Mostrando postagens com marcador Sócrates. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sócrates. Mostrar todas as postagens

25/04/2024

Exame

Como sabemos se Telauge tinha ou não um caráter superior ao de Sócrates?
Não basta considerar que Sócrates teve uma morte mais ilustre; que disputou mais habilmente com os sofistas; que resistiu mais ao frio durante as noites; que considerou mais nobre recusar quando foi convocado para prender o homem de Salamina; que andava de maneira arrogante pelas ruas — embora isso seja duvidável.
Devemos examinar qual alma Sócrates possuía; se conseguia se satisfazer apenas sendo justo com os homens e piedoso no tocante aos deuses; se não se aborrecia futilmente com a vilania dos demais; se não se tornava escravo da ignorância alheia; se não considerava sua porção universal estranha ou insuportável; se impedia sua inteligência de simpatizar com os sentimentos da miserável carne.

Marco Aurélio, in Meditações

11/01/2017

A arte das letras

Essa qualidade de leitura, que permite ao leitor possuir um texto não apenas lendo atentamente as palavras, mas tomando-as parte de si mesmo, nem sempre foi considerada uma bênção. Há 23 séculos, nas proximidades das muralhas de Atenas, à sombra de um plátano junto a margem de um rio, um jovem de quem sabemos pouco mais que o nome, Fedro, lia para Sócrates um discurso de um certo Lísias, a quem Fedro admirava apaixonadamente. O jovem ouvira o discurso (cumprindo o dever de amante) várias vezes e no final obtivera uma versão escrita que estudou muito, até sabê-lo de cor.
Então, ansioso por compartilhar sua descoberta (como os leitores adoram fazer), buscara um público em Sócrates. O filósofo, adivinhando que Fedro trazia o texto do discurso escondido sob o manto, pediu-lhe que lesse o original, em vez de recitá-lo. “Não vou deixar que exercite sua oratória comigo, quando o próprio Lísias está aqui presente”, disse Sócrates ao jovem entusiasmado.
O diálogo antigo tratava sobretudo da natureza do amor, mas a conversa foi mudando de rumo alegremente e, mais para o fim, o tema passou a ser a arte das letras. Um dia, contou Sócrates a Pedro, o deus Thot do Egito, inventor dos dados, do jogo de damas, dos números, da geometria, da astronomia e da escrita, visitou o rei do Egito e ofereceu-lhe essas invenções para que as passasse ao seu povo, O rei discutiu os méritos e as desvantagens de cada um dos presentes do deus, até que Thot chegou à arte da escrita: “Eis aqui um ramo do conhecimento que irá melhorar a memória do povo; minha descoberta proporciona uma receita para a memória e para a sabedoria”. Mas o rei não ficou impressionado: “Se os homens aprenderem isso, o olvido se implantará em suas almas; eles deixarão de exercitar a memória, pois confiarão no que está escrito, e chamarão as coisas à lembrança não de dentro de si mesmos, mas por meio de marcas externas. O que descobristes não é uma receita para a memória, mas um lembrete. E não é sabedoria verdadeira o que ofereceis a vossos discípulos, mas apenas sua aparência, pois, ao lhes contar muitas coisas sem lhes ensinar nada, fareis com que pareçam saber muito, embora, em boa parte, não saibam nada. E enquanto homens cheios não de sabedoria, mas do conceito de sabedoria, eles serão um fardo para seus companheiros”. Um leitor, Sócrates advertia a Fedro, “precisa ser singularmente simplório para acreditar que as palavras escritas podem fazer mais do que recordar a alguém o que ele já sabe”.
