Ao meu Cony, Carlos Heitor, e a Bia
do lado dele
Meu coração se aflige
quando fôlego lhe falta
para dar manhã bem cedo
o seu rubro mirantã
à voragem do meu sonho.
Sei que a qualquer momento
ele pode deixar de me valer.
Já por três vezes muito perto esteve
do desmaio, mas, fiel a seu destino,
se reergueu, não deixou que meu canto
restasse como insólita lembrança
de palavra feliz emudecida.
Como fulgor de aurora, me levanta
a alegria de ouvir meu coração
batendo firme, cântico de júbilo,
por me ver perseguir, perseverante.
Ele não sabe que algo se germina,
conspira escuro contra o seu fervor.
Nem poderá prever o instante certo
do seu silêncio. Não esteja perto.
Thiago de Mello, em Acerto de contas
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