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21/04/2021

Engano

É tão fácil enganar-se a si mesmo sem o perceber, como é difícil enganar os outros sem que o percebam.”

La Rochefoucauld, in Reflexões

23/12/2018

Nos outros

Se não tivéssemos tantos defeitos, não nos agradaria tanto notá-los nos outros.”

La Rochefoucauld

07/01/2018

Paixão

Se resistimos às nossas paixões, é mais pela fraqueza delas que pela nossa força.”

La Rochefoucauld

30/11/2017

(in)feliz

Nunca somos tão infelizes como supomos, nem tão felizes como havíamos esperado.”

La Rochefoucauld

01/11/2017

Acerca do "gosto"

A palavra “gosto” tem vários significados e é fácil o engano. Há uma diferença entre aquele gosto que nos leva a escolher coisas e aquele que nos leva a conhecer e discernir as qualidades quando se segue as regras. Podemos gostar de comédias sem ter um gosto tão apurado e delicado que nos permita ajuizar do seu valor, como podemos ter o bom gosto para emitir juízos sobre as comédias, sem gostar desse gênero dramático. Existe um tipo de gosto que nos aproxima imperceptivelmente do que temos à nossa frente, há outros que nos prendem pela sua força e duração.
Também há pessoas que têm mau gosto em tudo, outras só nalgumas coisas, mas ambos os casos têm esse direito, no que toca ao alcance que cada um tem. Outros ainda têm gostos particulares, que sabem que são maus, sem deixarem de segui-los. Há aqueles que têm gostos imprecisos e estes deixam que o acaso decida por eles. Mudam com ligeireza e ficam contentes ou maçam-se com o que os seus amigos dizem. Outros são sempre previstos, sendo escravos de todos os seus gostos, respeitando-os em todas as matérias. Há quem seja sensível ao bem e que se choque com o que é mau. Os pontos de vista destas pessoas são claros e justos e encontram a razão de ser dos seus gostos no seu espírito e no seu discernimento.
Há também aqueles que, por uma espécie de instinto, cuja causa lhes é desconhecida, decidem sobre quem lhes aparece e tomam sempre o bom partido. Estes terão mais gosto do que encanto, porque o seu amor-próprio e temperamento não prevalecem sobre as suas qualidades inatas. Nestas pessoas tudo está em sintonia, o que as faz julgar ponderadamente sobre os assuntos, formando nelas ideias firmes. Porém, se falarmos de um modo geral, há poucas pessoas com um gosto firme e independente do gosto dos outros, seguindo o exemplo e os hábitos da moda, copiando quase tudo o que diz respeito ao gosto.
Em todas estas diferenças de gosto que relatamos, é raríssimo, quase impossível, encontrar aquele bom gosto que sabe avaliar o preço de cada coisa, que conhece todo o seu valor e que aprecia todo o gênero. Os nossos conhecimentos são demasiado limitados e o equilíbrio das qualidades que são necessárias para bem ajuizar das coisas não ultrapassa normalmente o que não nos diz diretamente respeito. Quando se trata de nós, o nosso gosto não tem esse equilíbrio tão necessário, porque as nossas preocupações intervêm. Tudo o que nos diz respeito aparece-nos de outra forma. Ninguém é capaz de ver com os mesmos olhos aquilo que o toca e aquilo que não lhe diz respeito. No primeiro caso, o nosso gosto é guiado então pelo peso do amor-próprio e do temperamento, os quais nos fornecem novos pontos de vista e sujeitam-nos a um número quase infinito de mudanças e de incertezas. Então, nesse caso, o nosso gosto já não nos pertence, não temos poder sobre ele, muda sem que queiramos e os mesmos objetos aparecem-nos de tantas formas diferentes que chegamos a desconhecer o que já vimos e o que já sentimos.
La Rochefoucauld, in Reflexões

