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27/04/2023
30/06/2022
Asa branca | Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1947
Maior
sucesso do Rei do Baião e um dos nossos “hinos nacionais
populares”, “Asa branca” foi composta por Luiz Gonzaga e
Humberto Teixeira, em 1947, a partir de um tema folclórico que o
sanfoneiro conhecia desde a infância. Após uma década e meia
longe, Luiz Gonzaga (1912-1989) tinha visitado a cidade de Exu, no
sertão pernambucano, onde nasceu, e, ao retornar ao Rio, mostrou ao
parceiro a canção. Teixeira mexeu em alguns versos, acrescentou
outros, consolidando o lirismo e as fortes imagens da seca que
castigava sem tréguas a região e forçava a imigração de seu povo
para o Sul. Em ritmo de toada, a música tocou fundo no coração dos
brasileiros. Além das muitas gravações de Gonzaga, foi adotada por
intérpretes de diferentes estilos e gerações, ganhou até versões
sinfônicas, virando um hino do Nordeste e de sua gente.
Radicado
no Rio de Janeiro desde 1940, Gonzagão sobrevivia a duras penas,
tocando valsas, polcas, tangos, foxtrotes e boleros em bares da zona
de prostituição. Na época, os ritmos nordestinos que tinham feito
tanto sucesso nas duas primeiras décadas do século XX estavam
relegados à sua região, eram vistos como cafonas no Sudeste
brasileiro. Até que, uma noite, atendendo aos pedidos de um grupo de
estudantes nordestinos de passagem pela então capital federal,
Gonzaga voltou aos sons de pé de serra que seu pai Januário tocava.
Para sua surpresa, conseguiu empolgar a plateia e percebeu que aquele
diferencial era um filão a ser explorado. Já em 1941 compôs os
chamegos “Pé de serra” e “Vira e mexe” – tendo, este
último, lhe rendido o primeiro prêmio no programa de calouros de
Ary Barroso e um contrato para gravar na RCA Victor.
Nos
anos seguintes, com seu repertório de chamegos, xotes e baiões,
adotou um visual próprio, com roupas de couro, adereços de
boiadeiro e chapéu de cangaceiro, que, segundo um de seus fãs,
Gilberto Gil, fez dele o primeiro popstar brasileiro. Essa
metamorfose se completou em fins de 1945, quando conheceu o seu
principal letrista, o advogado cearense Humberto Teixeira
(1915-1979). No ano seguinte, a dupla fez “Baião”, lançada pelo
grupo vocal Quatro Ases e Um Coringa, com Gonzagão tocando sanfona.
A canção popularizou um ritmo e uma dança que faziam sucesso no
Nordeste desde o fim do século XIX. O Brasil inteiro aprendeu como
se dança o baião, e Luiz Gonzaga virou rei de vez em 1947, nas asas
de “Asa branca”.
Nélson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
14/04/2012
Um disco fundamental da MPB
com Zé Dantas
1959
Ao
fazermos uma análise de alguns períodos históricos da vida brasileira
verificaremos que a década de trinta foi um marco divisor, não só por causa da
Revolução liderada por Getúlio Vargas que lhe entronizou no poder como também
pelas conseqüências políticas e sociais dessa ruptura que findou a República
Velha. O Brasil partia então para um desenvolvimento que fincaria as bases de
um processo de crescimento que teria seu ponto culminante com as 30 metas mais
a construção de Brasília efetuadas por Juscelino Kubistschek nos anos cinquenta.
Os anos
trinta também seria o momento em que no campo do entretenimento e das
comunicações o país daria um grande salto, pois foi a época da arrancada da
indústria do radio e como consequência a formação de uma mão de obra que daria
suporte a introdução da TV em 1950. No campo especifico da música popular
viveríamos uma época de fartura de grandes compositores e intérpretes, como
Orlando Silva, Noel Rosa, Lamartine Babo, Ary Barroso, Carmen Miranda, Mário
Reis, Carlos Galhardo, Assis Valente e muitos outros. A pavimentação para a
consolidação desse gigantesco trabalho artístico já estava pronta e o país iria
adentrar a década seguinte, os anos quarenta, com uma perspectiva alentadora
dando oportunidade e promovendo o surgimento de novos talentos.
