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13/09/2025

Goodbye | Paul McCartney e John Lennon

Com Mary Hopkin trabalhando no álbum Post Card. Abbey Road Studios, Londres, 1969


Goodbye
De Paul McCartney e John Lennon

Please don’t wake me up too late
Tomorrow comes and I will not be late
Late today when it becomes tomorrow
I will leave to go away

Goodbye
Goodbye
Goodbye, goodbye
My love, goodbye

Songs that lingered on my lips
Excite me now and linger on my mind
Leave your flowers at my door
I’ll leave them for the one who waits behind

Goodbye
Goodbye
Goodbye, goodbye
My love, goodbye

Far away my lover sings a lonely song
And calls me to his side
When a song of lonely love invites me on
I must go to his side

Goodbye
Goodbye
Goodbye, goodbye
My love, goodbye

Convidamos Twiggy e o empresário dela, Justin de Villeneuve, para vir jantar conosco. E foi justamente ela a primeira pessoa a me dar a dica: “Já viu aquela moça na televisão?”. Ela se referia à jovem cantora galesa Mary Hopkin. Respondi: “Não”. E ela me recomendou: “Bem, não deixe de assistir ao programa na próxima semana”. Eu assisti e pensei: “Uau, que voz mais incrível”.
Mary Hopkin estava participando de um programa chamado Opportunity Knocks (A oportunidade bate à porta), espécie de protótipo de competições como American Idol – e ela acabou sendo a vencedora. Após assistir à apresentação dela no programa, pensei: “Ok, eu tenho uma ideia de umas canções que posso indicar ou compor para ela, e eu posso atuar na produção”.
Então Mary e eu falamos ao telefone algumas vezes – também tive que falar com os pais dela, pois ela só tinha 18 anos e eu não queria que eles pensassem que eu estava mal intencionado –, e ela e a mãe dela concordaram em vir a Londres para uma reunião. Sugeri que eu poderia ser o produtor dela na gravadora Apple, dos Beatles, e encontrar canções que fariam sucesso na voz dela.
Comecei com uma variante de uma velha canção russa que outra pessoa tinha escrito: “Those Were the Days”. Consegui o arranjo com um arranjador amigo meu, reservei um estúdio e ajudei Mary a aprender a canção. É importante aprender a canção antes de começar a gravar, porque então você pode fazer isso sem ficar olhando. Creio que isso transmite mais sentimento à canção, e Mary era ótima nisso. Ela aprendia rápido. Eu só enviava a ela uma pequena demo ou algo assim, e ela aprendia a canção com base nisso, e então nos reuníamos para gravar. Eu montava tudo, literalmente montava o pacote inteiro. Entrava no estúdio, ouvia os sons que iam sendo produzidos, incentivava Mary a fazer um bom take, o que ela fazia com bastante facilidade, e depois mixava.
Those Were the Days” foi sua canção de maior sucesso, e eu sabia que seria um hit. Na verdade, a canção fez um enorme sucesso. Em vários países chegou ao topo das paradas. Comecei a procurar algo para dar continuidade a esse sucesso e pensei: “Bem, basta compor algo no mesmo tom extravagante”.
Ainda hoje, mais de cinquenta anos depois, o que me interessa nesta letra – e acho que nunca fiz isso antes ou desde então – é o uso da mesma palavra repetidamente, em cada verso. No caso, a palavra “late”: “Please don’t wake me until late/ Tomorrow comes and I will not be late/ Late today when it becomes tomorrow”. Em geral, eu evito isso e tento encontrar outra palavra sem precisar ficar repetindo. Mas acho que a repetição, às vezes, é eficaz. “Leave your flowers at my door/ I’ll leave them for the one who waits behind”. Na terceira estrofe, a palavra “lonely” também se repete.
Goodbye” cultiva a tradição do tipo de canção “Estou indo, mas volto em breve”, que costumávamos ouvir quando éramos crianças. Elas eram pedidas no rádio em homenagem a militares que estavam em missão no Bahrein, na Ilha Christmas, em Hong Kong ou em outro lugar. Também existia em Liverpool a tradição de ingressar na Marinha Mercante. “O que você anda fazendo?”, você perguntava a alguém, e eles diziam: “Entrei na mercante”. E zarpavam mar afora. A canção também se aplicava às pessoas que emigravam ao Canadá ou à Austrália e sentiam saudades de casa. Sempre fui influenciado por situações assim e costumo me colocar no lugar de quem escuta a canção longe de casa. Depois me imagino fazendo parte do pessoal da casa, pensando: “Puxa, eles estão perdendo essa festa com todos os tios e tias e toda essa diversão de estar em casa”. Coisa triste.
Curiosamente, anos depois, eu estava com a minha família num barco, indo do extremo norte da Escócia até as Ilhas Shetland. Foi a única embarcação que conseguimos. Deveríamos ter embarcado no ferry, mas o perdemos, então contratamos um barquinho de pesca para nos levar. Era um trecho marítimo bem interessante, que contornava um pedaço de terra firme com o adequado nome de Cape Wrath (Cabo da Ira), e naquele dia sentimos a ira do oceano; cheguei até a vomitar. Mas foi maravilhoso chegar às Ilhas Orkney e ver os bandos de papagaios-do-mar ao longo das falésias. Eu nunca tinha visto um papagaio-do-mar! O comandante do barco era o Capitão George. Ele era praticamente norueguês; eles meio que se cruzam lá em cima, um pouco de sangue escocês, mas meio norueguês. E ele me contou que “Goodbye” era sua canção predileta. Compreensível, pois ele sempre saía para pescar e incorporava esse sentimento de “não se preocupe, vou voltar”.
Fiquei muito contente em produzir Mary, mas ela queria ser uma cantora folk, pura e simples. Falei: “Bem, isso é ótimo, você pode ser uma cantora folk. Mas não é minha praia. Posso recomendar vários bons produtores para você” – ela acabou trabalhando e se casando com Tony Visconti, o produtor de David Bowie. De modo que eu produzi um álbum com ela, mas não era folk. Eram canções que nós dois apreciávamos, mas não era o estilo que ela queria seguir.
Twiggy estava certa ao falar comigo sobre ela. Estas duas canções – “Those Were the Days” e “Goodbye” – fizeram muito sucesso, e o álbum Post Card também, mas, depois disso, Mary realmente voltou às suas raízes no estilo folk.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente