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21/07/2026

Criança

As crianças ignoram os relógios. Os relógios têm a função de submeter o tempo do corpo ao tempo da máquina. Mas as crianças só reconhecem os seus próprios corpos como marcadores do seu tempo. Se as crianças usam relógios, elas os usam como se fossem brinquedos. Que maravilhosa subversão! Usar a gaiola do deus Chronos como brinquedo de Kairós, o deus do tempo da vida.
As crianças, do jeito como saem das mãos de Deus, são brinquedos inúteis, não servem para coisa alguma... Crianças não são para ser usadas como ferramentas. Elas são para ser gozadas, como brinquedos...
Os olhos, diferentemente do resto do corpo, preservam para sempre a propriedadedivina do rejuvenescimento. O sábio é um adulto com olhos de criança.
Janucz Korczak foi um dos grandes educadores do século passado. Foi mansamente com as crianças do seu orfanato para a câmara de gás de um campo de concentração nazista. Ele deu a um dos seus livros, o título Quando eu voltar a ser criança. De acordo com a Adélia Prado, que rezou: “Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande...”.
Quero voltar para as crianças. A razão? Por elas mesmas. É bom estar com elas. Crianças têm um olhar encantado. Visitando uma reserva florestal no estado do Espírito Santo, a bióloga encarregada do programa de educação ambiental me disse que é fácil lidar com as crianças. Os olhos delas se encantam com tudo: as formas das sementes, as plantas, as flores, os bichos, os riachinhos. Tudo, para elas, é motivo de assombro. E acrescentou: “Com os adolescentes é diferente. Eles não têm olhos para as coisas. Eles só têm olhos para eles mesmos...”. Eu já tinha percebido isso. Os adolescentes já aprenderam a triste lição que se ensina diariamente nas escolas. Aprender é chato. O mundo é chato. Os professores são chatos. Aprender, só sob ameaça de não passar no vestibular. Por isso quero ensinar as crianças. Ensiná­-las para que elas se encantem com o mundo. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal. Tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, um ninho de guaxinim, uma concha de caramujo, o voo dos urubus, o zinir das cigarras, o coaxar dos sapos, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Dessas coisas, invisíveis aos eruditos olhos dos professores universitários (eles não podem ver, coitados. A especialização os tornou cegos como toupeiras. Só veem dentro do espaço escuro de suas tocas. E como veem bem!), nasce o espanto diante da vida; desse espanto, a curiosidade; da curiosidade, a “fuçação” (essa palavra não está no Aurélio!) chamada pesquisa; dessa “fuçação”, o conhecimento; e do conhecimento, a alegria!

Rubem Alves, em Do universo à jabuticaba

24/09/2023

Esquecer do brinquedo, viver do trabalho

As crianças já nascem sabendo. Quando elas, através da educação, são transformadas em seres úteis, o Paraíso lhes é roubado: são obrigadas a se esquecer do brinquedo e a viver no mundo do trabalho.
Recuperar a sapientia é lembrar-se da “filosofia” sem palavras que morava no corpo da criança. Nietzsche escrevia a fim de preparar o caminho para a volta da criança. O seu “homem-transbordante” (Übermensch) é uma criança. “Num homem real”, ele dizia, “se esconde uma criança... que deseja brincar...”. Por oposição ao propósito utilitário de transformar as crianças em ferramentas (todo profissional é uma ferramenta), ele dizia: “A maturidade de um homem é encontrar de novo a seriedade que se tinha quando criança, brincando”. A companhia dos homens acadêmicos, sérios e pretensamente úteis, lhe fazia mal. Ele preferia a companhia das crianças.
Gosto de me assentar aqui onde as crianças brincam, ao lado da parede em ruínas, entre os espinhos e as papoulas vermelhas. Para as crianças eu sou ainda um sábio, e também para os espinhos e as papoulas vermelhas.” (Nietzche, in Assim falou Zaratustra).

Rubem Alves, in Variações sobre o prazer

30/11/2021

Um sonho de criança

Tive um sonho aos sete ou oito anos, que posso recordar como o sonho mais bonito da minha vida. Era um riacho, uma corrente d’água, muito transparente, muito límpida; no fundo, umas pedrinhas pequenas, muito brancas; de um lado, numa margem, um campo, um campo de relva; do outro lado, outro campo de relva; e, no fundo, bosques. Eu, nu, dentro d’água, corria em direção à nascente. Era uma viagem bonita. Gostaria de sonhá-lo de novo, embora eu já não seria o mesmo. Não seria inocente, mas o sonho de alguém mais velho.

