É costume cada um colocar sua
profissão ou títulos nos cartões de visita.
Ora, quem escreve estas linhas já
recebeu alguns títulos da generosidade de seus conterrâneos;
escolher um só seria indelicadeza com os outros proponentes.
Quanto a mim, sempre fui de opinião
que bastava o nome da pessoa, sem a vaidade de títulos secundários.
Mas eis que a minha camareira fez-me cair em tentação: dá-se o
caso que saiu a edição de meu livro Canções, ilustrado por
Noêmia e que, ao ser noticiado por Nilo Tapecoara no “Bric-à-brac
da Vida”, este o publicou com o meu retrato em duas colunas, e,
abaixo do mesmo, uma notícia que assim principiava, com a primeira
linha impressa em letras maiúsculas:
MARIO QUINTANA, CUJAS CANÇÕES etc.
etc... Ora, na manhã daquele dia, ao servir-me o café na cama, sia
Balbina não podia ocultar o orgulho que lhe causava o seu hóspede e
repetia:
“Cujas canções, hein, cujas
canções!”
O seu maior respeito era devido, sem
dúvida, à misteriosa palavra “cujas”...
E não sei se resistirei à ideia que
me inspirou sia Balbina: imprimir meu cartão de visitas assim:
MARIO QUINTANA
Cujas Canções
Mario Quintana, em Porta Giratória
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