Fedro, convencido pelo raciocínio do ancião, concordou. E Sócrates prosseguiu: “Sabes, Fedro, essa é a coisa esquisita em relação à escrita, aquilo que a torna realmente análoga à pintura. O trabalho do pintor ergue-se diante de nós como se as pinturas estivessem vivas, mas, se alguém as questiona, elas mantêm um silêncio majestoso.
Acontece a mesma coisa com as palavras escritas: elas parecem falar contigo como se fossem inteligentes, mas, se lhes perguntas qualquer coisa sobre o que estão dizendo, por desejo de saber mais, elas ficam repetindo a mesma coisa sem parar”. Para Sócrates, o texto lido não passava de palavras, nas quais signo e significado sobrepunham-se com precisão desconcertante.
Interpretação, exegese, glosa, comentário, associação, refutação, sentido alegórico e simbólico, tudo advinha não do próprio texto, mas do leitor. O texto, como um retrato pintado, dizia somente “a lua de Atenas”; era o leitor quem lhe atribuía uma face de marfim cheia, um céu escuro profundo, uma paisagem de ruínas antigas ao longo das quais Sócrates outrora caminhava.
Por volta do ano 1250, no prefácio ao Bestiaire d'amour, o chanceler da catedral de Amiens, Richard de Fournival, discordou da posição de Sócrates e propôs que, como toda a humanidade deseja conhecer e tem pouco tempo de vida, ela deve se basear no conhecimento reunido por outros para aumentar a riqueza de seus próprios conhecimentos. Para tanto; Deus deu à alma humana o dom da memória, ao qual temos acesso por meio dos sentidos da visão e da audição. De Fourníval aprofundou a noção de Sócrates. O caminho para a visão, disse ele, consistia de peintures, imagens; o caminho para a audição, de paroles, palavras. O mérito delas não estava apenas em expor uma imagem ou texto sem nenhum progresso ou variação, mas em recriar no espaço e no tempo do leitor aquilo que fora concebido e expresso em imagens e palavras em outra época e sob céus diferentes. Argumentava De Fournival: “Quando alguém vê uma história pintada, seja de Tróia ou outra coisa, veem-se aqueles nobres feitos que foram realizados no passado exatamente como se ainda estivessem presentes. E o mesmo acontece ao se ouvir um texto, pois, quando ouvimos uma história lida em voz alta, escutando os eventos, vemo-los no presente. E, quando lês, essa escrita com peinture e parole irá tornar-me presente em tua memória, mesmo quando não estou fisicamente diante de ti”. Ler, segundo De Fournival, enriquecia o presente e atualizava o passado; a memória prolongava essas qualidades no futuro. Para ele, o livro, não o leitor, preservava e transmitia a memória.
O texto escrito, no tempo de Sócrates, não era um instrumento comum. Embora existissem livros em número considerável na Atenas do século v a.C. e um comércio incipiente de livros, a prática da leitura privada só se estabeleceu plenamente um século depois, no tempo de Aristóteles - um dos primeiros leitores a reunir uma coleção importante de manuscritos para uso próprio. Era por meio da conversa que as pessoas aprendiam e passavam adiante conhecimentos, e Sócrates pertence a uma linhagem de mestres orais que inclui Moisés, Buda e Jesus Cristo, o qual uma única vez, dizem-nos, escreveu algumas palavras na areia apagando-as em seguida. Para Sócrates, os livros eram auxílios à memória e ao conhecimento, mas os verdadeiros eruditos não deveriam precisar deles. Poucos anos depois, seus discípulos Platão e Xenofonte lembraram em um livro essa opinião depreciativa sobre livros, e a memória deles de sua memória foi assim preservada para nós, seus futuros leitores.
Alberto Manguel, in Uma história da leitura