José Saramago, in As palavras de Saramago

01/03/2019

Sobre a criança na velhice

Um amigo que está sofrendo a tristeza de ir ficando velho me escreveu e fez esta pergunta: “O que fazer para permanecer jovem? O que fazer para, na velhice, continuar a ter o desejo de viver?”. Acho que essa é pergunta mais dolorosa que fazem aqueles que se veem envelhecer. É o tema do filme Morte em Veneza, baseado no livro de Thomas Mann: um homem maduro, na fronteira da velhice – seus bigodes já estão grisalhos e as rugas marcam o seu rosto –, num hotel de Veneza, vê um jovem adolescente que brinca na praia. Aquela imagem de juventude se apodera dele com uma força insuportável. A imagem do jovem o atormenta e ele dele se enamora. Não tem nada a ver com homossexualidade. Não é isso que está em jogo. Na imagem do jovem ele vê a sua própria juventude perdida. O espelho é um sofrimento. Especialmente quando o espelho são os olhos de uma jovem que se levanta e, com um sorriso, nos oferece o seu lugar no metrô... Continuar a ser jovem sendo velho? Eu acho isso é possível. O apóstolo Paulo, sentindo a mesma coisa, disse: “Embora o nosso homem exterior se corrompa, o nosso homem interior se renova dia a dia”. Claro, há coisas que são perdidas, definitivamente. A pele, por exemplo: as rugas, a flacidez, a secura. Mas, com a perda, há ganhos. Na juventude, a pele é a face exterior da musculatura. Ela nada revela, a não ser os músculos. Na velhice, a pele deixa de ser a superfície exterior dos músculos e passa a ser a superfície exterior da alma. Os músculos podem ser obstáculos à manifestação da alma. Na velhice, a pele é o meio através do qual a alma se torna visível. Especialmente o rosto. Livre das intermediações da musculatura, a alma pode então realizar sua função artística de esculpir o rosto. Ela aparece no rosto. Acontece, então, a ocasião para que se realize o prometido pelo evangelista João: “... e o Poema se faz carne”. Tudo, então, vai depender dos poemas que estão guardados na alma. Pois a alma é apenas isso: o lugar onde os poemas estão guardados. E o rosto vai então revelar uma beleza que a juventude não deixava ver. Ou, quem sabe, o inverso, uma feiura que a juventude não deixava ver. Velhice é o tempo da verdade da alma. Os velhos terão rosto de criança se a criança eterna continuar viva dentro deles. E a criança, como disse Zaratustra, é “inocência e esquecimento, um novo início, uma brincadeira, um moto­-contínuo, um primeiro movimento, um ‘Sim’ sagrado...” . As crianças jamais desejam ser aposentadas de ser crianças. O terrível e mortal é quando o homem se aposenta. Não estou me referindo simplesmente ao momento em que não é mais necessário comparecer ao trabalho. Estou me referindo àquele momento quando um homem ou uma mulher atracam o seu barco e se entregam à tola ilusão de, finalmente, ter paz. Mas paz, precisamente, é o que a alma não deseja. A alma deseja o perigo, o desconhecido. A alma é uma águia que ama as alturas, as montanhas geladas, o mar desconhecido, os abismos. A alma é guerreira: “Pugno, ergo sum” – luto, logo existo. É preciso que haja sempre uma batalha a ser travada. A paz desejada (o sonho do “Sítio do Vovô”) logo se transforma num charco de água parada. A segurança é a mãe do tédio. E no tédio as serpentes chocam seus ovos. “Homens velhos devem ser exploradores, não importa onde... Temos de estar sempre nos movendo na direção de uma nova intensidade, de uma união mais alta, de uma comunhão mais profunda... Nos movendo através de uma desolação escura, fria e vazia: o grito das ondas, o grito do vento, as águas imensas das gaivotas e dos golfinhos: no meu fim está o meu início” (T. S. Eliot). Nikos Kazantzakis é um autor que precisa ser lido. Dentre todos os seus livros, todos eles maravilhosos, o que fala mais perto do meu coração é Zorba, o Grego ... Quem viu só o filme nada viu. Tentei ver o filme, pensando que seria igual ao livro, e não consegui chegar ao fim. Acontece que há certas sutilezas na escrita que não podem ser transformadas em imagens. Está relatado que Zorba, velho e doente, ao ver que a morte já estava dentro do seu quarto, levantou-se da cama, foi até a janela, e por longos minutos contemplou com sorriso e silêncio os cenários que se abriam à sua frente, o mundo maravilhoso, ao fundo as montanhas. De repente, pôs-se a relinchar como um cavalo, agarrou-se à janela e disse: “Um homem como eu deveria viver mil anos!”. Ditas essas palavras ele caiu morto... Zorba morreu criança.
Rubem Alves, in Do universo à jabuticaba

