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18/11/2020

Dobrável

 “O dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra facilmente qualquer um.”

Millôr Fernandes

21/05/2019

Por merecimento

“Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo.”
Millôr Fernandes

30/06/2018

Único fim

“O dinheiro é um dos fins para se viver feliz: os homens transformaram-no no único fim. ”
Anatole France

10/07/2016

Exagerado culto ao dinheiro

“O mal da província não está só nessas pequenas vaidades inofensivas, o seu pior mal provém de um exagerado culto ao dinheiro. Quem não tem dinheiro nada vale, nada pode fazer, nada pode aspirar com independência. Não há metabolia de classes. A inteligência pobre que se quer fazer, tem que se curvar aos ricos e cifrar a sua atividade mental em produções incolores, sem significação, sem sinceridade, para não ofender os seus protetores. A brutalidade do dinheiro asfixia e embrutece as inteligências”.
Lima Barreto, in Os Bruzundangas

06/07/2016

Dinheiro

“O dinheiro é uma espécie de molho que faz passar na goela as mais insípidas viandas deste mundo.”
Machado de Assis

04/01/2016

Eu não acredito no Max Gehringer: a prosa poética corporativa

O universo corporativo se arma de cartilhas cheias de clichês que testam, se repetem para doutrinar e gerar ganância. Fomentam a competição que, contraditoriamente, se disfarça em filosofia de equipe. A mensagem subliminar é uma só e reflete o fim maior do capitalismo: vença pelo meu lucro, não pelo seu.

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Precisei de quase meio século para aceitar a diferença entre amigos da onça e amigos do peito. Sim, quase 50 anos para entender a distância entre o colega de baia e o companheiro incondicional. Com o companheiro, com o amigo, não existe vácuo.
Meio século para descobrir que ser solidário não depende do amor, da amizade, do coleguismo e nem da proximidade. Solidariedade é um substantivo que nos qualifica, que nos diferencia das bestas, que nos distingue das feras. Solidarizar-se é um gesto que ampara e nos civiliza.
Amadureci quando tirei do dicionário a palavra lealdade e assimilei o seu significado. Lealdade é um tipo de fé e só alcançam a fé os que não perderam a nobreza da índole. Mente quem é amigo de todos.
Foram quase 5 décadas trabalhando em corporações de grande porte e multinacionais para descobrir que o mundo corporativo reverte homens em canibais e que na filosofia de equipe não cabe a mão estendida que salva, é mais comum a que empurra. Nas grandes empresas, o horizonte se confunde com o abismo. Você pode escolher ser tolo e sentimental, pode socorrer a quem demonstrar necessidade, pode ajudar um desempregado a se recolocar. Sim, você pode ser poeta, mas não escutará eco em versos. Caso perca o emprego, não se surpreenda se aqueles a quem apoiou o negligenciem e ofereçam como precária sugestão o endereço eletrônico do “vagas.com”. Porém, não ceda a generalizações, não imagine que o tudo é feito de bestas ingratas. As bestas sabem onde habitam.
Então, como um náufrago desencantado, você decide fundar sua própria ilha. Renuncia ao convívio com as feras, rejeita ter o seu caráter estuprado por um carimbo na carteira de trabalho e embarca numa nau aventureira em busca do Eu que o sustenta. O universo se reduz, os amigos minguam, a solidão alvorece e o dinheiro não terá o mesmo fluxo. Um processo que mostra, de repente, um sítio que se resume ao mínimo, somente ao que você pode realmente enxergar, somente ao que você toca e àquilo que o toca também. A verdade se limita ao necessário, o resto é o sólido que se desmancha no ar.

Você percebe que está envelhecendo e que a maioria dos amores foram vãos. Percebe que passou longos intervalos esquecendo-se do amor próprio, de amar a si mesmo. Você poderia arrepender-se, mas aprendeu ser pragmático. O tempo à frente é um oceano aberto e você o navega consciente da última lição.

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Estabelecido em sua ilha, você olha ao redor e constata que os amigos são menos intensos do que a solidão, que os amores não são eternos, que o dinheiro é melhor quando serve à plenitude e não ao luxo. Ser leve preserva o sonho de voar. Na sua própria ilha, você tem menos amizades, menos grana e ilusões infantis. No entanto, consegue avistar a terra de uma ponta à outra e crê ver nisso uma tremenda vastidão. Você não teme mais que o abraço do outro abrigue um punhal, você não sente o peso dos grilhões.
Seu mundo se tornou real e a paz ganha contorno de flores. O que chamam de felicidade, você descobre que é o aroma da terra molhada, de chuva e de sol que colorem um arco-íris sempre inesperado. A vida pode ser pequena, mas a alma não.
Alexandre Coslei, in lounge.obviousmag.org

13/02/2014

Sob suspeita

“Moralmente, é tão condenável não querer saber se uma coisa é verdade ou não, desde que ela nos dê prazer, quanto não querer saber como conseguimos o dinheiro, desde que ele esteja na nossa mão.”
Edmund Way Teale, in Circle of the Seasons

30/10/2013

Matam e morrem

"Três mais há neste mundo pelos quais anelam, pelos quais morrem e pelos quais matam os homens: mais fazenda; mais honra; mais vida."
Padre Antônio Vieira

07/09/2013

Para que as riquezas?

