Para
Ciro Figueiredo, irmão, como se fôssemos os primeiros
Me desprendi do sol. A bruma turva
se alastra e trava a proa da canoa
que sabe de águas, lépida de curvas,
mas se maldiz do rumo que destoa.
Me desprendi do sol. Já o tempo
breve,
que me ensina lições de escuridão,
me diz que, fatigada, a luz da vida
já não ameiga a mágoa do caminho.
Navego sem temor. Desce serena
a mão deste crepúsculo que entrega
o sal da sua sombra. Me arde a pena
de feliz não ter feito a quem me
quis.
Ensolarada dor, mas não me nega
o amor, que se deu todo no que fiz.
Thiago de Mello, em Acerto de contas
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