4.
Fernando pediu que eu tentasse dormir
durante a viagem para evitar certa indisposição. Disposto e
indisposto eram palavras que ele usava muito para classificar o
estado geral das pessoas de acordo com a saúde, o humor, a qualidade
do sono, a reação dos órgãos às alterações de temperatura, a
alegria, a esperança, a situação do nariz. Tu precisas sonhar para
ter algum alívio, ele quase suplicava. Era sempre um assunto muito
sério o tema dos sonhos, quase um tratamento para minha salvação.
São os delírios do desvelo que vão te salvar, ouvi muito essa
frase até decorar, delírio e desvelo. Não sei se eu sabia dessas
palavras antes.
— É bonito.
— O quê?
— Delírio do desvelo. Soa familiar
no meu trabalho.
— Confesso que sua profissão me
impressiona, você é muito calmo para um criminoso.
— Não é tudo crime, só uma parte.
E o delito bem-feito é arte, exige paciência. A frieza e o
autocontrole são os segredos dos estrategistas bem-sucedidos.
Continua a contar, por favor, nosso tempo é curto para tantas
coisas. Então começaste o caderno de sonhos nesse dia?
— Sim. Abri o caderno pela primeira
vez e não estava totalmente em branco, havia uma frase na primeira
página, no meio: Livro das Visões. Não era a letra de Florice, eu
tinha visto quando abriu o caderninho e passou as páginas na minha
frente. Ela escrevia com ondas, curvas, uma caligrafia muito
enfeitada em contraste com a dele, de linhas retas, três palavras.
Livro das Visões.
Na segunda página comecei:
Saí de um buraco na terra da
Almofala, em Portugal. Estava nua e careca, só usava um colar de
búzios. Não sei o meu nome. Fui salva por um casal de idosos. Tenho
cortes e marcas de violência no corpo. Sou brasileira. Consigo ver
os mortos. Não lembro de nada. Acredito em Deus.
Anotei essas palavras e guardei o
caderno, era o que eu sabia sobre mim até ali. Estávamos no carro a
caminho de Lisboa, um automóvel limpo e bem cuidado que Fernando
dirigia. Florice consultava o mapa de vez em quando. Eu obedeceria à
ordem de dormir de qualquer maneira, estava quase sempre muito
cansada no primeiro mês, outubro, disso me lembro bem, a sensação
de cansaço permanente, de sono, tontura, corpo fraco.
Foi em trânsito que começou a
temporada dos tais delírios do desvelo. Abrir o caderno acionou
algum mecanismo, e comecei a sonhar. Na primeira vez tive um sonho
que me pareceu muito longo, com cenas entrecortadas. Vi as mãos de
uma mulher furando búzios pequenos, enfiando o fio por eles,
organizando o universo, pois as coisas brilhantes no céu se
movimentavam no ritmo dos seus braços. A mesma mão pequena abriu a
barriga de um peixe morto e tirou um búzio maior lá de dentro.
Lavava na água de sal, enxugava e o colocava no meio, mas o sangue
das mãos não saía.
Era um rei dentre os outros, mais
marrom, mais brilhante. Seguiu com os búzios menores
do outro lado até arrematar o arco completo. Estava pronto o colar,
igual a este aqui, que veio comigo. Abaixei a cabeça e ela colocou o
presente no meu pescoço, falando coisas que não entendi, eu não
reconhecia aquela fala. Pude ver seu rosto, era um sonho de boa luz.
Fiz esforço para identificar qualquer coisa, o lugar, a voz… O
delicioso som do mar.
— O marulho.
