26/08/2026
Duas maneiras
Adélia Prado, em Bagagem
Siempre en la Barca pra Paquetá
Um beijo, Aldir
Aldir Blanc, em Brasil passado a sujo
Esperanças e utopias
Sobre as virtudes da esperança tem-se escrito muito e parolado muito mais. Tal como sucedeu e continuará a suceder com as utopias, a esperança foi sempre, ao longo dos tempos, uma espécie de paraíso sonhado dos cépticos. E não só dos cépticos. Crentes fervorosos, dos de missa e comunhão, desses que estão convencidos de que levam por cima das suas cabeças a mão compassiva de Deus a defendê-los da chuva e do calor, não se esquecem de lhe rogar que cumpra nesta vida ao menos uma pequena parte das bem-aventuranças que prometeu para a outra. Por isso, quem não está satisfeito com o que lhe coube na desigual distribuição dos bens do planeta, sobretudo os materiais, agarra-se à esperança de que o diabo nem sempre estará atrás da porta e de que a riqueza lhe entrará um dia, antes cedo que tarde, pela janela dentro. Quem tudo perdeu, mas teve a sorte de conservar ao menos a triste vida, considera que lhe assiste o humaníssimo direito de esperar que o dia de amanhã não seja tão desgraçado como o está sendo o dia de hoje. Supondo, claro, que haja justiça neste mundo. Ora, se nestes lugares e nestes tempos existisse algo que merecesse semelhante nome, não a miragem do costume com que se iludem os olhos e a mente, mas uma realidade que se pudesse tocar com as mãos, é evidente que não precisaríamos de andar todos os dias com a esperança ao colo, a embalá-la, ou embalados nós ao colo dela. A simples justiça (não a dos tribunais, mas a daquele fundamental respeito que deveria presidir às relações entre os humanos) se encarregaria de pôr todas as coisas nos seus justos lugares. Dantes, ao pobre de pedir a quem se tinha acabado de negar a esmola, acrescentava-se hipocritamente que “tivesse paciência”. Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-lo a ter paciência. É muito comum ouvir-se dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias.
José Saramago, em O caderno
Capítulo 81 – A Reconciliação
Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas
25/08/2026
Diário de Bernardo Soares
Fernando Pessoa, em Livro do Desassossego
Máximo de atenção
Acostume-se a prestar o máximo de atenção àquilo que alguém diz e, na medida do possível, esteja na mente de quem fala.
Marco Aurélio, em Meditações
Junk | Paul McCartney
Paul McCartney, em As Letras – 1956 até o presente
Sucesso
Rubem Fonseca, em Pequenas Criaturas
24/08/2026
Atrás dos olhos das meninas sérias
Ana Cristina Cesar, em A Teus Pés
Gorjeios
Manoel de Barros, em Meu quintal é maior do que o mundo
Aprofundamento das horas
Clarice Lispector, em Crônicas para jovens: de escrita e vida
O Homem que Calculava — Capítulo 32
Malba Tahan, em O Homem que Calculava
23/08/2026
Aparência
Millôr Fernandes, em A bíblia do caos