06/10/2016

Eis a questão

Alguém perguntou a Sócrates se deveria casar ou não e recebeu a resposta: Faça como achar melhor, desde que venha a se arrepender um dia.
Diógenes Laércio, in Vidas dos Filósofos Ilustres

25/08/2016

Virtude

A virtude não provém da riqueza, mas sim que a virtude que traz a riqueza ou qualquer coisa útil aos homens, quer na vida pública, quer na vida privada.”
Sócrates

08/12/2015

Morrer pela verdade

Esta velha humanidade, tudo quanto seja acreditar que dois e dois são quatro, quatro e quatro, oito, e oito e oito, dezesseis, muito bem e sem nenhuma prova; agora quando lhe dizem que há gente que morre pela sua verdade, é preciso mostrar-lhe Sócrates a beber a cicuta, Catão com a espada enterrada no ventre, Cristo pregado na cruz, — e nem assim.”
Miguel Torga, in Diário (1936)

05/12/2014

A virtude e a riqueza

“A virtude não provém da riqueza, mas sim que a virtude é que traz a riqueza ou qualquer outra coisa útil aos homens, quer na vida pública, quer na vida privada.”
Sócrates

23/11/2014

Amizade digna

“Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos.”
Sócrates

24/11/2012

Quando homens de bem acabarem mal

“Vem em seguida uma consideração que muitas vezes, e não sem motivo, entristece nosso espírito e o mergulha na maior inquietude; quando vemos pessoas de bem acabarem mal – Sócrates constrangido a morrer prisioneiro; Rutílio a viver no exílio; Pompeu e Cícero a se entregarem aos seus clientes; e Catão, este Catão enfim, viva imagem da virtude, reduzido a testemunhar publicamente, atirando-se contra sua espada, que a república perecia ao mesmo tempo que ele. Como não se afligir com a ideia de que a fortuna paga tão injustamente os méritos dos homens? E que esperar para si mesmo, quando os melhores dentre eles são os mais maltratados?
Mas, que se deve então fazer? Observa como cada um destes grandes homens suportou seu destino; e se eles mostrarem coragem, ambiciona a mesma firmeza de alma. Se forem fracos e covardes diante da morte, sua perda é indiferente: ou eles são dignos de que os admiremos por sua bravura, ou sua covardia os torna indignos de pena. Não será vergonhoso, se a morte heroica destes homens de coragem fizesse de nós apenas covardes? Glorifiquemos um herói digno de tanta glória e digamos: ‘Ó bravo! Ó afortunado homem! Eis que tu escapas a todas as misérias, à inveja, à morte; eis-te a sair da prisão. Longe de te julgarem digno de uma má sorte, os deuses estimaram que merecestes estar para o futuro ao abrigo da tirania da fortuna’. Quanto àqueles que querem salvar-se e que no limiar da morte se voltam para a vida, é preciso empurrá-los com viva força para seu carrasco.
Eu não chorarei nem por quem se alegra nem por quem chora: o primeiro seca minhas lágrimas antecipadamente e o outro torna-se por suas lágrimas indigno das dos outros. Vou eu chorar por Hércules queimado vivo; por Régulo crivado com mil pontas ou por Catão, que suportou com coragem tantos golpes? Todos estes heróis, pelo sacrifício de uma insignificante parte de sua existência, souberam tornar-se eternos e a morte foi para eles o caminho da imortalidade.”
Sêneca, in Da tranquilidade da alma

28/08/2012

Sermão contra a estupidez e o egoísmo

"A reprovação do egoísmo, que se pregou com tamanha convicção casmurra, prejudicou certamente, no conjunto, esse sentimento (em benefício, hei-de repeti-lo milhares e milhares de vezes, dos instintos gregários do homem), e prejudicou-o, nomeadamente no fato de o ter despojado da sua boa consciência e de lhe ter ordenado a procurar em si próprio a verdadeira fonte de todos os males. ‘O teu egoísmo é a maldição da tua vida’, eis o que se pregou durante milênios: esta crença, como eu ia dizendo, fez mal ao egoísmo; tirou-lhe muito espírito, serenidade, engenhosidade e beleza; bestializou-o, tornou-o feio, envenenado.
Os filósofos antigos indicavam, ao contrário, uma fonte completamente diferente para o mal; os pensadores não cessaram de pregar desde Sócrates: ‘É a vossa irreflexão, são a vossa estupidez, o vosso hábito de vegetar obedecendo à regra e de vos subordinar ao juízo do próximo, que vos impedem tão amiudadamente de serdes felizes; somos nós, pensadores, que o somos mais, porque pensamos’. Não nos perguntemos aqui se este sermão contra a estupidez tem mais fundamentos do que o sermão contra o egoísmo; o que é certo é que despojou a estupidez da sua boa consciência: estes filósofos foram prejudiciais à estupidez!”
Friedrich Nietzsche, in A Gaia Ciência

09/08/2012

Os homens e as opiniões

“O que perturba os homens não são as coisas, e sim as opiniões que eles têm em relação às coisas. A morte, por exemplo, nada tem de terrível, senão tê-lo-ia parecido assim a Sócrates. Mas a opinião que reina em relação à morte, eis o que a faz parecer terrível a nossos olhos. Por conseguinte, quando estivermos embaraçados, perturbados ou penalizados, não o atribuamos a outrem, mas a nós próprios, isto é, às nossas próprias opiniões“.
Epicteto, in Manual

08/08/2012


“Poucos são os bons, poucos são os ruins; a maioria oscila entre os dois”.
Sócrates

17/05/2012


É pior cometer uma injustiça do que sofrê-la, porque quem a comete transforma-se num injusto e quem a sofre não.
Sócrates

07/08/2011

“A virtude não provém da riqueza, mas sim que a virtude que traz a riqueza ou qualquer coisa útil aos homens, quer na vida pública, quer na vida privada”.
  Sócrates