Let ’Em In, de Paul McCartney e Linda
McCartney
Lançamento: At the Speed of Sound,
1976
Single, 1976
Someone’s knocking at the door
Somebody’s ringing the bell
Someone’s knocking at the door
Somebody’s ringing the bell
Do me a favour
Open the door and let ’em in
Let ’em in
Sister Suzy, Brother John
Martin Luther, Phil and Don
Brother Michael, Auntie Jin
Open the door and let ’em in
Oh yeah
Sister Suzy, Brother John
Martin Luther, Phil and Don
Uncle Ernie, Auntie Jin
Open the door and let ’em in
Oh yeah, yeah
Someone knocking at the door
Somebody ringing the bell
Someone’s knocking at the door
Somebody’s ringing the bell
Do me a favour
Open the door and let ’em in
Oh yeah, yeah, let ’em in now
Sister Suzy, Brother John
Martin Luther, Phil and Don
Uncle Ernie, Uncle Ian
Open the door and let ’em in
Yeah, yeah
Someone’s knocking at the door
Somebody’s ringing the bell
Someone’s knocking at the door
Somebody’s ringing the bell
Do me a favour
Open the door and let ’em in
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah
Um presentinho de Natal, daqueles de
colocar dentro das meias natalinas. É assim que eu encaro algumas
canções. É uma lembrancinha divertida, mas não é o seu principal
presente de Natal. Se me bate um certo perfeccionismo e eu me pego a
pensar: “Esta não é uma de minhas grandes canções”, isso
muitas vezes me deixa um pouquinho decepcionado com ela. Eu me lembro
de que fiquei bem deprimido com uma canção chamada “Bip Bop” e
pensei: “Meu Deus, como é que eu consegui ser tão banal?”. Até
que uma vez comentei isso com o produtor Trevor Horn, que produziu
gente como Frankie Goes to Hollywood, Grace Jones e muitos artistas
legais, e ele me disse: “Esta é uma de minhas favoritas de sua
autoria!”. E assim consegui enxergar o que ele viu nela, que é o
que eu vi quando a escrevi e quis gravá-la, então ele me fez sentir
melhor em relação a isso.
“Someone’s knocking at the door
/ Somebody’s ringing the bell” – na minha imaginação isso
está acontecendo em Liverpool. Algum tipo de festa. Quando estávamos
na Jamaica, todos os jamaicanos chamavam Linda, só porque ela era
loira: “Ei, Suzy, Suzy!”. Para eles, uma mulher loira e branca
era “Suzy”. Então, Linda formou um grupo e se autodenominou Suzy
and the Red Stripes, o nome da marca de cerveja. Então, “Sister
Suzy” é a Linda. “Brother John” pode ser o irmão dela, John
Eastman, ou John Lennon. “Martin Luther” é Martin Luther King
Jr., “Phil e Don” são os Everly Brothers; e daí você tem
“Brother Michael”, então esse é meu irmão, ou talvez Michael
Jackson – no ano anterior, tínhamos convidado The Jackson 5 para a
festa do álbum Venus and Mars no Queen Mary. E então “Auntie
Jin”, que se escreve com J em vez de G porque o nome da minha tia
era Jane. Mas em Liverpool isso soava muito formal, então ela dizia:
“Pode me chamar de Jinny”. Em seguida temos o “Uncle Ernie” –
na verdade, o nome de meu primo era Ian, mas o pessoal o chamava de
Ern. E a essa altura não estou muito preocupado. Estou só brincando
com as palavras.“Uncle Ian”? Ah, qual é, pessoal, vocês nem
estão prestando atenção direito. Não importa. Não existe um Tio
Ian... e com certeza ele não era casado com a Tia Jin.
E a bizarrice das bizarrices: avance
um milhão de anos e eu me caso com Nancy Shevell, cuja irmã se
chama Susie e cujo irmão se chama Jon. Então, de repente, é sobre
a família de Nancy que estou cantando: “Sister Suzy, Brother
John”. É uma coincidência e tanto.
Foi sugerido que o “Martin Luther”
(“Martinho Lutero”) da letra está associado a bater à porta,
pregar os artigos de fé numa porta. Eu não estava ciente disso
quando compus a canção, mas em termos de inconsciente coletivo
talvez seja possível. Sem dúvida, as canções brotam mesmo de
algum lugar misterioso. Na maioria das vezes, se você tiver sorte,
as palavras e a música vêm juntas. Você só se senta ali e começa.
Vai esboçando coisas com vários sons até que, por fim, ouve um
breve fraseado que começa a funcionar. E basta se embrenhar nessa
trilha. Como artistas, meio que sabemos instintivamente: se
estivermos abertos a isso e se brincarmos o suficiente com esse
conjunto de palavras ou notas, isso vai dar resultado. Algo vai
chegar. Sem que você nem ao menos tenha de convidar.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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