 1)
Finge que não viu nada. 2) Diz à secretária que ou também está,
nessa ou vai botar a boca no mundo. 3) Oferece o seu sítio ao chefe
pra ele passar o fim de semana. 4) Bota a boca no mundo. 5) Insinua
ao chefe que há a perigosa hipótese de a mulher dele vir a saber (e
enquanto isso põe a promoção embaixo do nariz dele pra ele
assinar).
B)
Você acha que a Lei e a Ordem é uma mística social maravilhosa
para: 1) Impor a lei e a ordem. 2) Acabar com a grita dos
descontentes. 3) Grandes oportunidades de ganhar algum por fora. 4)
Dividir o bolo entre os íntimos sem ninguém de fora piar.
C)
A primeira vez em que você ouviu falar do escândalo de Watergate
você disse: 1) Isso é que é país! 2) Como é que o governo
americano permite uma imprensa dessas? Isso desmoraliza um país! 3)
Eu não compraria um carro usado desse Nixon. 4) Isso jamais
aconteceria entre nós. 5) Quanto terão levado esses caras pra se
arriscarem dessa maneira?
D)
Você, como representante oficial da fiscalização, comparece à
apresentação de contas, em dinheiro, no Instituto dos Cegos. Fica
surpreendido com o alto volume das arrecadações e em certo momento:
1 ) Diz : “Estou surpreendido com a miserabilidade dos donativos”.
E tenta enrustir algum. 2) Diz: “Como representante do fisco sou
obrigado a reter 30 % de tudo porque esta arrecadação é totalmente
ilegal”. 3) Diz: “Teria sido até uma boa arrecadação se metade
das notas não fossem falsas”. 4) Disfarça bem a voz e diz,
entredentes: “Todos quietinhos aí, seus Homeros de uma figa: Isto
é um assalto!”
E)
Você se demite do cargo de maneira irrevogável por insuportáveis
pressões morais e absoluta impossibilidade de compactuar com a
presente política da firma. Eles prometem triplicar o seu salário.
Você: 1) Recusa, indignado, por pensarem que é tudo uma questão de
dinheiro. Só ficará se eles derem também as três viagens anuais à
Europa a que todos os diretores têm direito. E participação nos
lucros retidos da companhia. 2) Diz que, evidentemente, isso e uma
prova moral de que eles estão de acordo com você. O dinheiro, aí é
definitivo como demonstração de confiança na sua gestão. 3) Pede
para pensar 5 minutos antes de dar a resposta. 4) Explica que tem
mulher e filhos e não pode manter um pedido de demissão feito,
afinal de contas, por motivos tão irrelevantes.
F)
Há uma diferença fundamental entre fraudar e evitar o imposto de
renda. Quando você descobriu isso, você: 1) Ficou indignado com as
possibilidades de os poderosos usarem tudo a seu favor. Como é que
se pode escamotear um ordenado? 2) Começou a estudar furiosamente a
legislação para descobrir todos os furos. 3) Tinha 11 anos de idade
e estava terminando o curso primário. 4) Nunca mais pagou um tostão
de imposto.
G)
Você dá um nota de 10 pra pagar o jornal, no jornaleiro velhinho da
banca da esquina, e percebe que ele lhe deu 50 como troco. Você
imediatamente: 1) Corrige o erro do velhinho? 2) Reclama chateado
aproveitando a gagaíce do vendedor: “Pô, eu lhe dei uma nota de
100?” 3) Chega em casa e manda todos os seus filhos comprarem
vários jornais? 4) Bota o dinheiro no bolso e fica freguês?
H)
Você teve que fazer um trabalho na rua, não pôde almoçar, comeu
um sanduíche. Você apresenta a conta na companhia: 1) Um sanduíche
— 3 cruzeiros. 2) Almoço — 32 cruzeiros. 3) Almoço com o
representante da A&F Ltda. — 79 cruzeiros. 4) Despesas gerais —
143 cruzeiros.
I)
Quando o desfalque dado pelo auditor geral (8.000.000 pratas) chega a
seus ouvidos você murmura: 1) “Idiota, se deixar apanhar assim”.
2) “Será que eles vão descobrir também os meus 10.000?”. 3)
“Se ele tivesse me dado 10% eu tinha feito o negócio de maneira
que ninguém nunca ia descobrir”. 4) “Eu fiz bem em não entrar
no negócio”.
