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10/08/2026
21/05/2023
Coração leviano | Paulinho da Viola, 1977
Lançado
com sucesso por Clara Nunes, “Coração leviano” foi um dos
destaques do álbum As forças da natureza, em 1977. Na voz da
Guerreira, acompanhada por um coro de pastoras, o samba parecia
ambientado numa animada roda na quadra de uma escola, em um espírito
festivo que funcionava como contraponto à desilusão amorosa que o
samba cantava. Um ano depois, a gravação do autor, em seu décimo
disco solo, Paulinho da Viola, era mais camerística: apenas
ele e seu cavaquinho, o violão do pai, Cesar Farias, o piano de
Cristóvão Bastos, o clarinete de Copinha e uma discreta seção
rítmica.
Grande
sucesso nas rádios, nos palcos e nas rodas de samba, “Coração
leviano” tem o toque sofisticado de um estilista da composição,
com refinada carpintaria musical e poética, em perfeito encaixe. Um
samba melódico e melancólico sobre uma dolorosa separação sem
adeus, tramada em segredo pela leviandade do coração da ex-amada.
No
fim de sua década de ouro, em que mais compôs e gravou, Paulinho
tinha vivido entre extremos de desilusões dolorosas e encontros
inspiradores, mas “Coração leviano” não parece ser
confessional ou autobiográfica: em 1978, ele se casou com Lila
Rabello (irmã do violonista Raphael Rabello), com quem veio a ter
quatro filhos. A decepção era com a Portela: um ano antes, por
discordar dos critérios nas disputas dos enredos e dos rumos do
carnaval, ele se desligou e ficou mais de três décadas longe da
quadra e dos desfiles da escola, foi como um rio de mágoa passando
em sua vida.
Duas
décadas depois de Clara e Paulinho, “Coração leviano” voltou a
bater com emoção na voz de Djavan, no álbum Malásia
(1996). Em andamento mais ralentado, era um tributo a uma de suas
referências no samba, com discretos sabores da bossa nova que também
se expressa na obra de Paulinho.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
16/01/2023
Foi um rio que passou em minha vida | Paulinho da Viola, 1969
Traição,
remorso e redenção se combinam na origem deste hino informal da
Portela e um dos maiores sambas de todos os tempos. A história
começa em 1968, quando o portelense da gema Paulinho da Viola (1942)
musicou “Sei lá, Mangueira”, uma letra de Hermínio Bello de
Carvalho, que planejava incluir o samba num show celebrando a verde e
rosa. Mas Paulinho foi surpreendido pela notícia de que o poeta
mudara de ideia. Percebendo a força do novo samba, Hermínio o
inscreveu no IV Festival da Música Popular Brasileira, na TV Record,
em que foi interpretado por Elza Soares. Sucesso imediato, deixou em
pânico Paulinho, então presidente da ala de compositores da
Portela: o que diriam seus colegas na escola de Oswaldo Cruz dessa
declaração de amor à rival?
Perturbado
com a repercussão da música na Portela, coração dividido e réu
confesso, o jovem sambista só pensava naquilo. Até que, certa
tarde, caminhando pelo Centro do Rio, este clássico em formato de
samba-enredo, com uma longa letra de 29 versos, começou a brotar em
sua cabeça e em seu coração azul e branco. Normalmente vagaroso no
compor, Paulinho criou “Foi um rio que passou em minha vida” de
uma lavada só, traduzindo plasticamente a sua sensação ao assistir
a um desfile da Portela: “… aquele azul / não era do céu / nem
era do mar / foi um rio que passou em minha vida / e o meu coração
se deixou levar.”
Gravada
em 1969, saiu inicialmente num compacto duplo feito para lançar
“Sinal fechado”, a canção vencedora naquele ano do V Festival
da Record. Mas fez tanto sucesso que, no ano seguinte, “Foi um rio
que passou em minha vida” voltou e deu nome ao segundo álbum solo
de Paulinho, tornando-se o maior sucesso de sua carreira.
No
carnaval de 1970, por sugestão do então presidente da Portela,
Natal, o samba foi cantado antes do início do desfile. Desde então,
“Foi um rio…” virou uma espécie de amuleto sonoro, esquentando
a entrada da escola na avenida a cada carnaval, número obrigatório
nos ensaios na quadra ou, seja qual for a agremiação, em qualquer
roda de samba que se preze.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
31/03/2019
30/05/2013
17/03/2013
Paulinho da Viola - Sinal Fechado (Acústico MTV)
Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo... pois é... quanto tempo...
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu procuro você
Vai abrir... vai abrir... vai abrir...
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo... pois é... quanto tempo...
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu procuro você
Vai abrir... vai abrir... vai abrir...
Prometo
Não esqueço... não
esqueço... não esqueço...
Por favor, não esqueça... não esqueça...
Adeus...
Por favor, não esqueça... não esqueça...
Adeus...
Composição: Paulinho da Viola
14/11/2012
Paulinho da Viola: os 70 anos do príncipe do samba
Ilustração de Loredano
"Paulinho
da Viola só tem duas certezas na vida. Uma delas, de que nasceu para saber
samba. A outra, de que é preciso dizer alguma coisa em cada música",
escreveu o Jornal da Tarde em 1966, quando Paulo César Baptista de
Faria, já conhecido como Paulinho da Viola, tinha apenas 23 anos de idade.
Hoje, o reverenciado compositor
faz 70 anos. Criado no berço do chorinho, foi acolhido pelas rodas
de samba da Velha Guarda da Portela. No fim dos anos 60 começou a se tornar o
novo 'Príncipe do Samba'. No Acervo, as críticas, entrevistas e histórias
desse músico que "nasceu e se criou no samba".
Mais aqui.
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