Mostrando postagens com marcador doença. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador doença. Mostrar todas as postagens

25/03/2022

Eventualidades

As eventualidades são tão familiares quanto a rosa na primavera e a fruta no verão. Igualmente conhecidas são a doença, a morte, a calúnia, a traição e outras que deleitam ou aborrecem os tolos.

Marco Aurélio, in Meditações do Imperador Marco Aurélio: Uma Nova Tradução

18/02/2019

Ambiguidade do sofrimento

Não há ninguém que, após ter triunfado sobre a dor ou sobre a doença, não experimente, no fundo da alma, um remorso - não importa o quão vago ou pálido. Ainda que desejosos de se restabelecer, aqueles que sofrem longa e intensamente sentem-se sempre levados a encarar sua cura como uma perda. Quando a dor torna-se parte integral do ser, deixá-la para trás suscita necessariamente o pesar, como por algo desaparecido. O que tenho de melhor em mim, sendo tudo o que perdi, devo ao sofrimento. Assim sendo, não se pode amá-lo ou condená-lo. Tenho por ele um sentimento particular, difícil de definir, mas que tem o charme e os atrativos de uma luz crepuscular. A beatitude no sofrimento não passa de ilusão, pois ela exigiria de se reconciliar com a fatalidade da dor, para evitar a destruição. Nesta beatitude ilusória jazem os últimos recursos da vida. A única concessão que se pode fazer ao sofrimento vem do remorso com a cura, mas, vago e difuso demais, este não pode cristalizar-se na consciência. Toda dor que se apaga provoca um sentimento de perturbação, como se o retorno ao equilíbrio impedisse para sempre o acesso às regiões torturantes e enfeitiçadas, das quais não se pode partir sem um olhar para trás. O sofrimento não tendo nos revelado a beleza, nenhuma outra luz pode mais nos seduzir. Somos ainda atraídos pelas trevas do sofrimento?
Emil Cioran, in Nos cumes do desespero

14/07/2015

A doença: advertência e prova de força

Doente durante dez dias, fiquei de cama e faltei à escola. Meu pai trouxe-me os votos de Kafka e, de sua parte, um volume de capa colorida, da coleção Insel: Sobre os escritores e o Estilo, de Arthur Schopenhauer.
Alguns dias depois de minha cura, fui ao Instituto de Seguros Operários contra Acidentes. O Dr. Kafka estava de ótimo humor. Quando eu lhe disse que depois de minha doença me sentia muito mais forte do que antes, um sorriso de encanto irresistível apareceu em seu rosto:
- É compreensível – disse, você superou um encontro com a morte. Isso dá força.
- Toda a vida não passa de um caminho que conduz à morte – observei.
Franz Kafka olhou-me um momento com ar grave, depois, baixando os olhos para sua mesa, disse:
- Para a pessoa boa de saúde, a vida só significa de fato uma fuga inconsistente e não-confessada diante da consciência de ter de morrer um dia. A doença sempre é ao mesmo tempo uma advertência e uma prova de força. É por isso que a doença, a dor e o sofrimento são também as fontes mais importantes da religiosidade.
- Como o senhor a entende? - perguntei.
Kafka sorriu: - Entendo-a em termos judeus. Sou ligado a minha família, a meu clã. Eles sobrevivem ao indivíduo. Mas isso também não passa de uma tentativa e fuga diante da certeza da morte. Isso não passa de um desejo, mas de maneira nenhuma de uma fonte de conhecimento. Ao contrário… Por esse desejo, o pequeno Eu, temerosamente egoísta, se coloca diante da alma à procura de verdade.
Gustav Janouch, in Conversas com Kafka

09/05/2013

Portal da sabedoria

“Cedo ou tarde, a todo o homem chega a grande renúncia. Para o jovem não existe nada inalcançável. Que algo bom e desejado com toda a força de uma vontade apaixonada seja impossível, não lhe parece crível. Mas, ou por meio da morte ou da doença, da pobreza ou da voz do dever, cada um de nós é forçado a aprender que o mundo não foi feito para nós e que, não importa quão belas as coisas que almejamos, o destino pode, não obstante, proibi-las. É parte da coragem, quando a adversidade vem, suportá-la sem lamentar a derrocada das nossas esperanças, afastando os nossos pensamentos de vãos arrependimentos. Esse grau de submissão (...) não é somente justo e correto: ele é o portal da sabedoria.”
Bertrand Russell, in A Free Man's Worship

13/04/2013

A vontade supera os estorvos

“A doença é um estorvo para o corpo, mas não para a vontade se ela não o desejar. O ser-se coxo é um estorvo para as pernas, mas não o é para a vontade. Assim pondera todo e qualquer acidente, e chegarás à conclusão de que o acidente estorva sempre uma ou outra coisa - e que só para ti, movido de vontade, não é estorvo de espécie alguma.”
Epicteto, in Manual