Conselho
de amigo:
Quando alguém, na rua, gritar “Pega ladrão!”, finge que não é com você.
Quando alguém, na rua, gritar “Pega ladrão!”, finge que não é com você.
Millôr
Fernandes, in Todo homem é minha caça
26/05/2016
27/04/2016
26/02/2016
22/09/2015
Conspiração
O maior mistério de todos para quem nos estudar de longe será o ódio. Nossa reputação de povo amável talvez sobreviva até 2050. Então, como explicar o ódio destes dia?
Coitado de quem, no futuro, tentar entender o que se passava no Brasil, hoje. A perspectiva histórica não ajudará, só complicará mais. Havia uma presidente — Vilma, Dilma, qualquer coisa assim — eleita e reeleita democraticamente por um partido de esquerda, mas criticada pelo seu próprio partido por adotar, no seu segundo mandato, uma política econômica neoliberal, que deveria agradar à oposição neoliberal, que, no entanto, tentava derrubar a presidente — em parte pela sua política econômica!
Os
historiadores do futuro serão justificados se desconfiarem de uma
conspiração por trás da contradição. Vilma ou Dilma teria optado
por uma política econômica contrária a todos os seus princípios
para que provocasse uma revolta popular e levasse a uma ditadura de
esquerda, liderada pelo seu mentor político, um tal de Gugu, Lulu,
Lula, por aí.
Como
já saberá todo mundo no ano de 2050, políticas econômicas
neoliberais só aumentam a desigualdade e levam ao desastre. Vilma ou
Dilma teria encarregado seu ministro da Fazenda Joaquim (ou Manoel)
Levis de causar um levante social o mais rápido possível, para
apressar o desastre. Fariam parte da conspiração duas grandes
personalidades nacionais, Eduardo Fuinha e Renan Baleeiro, ou coisas
parecidas, com irretocáveis credenciais de esquerda, que teriam
voluntariamente se sacrificado, tornando-se antipáticos e
reacionários para criar na população um sentimento de nojo da
política e dos políticos e também contribuir para a revolta.
Outra
personalidade que disfarçaria sua candura e simpatia para revoltar a
população seria o ministro do Supremo Gilmar Mentes.
Uma
particularidade do Brasil que certamente intrigará os historiadores
futuros será a aparente existência no país — inédita em todo o
mundo — de dois sistemas de pesos e medidas. O cidadão poderia
escolher um sistema como se escolhe uma água mineral, com gás ou
sem gás. No caso, pesos e medidas que valiam para todo mundo, até o
PSDB, ou pesos e medidas que só valiam para o PT.
Outra
dificuldade para brasilianistas que virão será como diferenciar os
escândalos de corrupção, que eram tantos. Por que haveria
escândalos que davam manchetes e escândalos que só saíam nas
páginas internas dos jornais, quando saíam? Escândalos que
acabavam em cadeia ou escândalos que acabavam na gaveta de um
procurador camarada?
Mas
o maior mistério de todos para quem nos estudar de longe será o
ódio. Nossa reputação de povo amável talvez sobreviva até 2050.
Então, como explicar o ódio destes dias?
Luís
Fernando Veríssimo,
in O Globo (20/09/2015)
03/08/2014
A corrupção
“Os homens são atormentados pelo pecado
original dos seus instintos antissociais, que permanecem mais ou menos
uniformes através dos tempos. A tendência para a corrupção está implantada na
natureza humana desde o princípio. Alguns homens têm força suficiente para
resistir a essa tendência, outros não a têm. Tem havido corrupção sob todo o
sistema de governo. A corrupção sob o sistema democrático não é pior, nos casos
individuais, do que a corrupção sob a autocracia. Há meramente mais, pela
simples razão de que onde o governo é popular, mais gente tem oportunidade para
agir corruptamente à custa do Estado do que nos países onde o governo é
autocrático. Nos estados autocraticamente organizados, o espólio do governo é
compartilhado entre poucos. Nos estados democráticos há muito mais
pretendentes, que só podem ser satisfeitos com uma quantidade muito maior de
espólio que seria necessário para satisfazer os poucos aristocratas. A
experiência demonstrou que o governo democrático é geralmente muito mais
dispendioso do que o governo por poucos.”
Aldous
Huxley, in Sobre a Democracia e Outros Estudos
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