— Sim, o marulho. Só pude descobrir
que ganhei o colar de uma senhora de quem eu gosto muito. Senti amor
por ela, imenso amor, quando a abracei. Ainda posso sentir, era como
saber tudo, enxergar tudo, ouvir tudo, depois dali eu poderia vencer
qualquer guerra insurgente, era pura força em um abraço. Chegaram
outras pessoas, era ela e outra, depois outra e outra, muitas me
abraçavam sem que a mulher saísse do lugar, todas sangravam, eu
também, confusa, tempo embaralhado. Elas queriam falar comigo, eu
afundava em muitos braços, uma festa silenciosa, voltando ou
partindo, não sei se era um adeus ou se me recebiam de volta, se
riam ou se choravam. Puseram o peixe morto no mar e ele voltou a
viver, saiu nadando e deixando sangue na água azul. Passei muito
tempo fantasiando o retorno, seria assim, mas às vezes pensava se
não era a preparação de partida, o sonho trazendo uma lembrança.
O vento era forte, perturbou minha vista, desligou meus ouvidos e eu
acordei, dentro do carro, com a esperança de que eu voltaria, de que
ainda me esperavam na praia.
Meu rosto no reflexo do vidro do
carro. Acordei e vi, não pareço com ela, a mulher do outro lado da
minha vida. Desejei que tivesse dito alguma coisa, o primeiro
sentimento depois do sonho foi de ter perdido tudo de novo. Procurava
sangue nas mãos. Tinha esperança de lembrar de mim, queria que as
memórias voltassem pelo caminho certo. Talvez elas ainda estivessem
atravessando o mesmo buraco sob a terra por onde viemos eu, meu
corpo, minhas palavras e meu colar de búzios.
Quando Florice percebeu que acordei
ficou conversando comigo, tentando mostrar mais ou menos em que ponto
do mapa estávamos. Eles disseram várias vezes que queriam me levar
a um lugar muito importante quando chegássemos a Lisboa. Riam um
para o outro, comentavam baixinho, brincando de fazer segredo. Pelos
cálculos precisos de horário e distância, ainda seria dia claro e
daria tempo, sim, de ir até lá.
Cochilei várias vezes ao longo da
viagem, mas foi possível perceber como estavam mais leves e
bem-humorados na volta para casa. Ouviam música bem baixinho,
cantarolavam de vez em quando. Meus ouvidos são sensíveis demais
aos sons. Naqueles primeiros dias tive certa dificuldade com o tempo,
nunca lembro bem quantas horas durava cada situação. Ainda não sou
muito boa nisso, em quantificar minutos, perco rápido tudo o que
passa, meus pensamentos são um labirinto infinito, eu vou e vou e
vou e não sei mais nem por onde voltar. Despertei de vez chegando a
Lisboa, gostaria de continuar dormindo em um canto silencioso, mas
aconteceu exatamente o contrário.
Paramos o carro e precisamos andar
alguns minutos. Os dois caminhavam de mãos dadas um pouco à minha
frente, e aquela cidade deu ao par uma nova energia. Pareciam outras
pessoas, a Morte e o Vice-Morte estavam bem vivos ali ao lado do rio.
Pelo cansaço e desconforto dos
sapatos, eu estava sempre uns bons passos atrás. Usava um vestido
preto, que pelo tamanho certamente não era dela, e nem sei onde ela
arranjou essa roupa. Levou na mala para Almofala junto com tantas
coisas, a muda de oliveira, comidas, utensílios, aquilo que me
serviu. O vestido era estranho, mas ao menos o tecido grosso e o
casaco verde por cima me protegiam do frio. Não me vi no espelho,
não tenho um retrato desse tempo, não sei com o que eu parecia,
daquele jeito, de chapéu, tão despreparada para andar em público.
Olhavam para mim e dava vontade de dizer que se enxergassem, cada um
mais estranho que o outro, deveriam cuidar de suas vidas.
A névoa de Lisboa cobria meus olhos,
podia ser alguma doença na vista ou a perturbação normal da minha
situação. Perto das pessoas apareciam sombras e massas de luz, isso
me incomodava, eu gostaria de não ver nada estranho, queria
descansar, parar em algum lugar tranquilo e esperar um momento,
esperar até uma paz qualquer se acomodar em mim, mas nada me
sossegava. Gostava de respirar o vento fresco, apesar da sensação
ruim.
