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13/07/2026

Primeiras palavras




A questão da formação docente ao lado da reflexão sobre a prática educativo-progressiva em favor da autonomia do ser dos educandos é a temática central em torno de que gira este texto. Temática a que se incorpora a análise de saberes fundamentais àquela prática e aos quais espero que o leitor crítico acrescente alguns que me tenham escapado ou cuja importância não tenha percebido.
Devo esclarecer aos prováveis leitores e leitoras o seguinte: na medida mesma em que esta vem sendo uma temática sempre presente às minhas preocupações de educador, alguns dos aspectos aqui discutidos não têm sido estranhos a análises feitas em livros meus anteriores. Não creio, porém, que a retomada de problemas entre um livro e outro e no corpo de um mesmo livro enfade o leitor. Sobretudo quando a retomada do tema não é pura repetição do que já foi dito. No meu caso pessoal, retomar um assunto ou tema tem que ver principalmente com a marca oral de minha escrita. Mas tem que ver também com a relevância que o tema de que falo e a que volto tem no conjunto de objetos a que direciono minha curiosidade. Tem que ver também com a relação que certa matéria tem com outras que vêm emergindo no desenvolvimento de minha reflexão. É neste sentido, por exemplo, que me aproximo de novo da questão da inconclusão do ser humano, de sua inserção num permanente movimento de procura, que rediscuto a curiosidade ingênua e a crítica, virando epistemológica. É nesse sentido que reinsisto em que formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas, e por que não dizer também da quase obstinação com que falo de meu interesse por tudo o que diz respeito aos homens e às mulheres, assunto de que saio e a que volto com o gosto de quem a ele se dá pela primeira vez. Daí a crítica permanentemente presente em mim à malvadez neoliberal, ao cinismo de sua ideologia fatalista e a sua recusa inflexível ao sonho e à utopia.
Daí o tom de raiva, legítima raiva, que envolve o meu discurso quando me refiro às injustiças a que são submetidos os esfarrapados do mundo. Daí o meu nenhum interesse de, não importa que ordem, assumir um ar de observador imparcial, objetivo, seguro, dos fatos e dos acontecimentos. Em tempo algum pude ser um observador “acinzentadamente” imparcial, o que, porém, jamais me afastou de uma posição rigorosamente ética. Quem observa o faz de um certo ponto de vista, o que não situa o observador em erro. O erro na verdade não é ter um certo ponto de vista, mas absolutizá-lo e desconhecer que, mesmo do acerto de seu ponto de vista, é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele.
O meu ponto de vista é o dos “condenados da Terra”, o dos excluídos. Não aceito, porém, em nome de nada, ações terroristas, pois que delas resultam a morte de inocentes e a insegurança de seres humanos. O terrorismo nega o que venho chamando de ética universal do ser humano. Estou com os árabes na luta por seus direitos, mas não pude aceitar a malvadez do ato terrorista nas Olimpíadas de Munique.
Gostaria, por outro lado, de sublinhar a nós mesmos, professores e professoras, a nossa responsabilidade ética no exercício de nossa tarefa docente. Sublinhar esta responsabilidade igualmente àquelas e àqueles que se acham em formação para exercê-la. Este pequeno livro se encontra cortado ou permeado em sua totalidade pelo sentido da necessária eticidade que conota expressivamente a natureza da prática educativa, enquanto prática formadora. Educadores e educandos não podemos, na verdade, escapar à rigorosidade ética. Mas é preciso deixar claro que a ética de que falo não é a ética menor, restrita, do mercado, que se curva obediente aos interesses do lucro. Em escala internacional começa a aparecer uma tendência em acertar os reflexos cruciais da “nova ordem mundial” como naturais e inevitáveis. Num encontro internacional de ONGs, um dos expositores afirmou estar ouvindo com certa frequência em países do Primeiro Mundo a ideia de que crianças do Terceiro Mundo, acometidas por doenças como diarreia aguda, não deveriam ser salvas, pois tal recurso só prolongaria uma vida já destinada à miséria e ao sofrimento.1 Não falo, obviamente, desta ética. Falo, pelo contrário, da ética universal do ser humano. Da ética que condena o cinismo do discurso citado acima, que condena a exploração da força de trabalho do ser humano, que condena acusar por ouvir dizer, afirmar que alguém falou A sabendo que foi dito B, falsear a verdade, iludir o incauto, golpear o fraco e indefeso, soterrar o sonho e a utopia, prometer sabendo que não cumprirá a promessa, testemunhar mentirosamente, falar mal dos outros pelo gosto de falar mal. A ética de que falo é a que se sabe traída e negada nos comportamentos grosseiramente imorais como na perversão hipócrita da pureza em puritanismo. A ética de que falo é a que se sabe afrontada na manifestação discriminatória de raça, de gênero, de classe. É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar. E a melhor maneira de por ela lutar é vivê-la em nossa prática, é testemunhá-la, vivaz, aos educandos em nossas relações com eles. Na maneira como lidamos com os conteúdos que ensinamos, no modo como citamos autores de cuja obra discordamos ou com cuja obra concordamos. Não podemos basear nossa crítica a um autor na leitura feita por cima de uma ou outra de suas obras. Pior ainda, tendo lido apenas a crítica de quem só leu a contracapa de um de seus livros.