21/02/2017

Sobre a criança na velhice



Um amigo que está sofrendo a tristeza de ir ficando velho me escreveu e fez esta pergunta: “O que fazer para permanecer jovem? O que fazer para, na velhice, continuar a ter o desejo de viver?”. Acho que essa é pergunta mais dolorosa que fazem aqueles que se veem envelhecer. É o tema do filme Morte em Veneza, baseado no livro de Thomas Mann: um homem maduro, na fronteira da velhice – seus bigodes já estão grisalhos e as rugas marcam o seu rosto –, num hotel de Veneza, vê um jovem adolescente que brinca na praia. Aquela imagem de juventude se apodera dele com uma força insuportável. A imagem do jovem o atormenta e ele dele se enamora. Não tem nada a ver com homossexualidade. Não é isso que está em jogo. Na imagem do jovem ele vê a sua própria juventude perdida. O espelho é um sofrimento. Especialmente quando o espelho são os olhos de uma jovem que se levanta e, com um sorriso, nos oferece o seu lugar no metrô... Continuar a ser jovem sendo velho? Eu acho isso é possível. O apóstolo Paulo, sentindo a mesma coisa, disse: “Embora o nosso homem exterior se corrompa, o nosso homem interior se renova dia a dia”. Claro, há coisas que são perdidas, definitivamente. A pele, por exemplo: as rugas, a flacidez, a secura. Mas, com a perda, há ganhos. Na juventude, a pele é a face exterior da musculatura. Ela nada revela, a não ser os músculos. Na velhice, a pele deixa de ser a superfície exterior dos músculos e passa a ser a superfície exterior da alma. Os músculos podem ser obstáculos à manifestação da alma. Na velhice, a pele é o meio através do qual a alma se torna visível. Especialmente o rosto. Livre das intermediações da musculatura, a alma pode então realizar sua função artística de esculpir o rosto. Ela aparece no rosto. Acontece, então, a ocasião para que se realize o prometido pelo evangelista João: “... e o Poema se faz carne”. Tudo, então, vai depender dos poemas que estão guardados na alma. Pois a alma é apenas isso: o lugar onde os poemas estão guardados. E o rosto vai então revelar uma beleza que a juventude não deixava ver. Ou, quem sabe, o inverso, uma feiura que a juventude não deixava ver. Velhice é o tempo da verdade da alma. Os velhos terão rosto de criança se a criança eterna continuar viva dentro deles. E a criança, como disse Zaratustra, é “inocência e esquecimento, um novo início, uma brincadeira, um moto-contínuo, um primeiro movimento, um ‘Sim’ sagrado...”. As crianças jamais desejam ser aposentadas de ser crianças. O terrível e mortal é quando o homem se aposenta. Não estou me referindo simplesmente ao momento em que não é mais necessário comparecer ao trabalho. Estou me referindo àquele momento quando um homem ou uma mulher atracam o seu barco e se entregam à tola ilusão de, finalmente, ter paz. Mas paz, precisamente, é o que a alma não deseja. A alma deseja o perigo, o desconhecido. A alma é uma águia que ama as alturas, as montanhas geladas, o mar desconhecido, os abismos. A alma é guerreira: “Pugno, ergo sum” – luto, logo existo. É preciso que haja sempre uma batalha a ser travada. A paz desejada (o sonho do “Sítio do Vovô”) logo se transforma num charco de água parada. A segurança é a mãe do tédio. E no tédio as serpentes chocam seus ovos. “Homens velhos devem ser exploradores, não importa onde... Temos de estar sempre nos movendo na direção de uma nova intensidade, de uma união mais alta, de uma comunhão mais profunda... Nos movendo através de uma desolação escura, fria e vazia: o grito das ondas, o grito do vento, as águas imensas das gaivotas e dos golfinhos: no meu fim está o meu início” (T. S. Eliot). Nikos Kazantzakis é um autor que precisa ser lido. Dentre todos os seus livros, todos eles maravilhosos, o que fala mais perto do meu coração é Zorba, o Grego... Quem viu só o filme nada viu. Tentei ver o filme, pensando que seria igual ao livro, e não consegui chegar ao fim. Acontece que há certas sutilezas na escrita que não podem ser transformadas em imagens. Está relatado que Zorba, velho e doente, ao ver que a morte já estava dentro do seu quarto, levantou-se da cama, foi até a janela, e por longos minutos contemplou com sorriso e silêncio os cenários que se abriam à sua frente, o mundo maravilhoso, ao fundo as montanhas. De repente, pôs-se a relinchar como um cavalo, agarrou-se à janela e disse: “Um homem como eu deveria viver mil anos!”. Ditas essas palavras ele caiu morto... Zorba morreu criança.
Rubem Alves, in Do universo à jabuticaba