Eles pareciam satisfeitos com minha
companhia e descobri, nas conversas posteriores, que não tiveram
filhos. Estavam felizes naquele passeio, mesmo andando com uma
criatura que não pertencia a nada e atraía olhares de espanto.
O lugar que eles queriam me mostrar
com tanto gosto e entusiasmo era a Torre de Belém. Paramos em frente
e eu não vi nada de tanta emoção, mas fingi meu melhor sorriso.
Era bonito. Fernando iniciou um discurso solene ao explicar que dali
partiam as caravelas que descobriram o Brasil, que dali os destinos
de Brasil e de Portugal se encontraram, o nosso fado. Ele explicava
tudo com detalhes, orgulhoso, professoral, tentando dar sentido ao
que me aconteceu, e eu estava exausta, achando muito penoso ouvir a
palestra, sem energia, cansada, querendo que tudo aquilo acabasse
logo, mas fazia de conta que prestava atenção. Sou brasileira e
acho que isso sempre foi a coisa mais importante a descobrir direito,
o que é isso, o que trouxe comigo que só existe porque sou uma
criatura do Brasil.
Olhando a torre antiga, dos homens
antigos, dos países antigos e das caravelas que não existem mais,
eu só pensava em restaurar a força do meu corpo. Algo naquele
discurso me incomodava demais, mesmo reconhecendo a boa vontade do
homem. Era um esforço para me dar algum sentido, alguma noção de
ordem, mas não me agradava em nada, parecia a lógica de um castigo.
Pedi para me sentar na grama ou ir
embora logo. Ele seguiu falando que era o lugar onde nossa história
começou a se cruzar pela primeira vez e depois nos cruzamos de vez
com minha chegada, uma Ressurrecta, tentando mostrar que devia
existir alguma ligação entre as duas coisas.
Florice contou que seu pai achava que
os Ressurrectos voltavam para onde deixaram um pedaço perdido da sua
alma. O espírito é um só, entra e sai dos séculos, os corpos
nascem e morrem e as partes da alma vão se espalhando, ela revelava.
Não tive energia na hora para ir além, fazer mais perguntas. De vez
em quando eu lembrava que ela me chamou de rapariga, não tinha
esquecido, guardei a mágoa, ficava pensando no motivo. Para que
isso? Para que chamar de rapariga logo no primeiro dia?
— Em Portugal isso não é insulto.
Rapariga é o mesmo que moça, no Brasil, mulher, é um modo normal.
— Não ria, hoje eu sei, estou
contando tudo da forma como aconteceu, não foi o que o senhor me
pediu? Naquele dia eu estava indignada porque lembrava da palavra
como insulto, a memória dos significados ficou intacta. Mas isso era
o menos importante, eles me tratavam bem e tiveram responsabilidade
com minha vida, não sou ingrata. Até ali o que me chocava mesmo era
ter sido enterrada viva, com tanta crueldade, não sei se os outros
Ressurrectos também foram. Eu tinha certeza de que algo ruim tinha
acontecido antes, não parecia uma travessia para resgate de pedaço
de alma, nenhuma busca espiritual, era uma tragédia violenta. Não
tenho como saber quando, se faz muito tempo, se ainda estão vivas as
pessoas com quem sonhei. Não sei, por exemplo, se a travessia
obedeceu ao fluxo dos dias. Pode ser que eu tenha voltado no
calendário.
— Pode ter sido um salto temporal
para qualquer lado.
— Talvez eu nunca saiba.
— Tua vida tem sido enganar Chronos,
amar a Kairós.
— Não conheço essas criaturas. Não
sei quem amei ou enganei.
— Volta ao relato do passeio em
Lisboa, por favor. Não te perca nos meus comentários, eu também
tenho um labirinto na cabeça.
Pois, todos temos.
