Sinto que o leitor estremeceu, – ou
devia estremecer.
Naturalmente a última palavra
sugeriu-lhe três ou quatro reflexões. Veja bem o quadro: numa
casinha da Gamboa, duas pessoas que se amam há muito tempo, uma
inclinada para a outra, a dar-lhe um beijo na testa, e a outra a
recuar, como se sentisse o contato de uma boca de cadáver. Há aí,
no breve intervalo, entre a boca e a testa antes do beijo e depois do
beijo, há aí largo espaço para muita coisa, – a contração de
um ressentimento –, a ruga da desconfiança – ou enfim o nariz
pálido e sonolento da saciedade…
Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas
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