"Todas as riquezas do mundo, ainda mesmo nas mãos de um homem inteiramente devotado à ideia do progresso, jamais trarão o menor desenvolvimento moral para a humanidade. Somente seres humanos excepcionais e irrepreensíveis suscitam ideias generosas e ações elevadas. Mas o dinheiro polui tudo e degrada sem piedade a pessoa humana. Não posso comparar a generosidade de um Moisés, de um Jesus ou de um Gandhi com a generosidade de uma Fundação Carnegie Qualquer."
Albert Einstein, in Como vejo o mundo

26/05/2013

Ser humano: um projeto por concluir

"Todos os anos exterminamos comunidades indígenas, milhares de hectares de florestas e até inúmeras palavras das nossas línguas. A cada minuto extinguimos uma espécie de aves e alguém em algum lugar recôndito contempla pela última vez na Terra uma determinada flor. Konrad Lorenz não se enganou ao dizer que somos o elo perdido entre o macaco e o ser humano. Somos isso, uma espécie que gira sem encontrar o seu horizonte, um projeto por concluir. Falou-se bastante ultimamente do genoma e, ao que parece, a única coisa que nos distancia na realidade dos animais é a nossa capacidade de esperança. Produzimos uma cultura de devastação baseada muitas vezes no engano da superioridade das raças, dos deuses, e sustentada pela desumanidade do poder econômico. Sempre me pareceu incrível que uma sociedade tão pragmática como a ocidental tenha deificado coisas abstratas como esse papel chamado dinheiro e uma cadeia de imagens efêmeras. Devemos fortalecer, como tantas vezes disse, a tribo da sensibilidade...”
José Saramago, in Revista Universidad de Antioquia (2001)

24/05/2013

O outro lado da vida

“Não me atrai ser banqueiro, ter dinheiro. Há pessoas diferentes. Atrai-me o outro lado da vida, o outro lado do mar, alguma coisa perfeita, um dia que tenha uma manhã com muito orvalho, restos de geada… De resto, não tenho grandes projetos. Acho que o planeta está perdido e que, provavelmente, a hipótese de Antônio José Saraiva está certa: é melhor que isto se estrague mais um bocadinho, para ver se as pessoas têm mais tempo para olhar para os outros.”
Al Berto, in Entrevista à revista Ler (1989)

01/09/2012

"O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a."
Karl Marx

23/08/2012

A fúria cega à caça do dinheiro


Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão de nossa época. Eles esquecem o que têm de de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?
Quero que abras os olhos, Eugênio, que acordes enquanto é tempo. Peço-te que pegues a minha Bíblia que está na estante de livros, perto do rádio, leias apenas o Sermão da Montanha. Não te será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar esse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo, que não trabalham, nem fiam, e no entanto nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles. 
Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu. 
Não penses que estou fazendo o elogio do puro espírito contemplativo e da renúncia, ou acho que o povo deva viver narcotizado pela esperança da felicidade na “outra vida”. Há na terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo.
Quando falo em conquista, quero dizer a conquista duma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.
E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades e malvadezas, absurdos e misérias do mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que essa luta nos trará, das horas amargas a que ela forçosamente nos há de levar.
Érico Veríssimo, in Olhai os lírios do campo

16/08/2012

Sobre êxito, dinheiro e felicidade

“A raiz do mal reside no fato de se insistir demasiadamente que no êxito da competição está a principal fonte da felicidade. Não nego que o sentimento do triunfo torna a vida mais agradável. Um pintor, por exemplo, que viveu obscuramente na juventude, decerto se sentirá feliz se o seu talento acabar por ser reconhecido. Não nego também que o dinheiro, até um certo limite, é capaz de aumentar a felicidade; para lá desse limite, julgo que não. O que eu afirmo é que o êxito só pode ser um dos vários elementos da felicidade e que é demasiado o preço pelo qual se obtém se a ele se sacrificam todos os outros”.
Bertrand Russell, in A Conquista da Felicidade