Ainda na Torre de Belém, fiz muito
esforço para parecer interessada quando elogiavam a bravura e a
inteligência dos navegantes. Contaram tudo, que o Brasil já era
habitado por selvagens, que existem cartas contando a saga heroica, a
descoberta da beleza dessas terras, que aconteceram lá as mortes mas
é assim mesmo na história das civilizações, os povos invadem,
matam por necessidade e novos mundos se descobrem, Portugal também
sabe disso, foram muitas invasões.
— Eles não dizem por mal, é o que
está nos livros.
Na verdade lembro quase nada do que
disseram, só tontura e palavras soltas, confusão. Minha cabeça às
vezes funciona como uma fábrica impiedosa de pensamentos
massacrantes.
Fomos embora da Torre porque eu não
me sentia bem e eles acharam que era fome, tontura, doença,
precisávamos comer alguma coisa. Decidiram jantar no Bairro Alto e
me apresentar ao bacalhau com migas e ao vinho da casa; fui
aprendendo o nome das comidas, me ensinavam tudo ao mesmo tempo, a
história de Lisboa, os pratos tradicionais, o terremoto, o que é
Península Ibérica, os mouros, os azulejos, o castelo de São Jorge,
as Sete Colinas, e eu só precisava de silêncio. E comida. Estar de
barriga cheia me deixava bem.
Fernando me tratava como se eu fosse
uma criança que nasceu adulta, pronta para capturar o mundo todo em
poucos dias, porque em breve a vida me cobraria algumas coisas, foi o
que eles me disseram. Eu seria portuguesa e precisava perceber
Portugal. Perceber uma nova vida em Portugal.
A refeição durou muito tempo, foi
decisiva. Seria necessário definir algumas coisas antes de chegarmos
a Aboim da Nóbrega. A irmã de Florice já estava sabendo de tudo,
já tinha conhecimento dos Ressurrectos desde criança, mas para
facilitar as coisas seria bom inventar uma narrativa que fosse
convincente para os outros, a casa vivia cheia de amigos, sua vida
social era intensa.
Precisamos escolher seu nome, ela
disse.
Perguntaram de novo se eu não
lembrava de nada, uma letra, um som, se seria palavra curta ou mais
longa, nada. Nada. Sobre o Livro das Visões, queriam saber se havia
algo novo. Nada. Expliquei o borrão dos sonhos, comecei a chorar
mais uma vez, o peso de ser uma névoa. Fernando olhou nos meus
olhos:
— Eu tenho uma sugestão desde que
chegaste. É o nome que meu coração diz quando olho para ti.
— E qual é?
— Cida. Não só porque tu chegaste
assim, mas porque gostamos da história de Nossa Senhora Aparecida a
um menino em Portugal que era mudo e começou a falar. Há outra no
Brasil, acho que fica bem.
— É assim que falamos de ti entre
nós. Já dissemos para minhas irmãs que tu tens cara de Cida.
Aceitei ser Cida, por puro cansaço.
Fiz que sim, sorri de leve. Levaria a marca deles dois comigo, já
que fizeram meu parto da cova. Não tinha por que recusar o nome
novo, não me restava nada além de aceitar que as coisas teriam de
seguir de alguma forma. Cida era um nome neutro, pois vinha do modo
absurdo como cheguei aqui, no sentido deles, evocava milagre. E se
era deles que vinha a ajuda e a salvação, muito justo o batismo,
muito saudável ter um nome até que eu lembrasse do meu.
Havia uma alegria sincera naqueles
gestos de proteção, mas Florice mantinha uma constante nuvem tensa
sobre os olhos. Nele eu confiei desde o primeiro dia, apesar da
sensação de que gostaria de me dizer mais e não tinha permissão.