08/04/2017

07/02/2017

As revoluções do amor e da vida

O amor é uma imagem da nossa vida. Tanto o primeiro como a segunda estão sujeitos às mesmas revoluções e mudanças. A sua juventude é resplandecente, alegre e cheia de esperanças porque somos felizes por ser jovens tal como somos felizes por amar. Este agradabilíssimo estado leva-nos a procurar outros bens muito sólidos. Não nos contentamos nessa fase da vida com o fato de subsistirmos, queremos progredir, ocupamo-nos com os meios para nos aperfeiçoarmos e para assegurar a nossa boa sorte. Procuramos a proteção dos ministros, mostrando-nos solícitos e não aguentamos que outrem queira o mesmo que temos em vista. Este estímulo cumula-nos de mil trabalhos e esforços que logo se apagam quando alcançamos o desejado. Todas as nossas paixões ficam então satisfeitas e nem por sombras podemos imaginar que a nossa felicidade tenha fim.
No entanto, esta felicidade raramente dura muito e fatiga-se da graça da novidade. Para possuirmos o que desejamos não paramos de desejar mais e mais. Habituamo-nos ao que temos, mas os mesmos haveres não conservam o seu preço, como nem sempre nos tocam do mesmo modo. Mudamos imperceptivelmente sem disso nos apercebermos. O que já adquirimos torna-se parte de nós mesmos e sofreríamos muito com a sua perda, mas já não somos sensíveis ao prazer de conservar o adquirido. A alegria já não é viva, procuramos noutro lado que não naquele que tanto desejamos. Esta inconstância involuntária acontece com o tempo que, sem querermos, não perdoa: mexe no nosso amor e na nossa vida. Apaga sub-repticiamente dia-a-dia algo da nossa juventude e da nossa alegria, destruindo os nossos maiores encantos. Tornamo-nos mais circunspectos e juntamos negócios às paixões. O amor já não subsiste por si mesmo, indo alimentar-se de ajudas exteriores. Este estádio do amor corresponde àquela idade em que começamos a ver por onde devemos acabar com ele, mas não temos a força para acabar diretamente. No declínio, no amor como no da vida, ninguém quer resolver-se a evitar a maneira de prevenir os desgostos que ainda estão por vir; ainda se vive para aceitar os males futuros, mas não para os prazeres. Os ciúmes, a desconfiança, o medo de nos tornarmos maçadores e o medo que nos abandonem são males ligados à velhice do amor, tal como as doenças se agarram à demasiado longa duração da vida. Nesta idade, sentimo-nos viver, porque sentimos que estamos doentes, como só sabemos que estamos apaixonados quando sentimos as penas do amor. Só se sai do adormecimento das relações demasiado longas pelo enfado e pelo desgosto de ainda nos vermos agarrados. Enfim, de todas as decrepitudes, a do amor é a mais insuportável.
La Rochefoucauld, in Reflexões

25/01/2017

Defeitos

Se não tivéssemos tantos defeitos, não nos agradaria tanto notá-los nos outros.”

La Rochefoucauld

28/12/2016

Amor de verdade

O verdadeiro amor é como a aparição dos espíritos: toda a gente fala dele, mas poucos o viram.”

La Rochefoucauld

20/12/2015

Maus exemplos, bons conselhos

Os velhos gostam de dar bons conselhos para se consolarem de já não estarem em estado de dar maus exemplos.”
La Rochefoucauld

27/08/2015

Verdadeiro amor

O verdadeiro amor é como a aparição dos espíritos: toda a gente fala dele, mas poucos o viram.”
La Rochefoucauld

03/07/2014

As amizades

"As amizades renovadas exigem mais cuidados do que aquelas que nunca foram interrompidas."
La Rochefoucauld

10/06/2014

Aborrecimentos

"Perdoamos com facilidade àqueles que nos aborrecem, mas não conseguimos perdoar àqueles a quem aborrecemos."
La Rochefoucauld

04/12/2013

Acaso

"Embora os homens se gabem dos seus grandes feitos, estes, muitas vezes, são consequência, não de um forte desígnio, mas do acaso."
La Rochefoucauld

14/11/2013

Bom senso

"Só achamos que as outras pessoas têm bom senso quando são da nossa opinião."
La Rochefoucauld

11/10/2013

Coragem

"Ninguém pode pronunciar-se acerca da sua coragem quando nunca esteve em perigo."
La Rochefoucauld

29/09/2013

Agradar

"Um homem a quem ninguém agrada é bem mais infeliz do que aquele que não agrada a ninguém."
La Rochefoucauld

26/09/2013

A verdadeira bondade

"Nada é mais raro que a verdadeira bondade; até os que julgam tê-la apenas têm normalmente condescendência ou fraqueza."
La Rochefoucauld

18/09/2013

Aparências

"O mundo recompensa com mais frequência as aparências do mérito do que o próprio mérito."
La Rochefoucauld