16/10/2026

Let ’Em In | Paul McCartney e Linda McCartney

 


Let ’Em In, de Paul McCartney e Linda McCartney
Lançamento: At the Speed of Sound, 1976
Single, 1976

Someone’s knocking at the door
Somebody’s ringing the bell
Someone’s knocking at the door
Somebody’s ringing the bell
Do me a favour
Open the door and let ’em in
Let ’em in

Sister Suzy, Brother John
Martin Luther, Phil and Don
Brother Michael, Auntie Jin
Open the door and let ’em in
Oh yeah

Sister Suzy, Brother John
Martin Luther, Phil and Don
Uncle Ernie, Auntie Jin
Open the door and let ’em in
Oh yeah, yeah

Someone knocking at the door
Somebody ringing the bell
Someone’s knocking at the door
Somebody’s ringing the bell
Do me a favour
Open the door and let ’em in
Oh yeah, yeah, let ’em in now

Sister Suzy, Brother John
Martin Luther, Phil and Don
Uncle Ernie, Uncle Ian
Open the door and let ’em in
Yeah, yeah

Someone’s knocking at the door
Somebody’s ringing the bell
Someone’s knocking at the door
Somebody’s ringing the bell
Do me a favour
Open the door and let ’em in
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

Um presentinho de Natal, daqueles de colocar dentro das meias natalinas. É assim que eu encaro algumas canções. É uma lembrancinha divertida, mas não é o seu principal presente de Natal. Se me bate um certo perfeccionismo e eu me pego a pensar: “Esta não é uma de minhas grandes canções”, isso muitas vezes me deixa um pouquinho decepcionado com ela. Eu me lembro de que fiquei bem deprimido com uma canção chamada “Bip Bop” e pensei: “Meu Deus, como é que eu consegui ser tão banal?”. Até que uma vez comentei isso com o produtor Trevor Horn, que produziu gente como Frankie Goes to Hollywood, Grace Jones e muitos artistas legais, e ele me disse: “Esta é uma de minhas favoritas de sua autoria!”. E assim consegui enxergar o que ele viu nela, que é o que eu vi quando a escrevi e quis gravá-la, então ele me fez sentir melhor em relação a isso.
“Someone’s knocking at the door / Somebody’s ringing the bell” – na minha imaginação isso está acontecendo em Liverpool. Algum tipo de festa. Quando estávamos na Jamaica, todos os jamaicanos chamavam Linda, só porque ela era loira: “Ei, Suzy, Suzy!”. Para eles, uma mulher loira e branca era “Suzy”. Então, Linda formou um grupo e se autodenominou Suzy and the Red Stripes, o nome da marca de cerveja. Então, “Sister Suzy” é a Linda. “Brother John” pode ser o irmão dela, John Eastman, ou John Lennon. “Martin Luther” é Martin Luther King Jr., “Phil e Don” são os Everly Brothers; e daí você tem “Brother Michael”, então esse é meu irmão, ou talvez Michael Jackson – no ano anterior, tínhamos convidado The Jackson 5 para a festa do álbum Venus and Mars no Queen Mary. E então “Auntie Jin”, que se escreve com J em vez de G porque o nome da minha tia era Jane. Mas em Liverpool isso soava muito formal, então ela dizia: “Pode me chamar de Jinny”. Em seguida temos o “Uncle Ernie” – na verdade, o nome de meu primo era Ian, mas o pessoal o chamava de Ern. E a essa altura não estou muito preocupado. Estou só brincando com as palavras.“Uncle Ian”? Ah, qual é, pessoal, vocês nem estão prestando atenção direito. Não importa. Não existe um Tio Ian... e com certeza ele não era casado com a Tia Jin.
E a bizarrice das bizarrices: avance um milhão de anos e eu me caso com Nancy Shevell, cuja irmã se chama Susie e cujo irmão se chama Jon. Então, de repente, é sobre a família de Nancy que estou cantando: “Sister Suzy, Brother John”. É uma coincidência e tanto.
Foi sugerido que o “Martin Luther” (“Martinho Lutero”) da letra está associado a bater à porta, pregar os artigos de fé numa porta. Eu não estava ciente disso quando compus a canção, mas em termos de inconsciente coletivo talvez seja possível. Sem dúvida, as canções brotam mesmo de algum lugar misterioso. Na maioria das vezes, se você tiver sorte, as palavras e a música vêm juntas. Você só se senta ali e começa. Vai esboçando coisas com vários sons até que, por fim, ouve um breve fraseado que começa a funcionar. E basta se embrenhar nessa trilha. Como artistas, meio que sabemos instintivamente: se estivermos abertos a isso e se brincarmos o suficiente com esse conjunto de palavras ou notas, isso vai dar resultado. Algo vai chegar. Sem que você nem ao menos tenha de convidar.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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