Eu
lhe pedi para não trazer aquele cavalo, por respeito à sua mãe
defunta, porque não seria direito ele sair aos saltos, montado no
maldito cavalo de circo, quando ela queria que fôssemos todos juntos
na carroça, fazendo-lhe companhia, todos nós de sua carne e de seu
sangue, mas, logo depois da planície de Tull, Darl começou a rir.
Lá está ele, rindo, sentado no banco de tábua, ao lado de Cash, e
a mãe morta no caixão a seus pés. Quantas vezes eu lhe falei para
não fazer coisas que provoquem falatório. Perdi a conta. Sempre lhe
disse que, se ele não se importa com o que dizem das pessoas da
minha carne e do meu sangue, então eu me importo, e embora tenha
sido eu quem educou essa cambada de demônios, quando falam de um,
atingem a mãe, não a mim: eu sou homem e posso aguentar; é das
mulheres, de sua mãe e de sua irmã, que vocês têm de cuidar, e eu
me viro e olho para ele, e ele está sentado lá atrás, rindo.
“Não
espero que você tenha respeito por mim”, digo. “Mas, pelo menos,
respeite sua mãe, que ainda não está fria dentro do caixão.”
“Olhe lá”, diz Cash, atirando a cabeça na direção da
planície. O cavalo ainda é um ponto reduzido, embora venha a toda
pressa, mas não me precisam dizer quem é. Continuo a olhar Darl,
sentado ali atrás, rindo.
“Fiz
o que pude”, digo. “Procurei fazer o que ela desejava. O Senhor
me perdoará e desculpará a conduta dos filhos que me deu.” E
Darl, sentado no banco de madeira, com a mãe estirada embaixo,
continua rindo.
William Faulkner, em Enquanto Agonizo
Nenhum comentário:
Postar um comentário