Zé Lins me disse n’O
Globo:
– O
José quer te editar.
E foi com José Olympio
que a carreira começou.
Soprou um Vento
geral.
No tempo de Ênio Silveira,
homem por demais. Com ele
combati o bom combate.
Cantei no escuro.
Deu cárcere.
Abri a porta do exílio,
entrou um moço bonito,
me abraçou: – Vim do Brasil,
quero o seu poema, ele é meu.
Editou os Estatutos
com o galo do Aldemir
anunciando a esperança.
Era o Waldir Martins Fontes,
estrela que não se apaga.
Rosemary Alves me soube.
Seu cocar iluminado
quis meu Canto
castelhano.
Não pôde fazer milagre.
De uma vez por todas
digo:
fui longe pela mão dela.
Isaac Maciel e Tenório Telles
ressuscitaram o gosto
que Manaus tinha de ler.
Vestiram o Silêncio
e palavra,
primogênito meu, de linho branco HJ.
Sérgio Bath mostrou bilíngue
como A
Floresta vê o homem.
Não fora o José Reinaldo
com a sua editora Pontes
nenhum leitor ia ver
o Borges
na luz de Borges.
Quem primeiro enxergou
e mostrou para a Lily Sverner
a luz da Pátria
da Água
foi o André meu Boccato
Com o olho do Marigo
e a graça dos índios Ticunas.
Com Luiz Alves de irmão
(sonhei que ele me esperava),
sigo cantando. Os poetas
da nossa América guardam
seu nome. Quem afinou
os bemóis e sustenidos
dos fonemas castelhanos
foi o Quartim de Moraes.
Sobrou fôlego. A carreira
não se acaba. Fiel a meu rio,
guardo a fé. Como
Sou.
Conversei com Paulo, o apóstolo,
ele permitiu
que eu me valesse do que falou para
Timóteo,
quando fez seu ajuste de contas com
a Vida:
Combati o bom combate,
acabei a carreira, guardei a fé.
(Carta a 2 Timóteo 4:7)
Thiago de Mello, em Acerto de contas
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