Com o
ambiente musical já estabelecido e uma rede de rádios dando o suporte
necessário para a divulgação e manutenção desses artistas, principalmente
através da Radio Nacional que àquela época atingia praticamente todo o país, ir
ao Rio de Janeiro para conquistar um lugar nesse disputado mercado era a
alternativa para todo artista que queria se dar bem na carreira. Foi
vislumbrando essa possibilidade e as oportunidades que poderiam surgir que o
compositor e sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga resolveu arriscar e com todo
seu talento não demorou muito para ser reconhecido e aclamado como um dos maias
festejados artistas brasileiros a partir da segunda metade dos anos quarenta e
da década seguinte.
Fazendo
enorme sucesso no radio e vendendo muitos discos Luiz Gonzaga soube se acercar
de grandes parceiros para colocarem poesia em suas canções, inicialmente com
Humberto Teixeira e depois com Jose de Souza Dantas ou como é repertório que
consolidava-se e consagrava-se a cada novo lançamento. Foi justamente mais
conhecido, Zé Dantas. Com este último continuou fazendo clássicos e compôs um
no intuito de reunir esse material disperso em discos 78 rotações que a RCA
Victor, gravadora oficial do Rei do Baião, tomou a iniciativa de produzir e
gravar um LP em 1959 com os maiores sucessos da dupla de compositores, surgindo
assim o disco Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zé Dantas, com os dois na
capa e um texto autoexplicativo das canções escrito por Zé Dantas na contracapa.
São
doze canções que se incluem como clássicos da música popular brasileira
retratando de modo fidedigno o homem, o folclore e os costumes do Nordeste. No
baião Sabiá, que abre o disco, uma homenagem a uma das aves de mais belo canto
de nossa fauna; o Xote das meninas uma das mais populares canções do LP retrata
a transformação da menina em mulher usando como símbolo de referencia a flor do
mandacaru que quando amadurece na seca é sinal de chuva e colheita farta no
sertão; A volta da asa branca é uma toada que da continuidade ao tema do famoso
baião, Asa branca, composto por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; A dança da
moda, retrata com muita propriedade o sucesso do baião no Rio de Janeiro e
consequentemente em todo o país; Riacho do Navio, homenageia um dos mais
importantes afluentes do rio São Francisco, na zona do Pajeú em Pernambuco,
onde em suas margens floresce uma flora e uma fauna muito rica e exuberante;
Vozes da seca, é um preito de clamor as autoridades para que se sensibilizem
com o drama dos flagelados nordestinos, é um dos maiores clássicos da MPB;
Paulo Afonso, é uma homenagem aos homens que ajudaram a construção da usina
hidrelétrica promovendo o progresso e o desenvolvimento do Nordeste, Algodão,
foi composta a pedido do então Ministro da Agricultura João Cleofas, para
estimular o plantio do chamado "Ouro branco" no sertão.
Retratando
ainda situações e costumes sertanejos temos sucessos como, Cintura fina, Forró
de Mané Vito, A letra i e Vem morena, fechando um repertório de um disco que só
traz músicas que ficaram imortalizadas como verdadeiros sinônimos da saga
cancioneira nordestina, e o melhor de tudo isso, magistralmente interpretadas
por Luiz Gonzaga, uma unanimidade nacional. São trabalhos como esse que nos
conduzem a certeza cada vez maior que a grandeza de nosso país esta fincada na
sua pluralidade cultural e no talento inequívoco de seus
criadores/realizadores.
Luiz Américo Lisboa Junior, in www.luizamerico.com.br
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