Posso não aceitar a concepção pedagógica deste ou daquela autora, e devo inclusive expor aos alunos as razões por que me oponho a ela, mas o que não posso, na minha crítica, é mentir. É dizer inverdades em torno deles. O preparo científico do professor ou da professora deve coincidir com sua retidão ética. É uma lástima qualquer descompasso entre aquela e esta. Formação científica, correção ética, respeito aos outros, coerência, capacidade de viver e de aprender com o diferente, não permitir que o nosso mal-estar pessoal ou a nossa antipatia com relação ao outro nos façam acusá-lo do que não fez são obrigações a cujo cumprimento devemos humilde, mas perseverantemente, nos dedicar.
É não só interessante mas profundamente importante que os estudantes percebam as diferenças de compreensão dos fatos; as posições às vezes antagônicas entre professores na apreciação dos problemas e no equacionamento de soluções. Mas é fundamental que percebam o respeito e a lealdade com que um professor analisa e critica as posturas dos outros.
De quando em vez, ao longo deste texto, volto a este tema. É que me acho absolutamente convencido da natureza ética da prática educativa enquanto prática especificamente humana. É que, por outro lado, nos achamos, ao nível do mundo e não apenas do Brasil, de tal maneira submetidos ao comando da malvadez da ética do mercado, que me parece ser pouco tudo o que façamos na defesa e na prática da ética universal do ser humano. Não podemos nos assumir como sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos. Neste sentido, a transgressão dos princípios éticos é uma possibilidade mas não é uma virtude. Não podemos aceitá-la.
Não é possível ao sujeito ético viver sem estar permanentemente exposto à transgressão da ética. Uma de nossas brigas na história, por isso mesmo, é exatamente esta: fazer tudo o que possamos em favor da eticidade, sem cair no moralismo hipócrita, ao gosto reconhecidamente farisaico. Mas faz parte igualmente desta luta pela eticidade recusar, com segurança, as críticas que veem na defesa da ética precisamente a expressão daquele moralismo criticado. Em mim, a defesa da ética jamais significou sua distorção ou negação.
Quando, porém, falo da ética universal do ser humano estou falando da ética enquanto marca da natureza humana, enquanto algo absolutamente indispensável à convivência humana. Ao fazê-lo estou advertido das possíveis críticas que, infiéis a meu pensamento, me apontarão como ingênuo e idealista. Na verdade, falo da ética universal do ser humano da mesma forma como falo de sua vocação ontológica para o Ser Mais, como falo de sua natureza constituindo-se social e historicamente não como um a priori da história. A natureza que a ontologia cuida se gesta socialmente na história. É uma natureza em processo de estar sendo com algumas conotações fundamentais sem as quais não teria sido possível reconhecer a própria presença humana no mundo como algo original e singular. Quer dizer, mais do que um ser no mundo, o ser humano se tornou uma presença no mundo, com o mundo e com os outros. Presença que, reconhecendo a outra presença como um “não eu” se reconhece como “si própria”. Presença que se pensa a si mesma, que se sabe presença, que intervém, que transforma, que fala do que faz mas também do que sonha, que constata, compara, avalia, valora, que decide, que rompe. E é no domínio da decisão, da avaliação, da liberdade, da ruptura, da opção, que se instaura a necessidade da ética e se impõe a responsabilidade. A ética se torna inevitável e sua transgressão possível é um desvalor, jamais uma virtude.
Na verdade, seria incompreensível se a consciência de minha presença no mundo não significasse já a impossibilidade de minha ausência na construção da própria presença. Como presença consciente no mundo não posso escapar à responsabilidade ética no meu mover-me no mundo. Se sou puro produto da determinação genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no mover-me no mundo, e se careço de responsabilidade não posso falar em ética. Isso não significa negar os condicionamentos genéticos, culturais, sociais a que estamos submetidos. Significa reconhecer que somos seres condicionados mas não determinados. Reconhecer que a história é tempo de possibilidade e não de determinismo, que o futuro, permita-se-me reiterar, é problemático e não inexorável.
Devo enfatizar também que este é um livro esperançoso, um livro otimista, mas não ingenuamente construído de otimismo falso e de esperança vã. As pessoas, porém, inclusive de esquerda, para quem o futuro perdeu sua problematicidade — o futuro é um dado dado —, dirão que ele é mais um devaneio de sonhador inveterado.
Não tenho raiva de quem assim pensa. Lamento apenas sua posição: a de quem perdeu seu endereço na história.
A ideologia fatalista, imobilizante, que anima o discurso neoliberal anda solta no mundo. Com ares de pós-modernidade, insiste em convencer-nos de que nada podemos contra a realidade social que, de histórica e cultural, passa a ser ou a virar “quase natural”. Frases como “a realidade é assim mesmo, que podemos fazer?” ou “o desemprego no mundo é uma fatalidade do fim do século” expressam bem o fatalismo desta ideologia e sua indiscutível vontade imobilizadora. Do ponto de vista de tal ideologia, só há uma saída para a prática educativa: adaptar o educando a esta realidade que não pode ser mudada. O de que se precisa, por isso mesmo, é o treino técnico indispensável à adaptação do educando, à sua sobrevivência. O livro com que volto aos leitores é um decisivo não a esta ideologia que nos nega e amesquinha como gente.
De uma coisa qualquer texto necessita: que o leitor ou a leitora a ele se entregue de forma crítica, crescentemente curiosa. É isto o que este texto espera de você, que acabou de ler estas “Primeiras palavras”.
São Paulo
Setembro de 1996