12/11/2016

Olhar de criança

http://pt.wahooart.com/Art.nsf/O/9GZNC5/$File/MauritsCornelisEscher-Puddle.JPG 
Poça D'água, de M. C. Escher 

O senso comum identifica o “infantil” com o “pueril”. Adulto no qual mora uma criança não é digno de confiança. O ideal é o homem maduro, que abandonou as coisas de criança, que trocou o brinquedo pelo trabalho. A psicanálise concorda: o “infantil” é o regressivo, sintoma neurótico a ser analisado.
Na minha psicanálise, os desejos infantis são desejos eternos e divinos. O infantil não é o regressivo: é o eterno, o que sempre foi, o que sempre será, o objeto da saudade e da nostalgia, o objeto perdido que se espera reencontrar no futuro. É dos desejos infantis que surge a poesia. A criança e o poeta falam a mesma língua.
Lá vão pelo caminho a mãe e a criança, que vai sendo arrastada pelo braço — segurar pelo braço é mais eficiente que segurar pela mão. Vão as duas pelo mesmo caminho, mas não vão pelo mesmo caminho. Pois eu digo que o caminho por que anda a mãe não é o mesmo caminho por que anda a criança. Os olhos da criança vão como borboletas, pulando de coisa em coisa, para cima, para baixo, para os lados, tudo é espantoso, tudo é divertido. Pena que a mãe não veja nada do que a criança vê porque seus olhos desaprenderam a arte de ver como quem brinca, ela tem muita pressa, é preciso chegar, há coisas urgentes a fazer, seu pensamento está nas obrigações de dona de casa, por isso vai dando safanões nervosos na criança... Olhando fixamente para o chão, ela procura as pedras no meio do caminho, não por amor ao Drummond, mas para não dar topadas, e procura também as poças d’água, não porque tenha se comovido com o lindo desenho do Escher de nome Poça d’água, uma poça de água suja na qual se refletem o céu azul e os ramos verdes dos pinheiros; ela procura as poças para não sujar o sapato. A pedra do Drummond e a poça de água suja do Escher os adultos não veem, só as crianças e os artistas.
Rubem Alves, in Do universo à jabuticaba

04/11/2016

Coisas que as crianças dizem

As crianças dizem coisas deliciosas. O menininho viajava de avião pela primeira vez. O voo partira à noite e ele nada viu. Logo dormiu. Quando acordou pela manhã, olhou para fora, o céu absolutamente azul para cima e, lá embaixo, nuvens brancas navegantes... Assustado, disse ao pai: “Papai, o céu caiu lá embaixo...”. A avó, que morava num sítio, estava recebendo a primeira visita da netinha que morava num apartamento. Levou-a à horta, coisa que a menina nunca vira. Agachou-se diante de um canteiro, retirou a terra fofa e arrancou algumas cenouras. Comentário da menininha: “Você guarda suas cenouras num lugar esquisito. Em casa nós as guardamos na geladeira...”. A menina, baseada em sólidos argumentos linguísticos, discordava: “Não, o nome não pode ser canteiro. Canteiro é um lugar de canto. Um lugar onde crescem as plantas deve se chamar planteiro...”. Hora do jantar, o menininho de cinco anos tomava sopa. Fez então, ao pai, uma pergunta teológica: “Papai, onde está Deus?”. O pai respondeu segundo o catecismo: “Está em todos os lugares, meu filho”. Rápido, o menino concluiu: “Está então nesta colher de sopa que estou tomando?”. O menino visitava a fazenda pela primeira vez. De manhã, todos ao lugar onde se fazia a ordenha das vacas, o leite jorrando espumante das exuberantes tetas do manso animal. Todos bebiam do leite quente. Chegada a vez do menino, ele recusou o copo de leite e se pôs a chorar: “Não quero tomar leite de bicho. Quero tomar leite de saquinho...”. Pergunta metafísica de uma menininha: “Para onde vão os dias que passam?”. Sim, eu me pergunto: para onde foram os dias que vivi?
Rubem Alves, in Ostra feliz não faz pérola

03/10/2016

A grande alegria dos homens de números

http://saude.cardiomed.com.br/wp-content/uploads/2014/08/crian%C3%A7as_correndo-380x251.jpg 
Google Imagens 

