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25/03/2012

A Felicidade, de Tom Jobim



Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
e tudo se acabar na quarta feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Prá que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor


Tristeza não tem fim
Felicidade sim.

28/11/2011

Wave*


*Bossa Nova? Jazz? É a musicalidade universal desse imortal Dominguinhos, com o auxílio luxuoso de Yamandu Costa, fenômeno do violão, que afirmou: "Reaprendi a tocar com Dominguinhos".

23/11/2011

O RC celebra o Dia do Músico

Hoje é dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos, por isso hoje também é comemorado o dia do músico. O músico pode ser arranjador, intérprete, regente e compositor. Há quem diga que os músicos devem ter talento nato para isso, mas existem cursos superiores na área e pessoas que estudam música a vida toda. 
A santa dos músicos - Santa Cecília viveu em Roma, no século III, e participava diariamente da missa celebrada pelo papa Urbano, nas catacumbas da via Ápia. Ela decidiu viver casta, mas seu pai obrigou-a a casar com Valeriano. Ela contou ao seu marido sua condição de virgem consagrada a Deus e conseguiu convence-lo. Segundo a tradição, Cecília teria cantado para ele a beleza da castidade e ele acabou decidindo respeitar o voto da esposa. Além disso, Valeriano converteu-se ao catolicismo.
Para a celebração desse dia, ouçam dois ícones da Música Brasileira: Elis Regina e Tom Jobim, em Águas de Março. 



17/11/2011

Um disco fundamental da MPB


Caymmi visita Tom
1964


Existem coisas na vida que devem ser aproveitadas ao máximo, são prazeres, digamos, inenarráveis, que apesar de simples enchem de alegria nossa existência. Para muitas pessoas os momentos bons da vida devem ser vividos intensamente para serem eternamente lembrados. Porém, apesar de muitos considerarem fama, dinheiro, sucesso profissional, valores que adoçam a existência, são nos pequenos prazeres que encontramos a verdadeira felicidade, ou chegamos perto dela. Isso porque o que vale mesmo são aqueles instantes compartilhados com harmonia, paz de espírito, livres de superficialidades, espontâneos, pois, dessa forma eles acontecem mais serenamente e fluem com mais frequência e intensidade.
Se formos fazer um balanço de como anda a vida das pessoas no mundo atual verificaremos sem maiores dificuldades que vivemos em um planeta estressado, correndo sempre atrás de resultados que nos supram a sobrevivência e depois de algumas conquistas, gastamos todas as economias em coisas supérfluas, dominado que somos pelo mercado de consumo a fim de extravasarmos as nossas vaidades. É uma vida superficial que invariavelmente nos leva a uma perspectiva enganosa do que sejam os verdadeiros prazeres da existência, daí a constatação de que as frivolidades do mundo moderno nos consomem tão vorazmente que nem sequer não nos damos conta de as quantas andam nossa relação com o universo que nos cerca acarretando problemas existências presentes e futuros.
Nessa conjetura devemos então ficar atentos para não nos deixarmos envolver com situações desnecessárias, aumentando a sua importância e somatizando seus resultados, deixemos, portanto, nos levar pelo nosso livre arbítrio com responsabilidade e vigilância necessária para que os acontecimentos importantes que vivenciarmos surjam de forma espontânea, pois serão mais verdadeiros e deixarão um legado de saudade e frescor muito agradáveis quando relembrados, pois serão muito especiais, assim, construiremos nossas biografias com mais segurança, tranquilidade e certeza de que não nos deixamos seduzir pelas futilidades e valores pífios que a vida nos oferece, e teremos então sido plenamente felizes e realizados.
Foi justamente pensando nos momentos de encantamento que podemos proporcionar a nos mesmos e aos nossos amigos e familiares que se deu uma reunião de músicos da mais alta linha da canção brasileira, resultando na perpetuação de um trabalho magnífico, atemporal, permanente. O ano era 1963 e o produtor Aloysio de Oliveira dono da gravadora Elenco resolveu unir a família Caymmi ao talentoso compositor bossanovista Tom Jobim para uma gravação onde predominaria a intimidade e a espontaneidade de um encontro de grandes músicos num clima de festa em família, mas, sem as artificialidades de uma típica gravação de estúdio.
A ideia era justamente que na informalidade dos convidados surgissem momentos únicos, aqueles que só aconteceriam se fossem realizados sem nenhuma preparação prévia, naturalmente. Para esse encontro musical foram também chamados o baixista, Sergio Barroso e os bateristas Do Um Romão e Edson Machado, com o objetivo de fazerem o acompanhamento e darem também sua canja na reunião. As gravações ocorreram em um clima ameno e esse encontro musical definiu as vidas de alguns de seus personagens. Estavam presentes além de Tom Jobim e Dorival Caymmi os filhos e a esposa do compositor baiano, Nana, Dori, Danilo e Stela. Como em toda reunião de amigos fraternos houve trocas de gentilezas e Caymmi ofereceu a Tom Jobim a inédita canção... Das rosas e Tom devolveu com a também inédita, Só tinha de ser com você, em parceria com Aloysio de Oliveira, duas músicas que brevemente se tornariam clássicas. Nana Caymmi que vinha de um casamento desgastado e morando na Venezuela, estava passando uma temporada no Brasil e ainda tinha dúvidas quanto as suas pretensões em ser cantora profissional, depois, portanto, de ter cantado nesse disco Inútil paisagem, de Tom e Aloysio de Oliveira, acompanhada do pai e num belíssimo vôo solo, Sem você, de Tom e Vinicius e Tristeza de nós dois, de Durval Ferreira, Bebeto e Maurício Einhorn, definiu de vez sua vocação resolvendo seguir carreira como intérprete. Dori Caymmi também sentiu-se estimulado e a partir de então profissionalizou-se como violonista, arranjador e depois cantor, um artista completo.
De todos o mais jovem era Danilo Caymmi, que aos 16 anos estudante de flauta, não fez feio ao lado de músicos consagrados e tornou-se num dos mais talentosos instrumentistas e compositores de sua geração, chegando inclusive a participar da Nova Banda grupo musical que acompanhou Tom Jobim em seus últimos anos.
O repertório do disco que foi lançado no suplemento de 1964 da gravadora inclui ainda Saudades da Bahia, samba clássico de Dorival Caymmi, interpretado num magistral dueto por Jobim e Caymmi, Vai de vez, de Roberto Menescal e Lula Freire e Berimbau, de Vinicius e Baden Powell, apresentadas de maneira instrumental pelos filhos de Caymmi acompanhados dos músicos convidados, por fim, Canção da noiva, de Dorival Caymmi, interpretada divinamente por sua esposa Stela, cantora de belos recursos vocais, mas que abandou precocemente a carreira por causa do casamento.
Com uma capa idealizada como um recorte de jornal bem ao estilo moderno da produção gráfica da gravadora Elenco, este disco reafirma o conceito de que para serem grandes, os bons momentos da vida devem ser construídos espontaneamente, repletos de paz e felicidade entre seus participantes e protagonistas, deixando para a história a tarefa de perpetuá-los e transformá-los em saudade, a audição do desse LP, portanto, nos remete a isso, consagrando-o definitivamente como fundamental para a música popular brasileira.

Luiz Américo Lisboa Junior, in www.luizamerico.com.br