Paulo Freire, em Pedagogia da autonomia Saberes necessários à prática educativa 

28/07/2022

Escrever

 “Não tenho por que não repetir, nesta carta, que a afirmação segundo a qual a preocupação com o momento estético da linguagem não pode afligir ao cientista, mas ao artista, é falsa. Escrever bonito é dever de quem escreve, sem importar o quê e sobre o quê.”

Paulo Freire, in Cartas a Cristina: reflexões sobre minha vida e minha práxis

04/11/2019

A vidinha sururu da desigualdade brasileira

Com o chileno Roberto Bolaño e o brasileiro Graciliano Ramos como guias, uma crônica sampleada de discos de vinil


Ô Josué, nunca vi tamanha desgraça/ Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça”, solta o vinil, o blues espiritual do Chico Science, e lá vai o homem-caranguejo vestido de petróleo em vez da lama do mangue. Os tambores da Nação Zumbi pesam uma tonelada de denúncia desde os anos 1990. É história, bróder.
Lascou a tabaca de Xôla, linda e folclórica cadela recifense, a autêntica e verdadeira travesti canina que representa hoje o cão sem plumas do poeta João Cabral de Melo Neto. Xôla sem pelo e sem esperança foi vítima do vinhoto das usinas que matou muitos rios e riachos de Pernambuco.
Uma vida sururu”, emenda o marisqueiro que disso vive, ostra oleada, repetindo o Luis da Silva do livro Angústia e sua existência entre a burocracia da repartição e o ostracismo — obra universal do gênio russo-alagoano chamado Graciliano Ramos, o melhor livro brasileiro de todos os tempos.
O marisqueiro esmorecido diante de tanto piche nas beiras do Manguaba e do Camaragibe, o marisqueiro já não enfia as ventas na fartura faz é tempo, imagina agora, só imagina a riqueza, qual Baleia sonhando preás, no que chegamos a Vidas Secas, o segundo maior livro da humanidade depois de Angústia.
Ah esse mundão que já foi a lagoa do Mundaú.
Xola me lambe a cara, no carinho das arruaças mundanas, que cachorra, e sigo nessa crônica sampleada: “O que não tem governo, nem nunca terá”, eis o scratch do outro Chico, didáticos arranhões de um DJ no disco de cera de carnaúba, a santa palmeira que está sendo demolida. “Deus é uma coisa brasileira, nordestinamente paciente./ Oh! blood moon.”, deixou aí uma raspinha vinilizada do santo Belchior.
E sabe quem baixa no terreiro agora? O Gog, rapaz, meu Victor Hugo lá das quebradas de Brasília, cabra forte de Riacho Fundo, também autor de Os Miseráveis, lembro bem do nosso encontro na quebrada do DF no ano da graça de 1997, esse poeta sempre teve a palavra desigualdade como relâmpago de tempestade sobre o cerrado, você já se molhou com uma chuva forte sobre o federal distrito?
Desigualdade, repete o coro dos descontentes.
Entre todas as palavras do momento, a mais flamejante talvez seja: desigualdade. E nem é uma boa palavra, incomoda. Começa com des. Des de desalento, des de desespero, des de desesperança. Des, definitivamente, não é um bom prefixo.
Desigualdade.
A danada pisca qual um velho neon da rua Augusta, que me desculpem a infâmia. Haveremos de falar dos nossos velhos inconscientes envelhecidos e fosforescentes. A vida é a palavra que brilha.
A palavra do ano, talvez da década, doravante ouviremos falar muito dela. No dicionário Oxford? Pouco importa. A palavra que demole as estatísticas do mercado.
Babélica e falante quais os mendigos e povos de rua da cidade mais rica do pais, você, palavrinha maldita, já andava pela São João com a Ipiranga, você já viu que alguma coisa acontece.
