Vem do tempo de menino
seu gosto por água pura.
Sempre junto do cardume,
mas sem perder a postura.
Cuidando de procurar
nas coisas que já deixou
num mundo que está por vir
um viver com mais perfume.
O tempo é o que ele possui
para voar dentro do nada.
Vai levar a sua vida
da maneira que lhe caiba.
O seu rio é a sua casa,
sua fonte e aconchego.
Onde mora todos cantam
para amortecer o peso.
No futuro quando pensa,
é o passado o que ele tem.
E ao final de tudo, imune,
algo vai ficar pro bem.
Porém veio a se afoitar
e rumou para um oceano.
Novas águas que lhe sabem
vão lavar seu desengano.
A vontade e o bem-querer
não ficaram no caminho.
Os seus frutos já colheu
e não segue mais sozinho.
Thiago de Mello, em Acerto de contas
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