Quando eu perguntava inúmeras vezes aos dois sobre o esquecimento,
eles respondiam que eu já deveria ter recordado algo, sim, mas que
não há regra exata para nada disso, em todos os casos as pessoas
acabam se lembrando logo. Depende do trauma, do tempo, do modo. Não
poderiam garantir, o que tinham em mãos eram as histórias
anteriores, que nunca me contaram direito. Àquela altura eu já
sabia que não estava morta, pelo menos, tinha um resto de vida,
precisava mesmo desse nome.
Fomos então ao apartamento deles, no
Largo de São Carlos, número 4. Anotaram em um papel para que eu
tivesse em mãos, caso precisasse. Decorei, de tanto medo de me
perder.
Passaríamos uns dias em Lisboa para
descansar e resolver alguns assuntos. Os vizinhos do quarto andar
viajaram para a África do Sul e deviam tomar providências sobre o
aluguel do apartamento, esse era um dos temas. Precisavam também
comprar presentes para as irmãs de Florice, fazer um reparo na
torneira, que estava pingando, e eu acompanhava tudo. Dormi no sofá
do pequeno escritório do dr. Fernando, ali seria meu quarto.
Nessa primeira noite em Lisboa tive um
sonho cego.
Eu não via o rosto, mas sabia que um
homem examinava o maior búzio do meu colar com dedicada atenção. A
ponta dos seus dedos era macia e mansa, alisava demoradamente o
marrom estriado do búzio, salpicado como as costas de um bicho do
mesmo mar de onde eu vim. Dentro do silêncio, sua respiração me
contava que ele não tinha nenhuma pressa de interromper o que fazia,
era o gesto mais necessário da sua vida; a ponta dos seus dedos
fazia estalar faíscas na minha pele. Guardei algumas frases: corpo
de areia, praia de pele morna. As lembranças são confusas nesse
sonho porque eu não vi nada, tudo de que lembro está nos ouvidos e
na pele, senti muitas coisas. Eu sabia que era noite porque não
enxergava, estávamos suados, vivos e muito perto um do outro. Não
saíamos do lugar, nada nos tiraria dali. Os dedos chegaram à cena
do sonho subindo pelas conchinhas miúdas, devagar e aos poucos, as
duas mãos, até que, no pescoço, escolheram destinos diferentes.
Primeiro a esquerda andou vagarosa
para minha nuca até enfiar os dedos e fechar os cachos na mão forte
e lentamente para não me deixar duvidar nem por um segundo do tanto
que me queria. Eu estava careca, ainda, mas foi nesse sonho que
fiquei sabendo sobre como seriam meus cabelos quando crescessem.
A outra mão foi para o meu lábio
superior, quase sem tocar, desenhando uma onda ao lado da outra, uma
boca de concha, acho que disse isso, foi um sussurro pequeno, foi
quase segredo, penso que sorriu. O sonho foi seguindo, ele se
aproximava e eu acendi como uma estrela de muitas pontas. Explodi,
acordei como quem cai do céu. Era tudo meio avermelhado ao redor, a
luz do sol, as paredes, vários cavalos-marinhos no teto que caíam,
mas começavam a nadar depois, muitos, muitos, e eu caía com eles.
— Um artifício libidinoso muito
sofisticado do teu inconsciente.
— Sonhei várias vezes com as
estrelas-do-mar, vendo estrelas ou transformando o corpo em uma
delas. Eram recortes abstratos, não informavam nada, mas as
sensações me deixavam muito perturbada. Escrevi tudo no Livro das
Visões. O que importa é que havia um homem na minha vida. Não
tenho meu nome, nem o dele. Fico pensando se ficou lá me esperando,
se chora minha morte.
— Ou se foi ele quem tentou te
matar.
— Já pensei nisso.
— É um belo sonho, de qualquer
forma.
— No fim eu anotei: “Quero sonhar
de novo, quero que ele diga seu nome. Pedi que dissesse, pedi que
voltasse. Ele tem que voltar”.
— E o que descobriste sobre ele?
— Que me amava muito e me fazia
explodir como uma estrela. Nada mais.
Socorro Acioli, em Oração para Desaparecer

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