Tão queridos
os sofás
mais ainda as cadeiras
de balanço
é tanta palavra
no mundo tanto som
não entendo por que
tanta grade também
estou triste
até passar
uma correria
de crianças.
Bruna Beber

23/09/2016

Nietzsche e as crianças

Por oposição ao propósito da máquina educacional de transformar crianças em adultos, Nietzsche sugeria o oposto e dizia que “a maturidade de um homem é encontrar de novo a seriedade que se tinha quando criança, brincando”.
Desanimado com a estupidez dos adultos, ele escreveu: “Gosto de me assentar aqui onde as crianças brincam, ao lado da parede em ruínas, entre os espinhos e as papoulas vermelhas. Para as crianças, eu sou ainda um sábio, e também para os espinhos e as papoulas vermelhas”. Os adultos não o entendiam porque ele escrevia como criança.
Rubem Alves, in Do universo à jabuticaba

03/01/2016

A literatura não é servil

A literatura começa a fazer isso com as crianças. Qual é o personagem principal? Qual o pedacinho de que você mais gostou? E mesmo que o menino goste do demônio, tem de falar que gostou do anjo, pois a escola não admite que se goste do demônio. Mesmo que goste da bruxa, tem de dizer que gosta da fada. A escola não dá conta dessa liberdade que nós temos. Essa simpatia que carregamos pela bruxa, pela sacanagem do demônio. Mas na escola não pode, a escola tempera isso. Tem escola servil.
A literatura não é servil. A literatura não serve a nada e a escola foi feita para servir alguém, ou a um partido político, a um ideal, enquanto a literatura foi feita apenas para encantar o outro. A literatura é feita de fantasia. Tudo o que penso, posso escrever. Nada é interditado, tudo posso dizer, desde que com uma forma elegante, bem organizada. Posso até dizer “os livro”, “os peixe nada”. Posso até dizer, mas propositadamente, conhecendo uma gramática profundamente. Aí, posso dizer qualquer coisa que quero. Só rompemos quando dominamos. Caso contrário não há rompimento. É preciso uma tradição para romper.
A literatura é essa coisa exagerada de fantasia. A gente só fantasia o que não temos. Não fantasiamos o que temos. Então, a literatura é feita de falta. O que escrevo é o que me falta. É isso que a literatura faz. A literatura é o lugar da falta. Para a escola é muito difícil cuidar da liberdade. A liberdade é muito fascinante, muito boa. A liberdade é uma coisa extremamente exagerada, bonita, clara. E a escola não dá conta disso. A escola é para conter. Criança educada é criança contida. A escola de hoje acha que esse menino é educado porque antes de responder, ele conta até dez, porque ele senta com a perna cruzada, porque ele come com a boca fechada. Todo contido é educado. Todo expansivo é mal-educado.
Bartolomeu Campos de Queirós, in Palestra no Teatro do Paiol, Curitiba - PR

23/11/2012

A maturidade

“A maturidade do homem consiste em ter reencontrado a seriedade que em criança se colocava nos jogos.”
Friedrich Nietzche

06/07/2012

Eu sou porque nós somos

anoncentral: "Um antropólogo propôs um jogo para crianças em uma tribo Africano.  Ele colocou uma cesta cheia de frutas perto de uma árvore e disse às crianças que quem chegou lá primeiro venceram as frutas doces.  Quando ele lhes disse para correr, todos eles tiveram as mãos uns dos outros e corriam juntos, em seguida, sentaram-se juntos desfrutando de sua treats.When ele perguntou por que tinha corrido assim quando um poderia ter tido todos os frutos para si mesmo, eles disseram, 'UBUNTU , como pode um de nós ficaria feliz se todos os outros estão tristes? "  ('UBUNTU' na cultura Xhosa significa: "Eu sou porque nós somos.)" Via Ocupar a Suécia

Um antropólogo propôs um jogo para crianças em uma tribo Africano. Ele colocou uma cesta cheia de frutas perto de uma árvore e disse às crianças que quem chegasse lá primeiro venceria e ganharia as frutas doces. Quando ele lhes disse para correr, todos eles deram as mãos uns aos outros e correram juntos, sentaram-se juntos e, em seguida, todos desfrutaram dos deleites das frutas. Quando o antropólogo perguntou por que tinham corrido assim quando um poderia ter tido todos os frutos para si mesmo, eles disseram: "UBUNTU. Como pode um de nós ficar feliz se todos os outros estão tristes?"  (UBUNTU na cultura Xhosa significa: "Eu sou porque nós somos").
Texto adaptado por Elilson J. Batista. Fonte: Occupy Sweden

23/09/2011

A maior flor do mundo, de José Saramago



E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?
José Saramago