Tal vocábulo acaba de ser reescrito, com fumaça, nos céus da América Latina, por aviões de uma certa esquadrilha. Não apenas no Chile do gênio-mor Roberto Bolaño, o incrível & superlativo monstro que nos deixou o legado da Estrela Distante e A Literatura Nazista na América, entre outras ideias selvagens que fazem terremotos na estante.
A diferença é que nem todo mundo consegue olhar para cima e ler nos céus como se fosse uma lousa azul do professor Paulo Freire. De-si-gual-da-de.
Como se fosse a faísca, o corisco da sabedoria, quase um Pentecostes bíblico, um bacurau pedagógico. A palavra mágica que fez o milagre de Angicos, no Rio Grande do Norte, quando o método Paulo Freire, em apenas 40 horas de aula alfabetizou 300 extraordinários seres humanos. Maio de 1963.
Há quem mire os céus e não veja nada ainda, como se morasse em São Paulo e a ideia de paraíso fosse o termômetro da Faria Lima.
Há quem não veja nem soletre, mas está escrita no destino de todos os busões da cidade, sentido centro/subúrbio, está na linha reta dos trens e nas curvas da avenida Sapopemba. Está igualmente nas letras garrafais do desespero dos alcoólatras.
Não espere nada do centro se a periferia está morta”, já dizia a banda “mundo livre s/a” quando o modelo escola de Chicago começou a gerar o ovo do desastre.
Desigualdade, quem te escreveu com muita força, furando o papel carbono da história, foi o poeta mineiro Adão Ventura, me contou o Ricardo Aleixo lá no “Além da letra”, o festival de literatura e música de Gonçalves, serra da Mantiqueira, Minas Gerais. A palavra desigualdade dança no vento e ventre das águas do Jequitinhonha, recitou o redemoinho.
Solano Trindade, no semáforo, sinal fechado, fez seu primeiro rap, “tem gente com fome, tem gente com fome”, somente com substantivos deste mesmo dicionário. Você ainda não conhece o Solano? Corra, dá tempo.
Dá tempo para você entender que vivemos uma desigualdade fela da puta. Pegue um busão da Paulista para a Cidade Tiradentes, nem carece recorrer às estatísticas do Nordeste, passe o vale-transporte (enquanto ele ainda existe sob o comando de Paulo Guedes) na catraca e simbora. Dos Jardins ao extremo leste há uma viagem no tempo, sem direito a ficção científica. O patrão jardinesco vive 23 anos a mais, em média, do que um humaníssimo habitante da CT, por todas as razões sociais que a gente bem conhece. Que merda.
Evitei as estatísticas nessa crônica. Poderia matar de desesperança os leitores, os números rendem manchetes, mas carecem de rostos humanos. A ideia era apenas refletir sobre a palavra desigualdade nesse perigo da hora. E repare que é a visão de um brasileiro que veio das vidas secas e vive hoje uma situação privilegiada diante da maioria dos viventes.
Pega a visão, imprensa, só há uma possibilidade de fazer a grande cobertura: mire-se na desigualdade, talvez não haja mais jeito de achar que os pontos da bolsa de valores signifiquem a ideia de fazer um país.
Xico Sá, in El País, 28/10/2019 (acesse aqui)

28/01/2015

A educação transforma a sociedade

“Não é possível refazer este país, democratizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo. Todos educam-se entre si, mediatizados pelo mundo.”
Paulo Freire

15/04/2014

Otimismo crítico


“Uma das fundamentais diferenças entre mim e intelectuais fatalistas que não sonham, não creem em utopias, está no otimismo crítico e nada ingênuo que me anima.”
Paulo Freire

23/06/2012


“Sempre que eu aprendo, eu também ensino e sempre que eu ensino alguma coisa, eu aprendo alguma coisa em troca.”
Paulo Freire

18/03/2012


“O que me surpreende na aplicação de uma educação realmente libertadora é o medo da liberdade”.
  Paulo Freire