20/06/2026
A fome
Meu Deus, até que ponto vou na miséria da necessidade: eu trocaria uma eternidade de depois da morte pela eternidade enquanto estou viva.
Clarice Lispector, em Todas as crônicas
Angústia
Graciliano Ramos, em Angústia
A teus pés
Ana Cristina Cesar, em A Teus Pés
Cerveja no bar da esquina
Charles Bukowski, em Numa Fria
19/06/2026
Cem anos depois
José Paulo Paes, em O Melhor Poeta da Minha Rua
Capítulo 58 – Confidência
Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas
Brasil brasileiro
Paulo Mendes Campos, em Brasil brasileiro: crônicas do país, das cidades e do povo
18/06/2026
Adultos em excesso
Guimarães Rosa, escrevendo sobre a infância: “Não gosto de falar da infância. É um tempo de coisas boas, mas sempre com pessoas grandes incomodando a gente, intervindo, estragando os prazeres. Recordando o tempo de criança, vejo por lá um excesso de adultos, todos eles, mesmo os mais queridos, ao modo de soldados e policiais do invasor, em pátria ocupada. Fui rancoroso e revolucionário permanente, então. Já era míope e nem mesmo eu, ninguém sabia disso. Gostava de estudar sozinho e de brincar de geografia. Mas, tempo bom de verdade, só começou com a conquista de algum isolamento, com a segurança de poder fechar-me num quarto e trancar a porta. Deitar no chão e imaginar estórias, poemas, romances, botando todo mundo conhecido como personagem, misturando as melhores coisas vistas e ouvidas! [Algumas de minhas distrações eram] armar alçapões para pegar sanhaços – e depois tornar a soltá-los. Que maravilha! Puxar sabugos de espigas de milho, feito boizinhos de carro, brinquedo saudoso; atrelar um sabugo branco com outro vermelho, e mais uma junta de bois pretos – sabugos enegrecidos pelo fogo. Prender formiguinhas em ilhas, que eram pedras postas num tanque raso, e unidas por pauzinhos, pontes para as formiguinhas passar. Aproveitar um fiozinho d’água, que vinha do posto das lavadeiras, e mudar-lhes duas vezes por dia a curso, fazendo-o de Denúbio ou de São Francisco, ou de Sapakral-lar (nome inventado), com todas as curvas dos ditos, com as cidades marginais marcadas por grupos de pedrinhas, tudo isso sob o voo matinal das maitacas de Nhô Augusto Matraca, no quintal.”
Rubem Alves, em Do universo à jabuticaba
Tabacaria
Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa), em Revista Literária Presença, ed. 39
Propaganda de graça
Clarice Lispector, em Crônicas para jovens: de escrita e vida
Um Conto de Três Cidades
George Steiner, em Tigres no Espelho e Outros Textos







