Helter Skelter
De Paul McCartney e John Lennon
Lançamento: The Beatles, 1968
When I get to the bottom I go back
to the top of the slide
Where I stop and I turn and I go
for a ride
Til I get to the bottom and I see
you again
Yeah, yeah, yeah
Do you, don’t you want me to love
you?
I’m coming down fast but I’m
miles above you
Tell me, tell me, tell me, come on,
tell me the answer
Well you may be a lover but you
ain’t no dancer
Helter Skelter
Helter Skelter
Helter Skelter
Will you, won’t you want me to
make you?
I’m coming down fast but don’t
let me break you
Tell me, tell me, tell me the
answer
You may be a lover but you ain’t
no dancer
Look out
Helter Skelter
Helter Skelter
Helter Skelter
Look out, ’cause here she comes
When I get to the bottom I go back
to the top of the slide
And I stop and I turn and I go for
a ride
And I get to the bottom and I see
you again
Yeah, yeah, yeah
Well do you, don’t you want me to
make you?
I’m coming down fast but don’t
let me break you
Tell me, tell me, tell me your
answer
You may be a lover but you ain’t
no dancer
Look out
Helter Skelter
Helter Skelter
Helter Skelter
Look out
Helter Skelter
She’s coming down fast
Yes she is
Pete Townshend declarou na imprensa
musical que o The Who tinha acabado de gravar a coisa mais
barulhenta, mais suja e mais rock de todos os tempos. Adorei essa
descrição, então entrei no estúdio e disse ao pessoal: “Vamos
ver o quanto a gente consegue ser barulhento e estridente. Vamos
fazer os ponteiros dos decibéis atingirem o ápice”.
Muita gente nos Estados Unidos ainda
não sabe o que significa “helter skelter”. Eles imaginam
que é um tipo de montanha-russa. Na verdade, é uma espécie de
tobogã construído em forma espiral em torno de uma torre. Brincamos
nele um montão de vezes na infância. Você sobe as escadas por
dentro, pega um tapete – tipo um saco de estopa –, senta em cima
dele, desce escorregando e sobe de novo. Eu usava isso como um
símbolo da vida. Num instante estamos lá em cima, no outro, lá
embaixo. Alternamos momentos de euforia e de tristeza. Essa é a
natureza da vida. As estrofes se inspiram na canção da Falsa
Tartaruga de Alice no País das Maravilhas:
O badejo indagou ao caracol: “Quer
andar mais rapidinho?
Tem alguém na minha cola, é o
senhor golfinho.
Com que ânsia lagostas e
tartarugas avançam!
Na praia de seixos, quem vai se
juntar à dança?
Vai ou não vai, vai ou não vai se
juntar à dança?
Vai ou não vai, vai ou não vai se
juntar à dança?”
John e eu amávamos Lewis Carroll e o
citávamos com frequência. Versos como “She’s coming down
fast” têm um componente sexual, talvez um pequeno elemento de
droga também. Um pouco mais sombrio.
Mas as coisas ficaram mesmo sombrias
quando Charles Manson, um ano depois, sequestrou a canção. Ele
pensava que os Beatles eram os Quatro Cavaleiros do Apocalipse e
começou a ler tudo isso nas letras. Tudo que é tipo de significado
secreto. Aparentemente, ele leu em “Helter Skelter” o inferno.
Fiquei sem tocar a canção em shows durante muitos anos após Sharon
Tate e outras pessoas terem sido assassinadas pelos seguidores de
Charles Manson. Tudo foi muito distorcido.
Só continuávamos interessados numa
distorção: a sonora. E podíamos criá-la com as técnicas
desenvolvidas com os grandes engenheiros do Abbey Road. O processo de
gravação de “Helter Skelter” foi interminável, uma façanha de
resiliência. Tanto que Ringo, ao final, gritou que estava com bolhas
nos dedos. Foi um tipo de sessão daquelas. “Ardemos no inferno”
durante as gravações, e talvez por isso Manson tenha detectado algo
infernal nela. A canção às vezes tem sido creditada como o início
do heavy metal. Não sei se é o caso, mas com certeza a música
anterior ao rock, a música dançante, suave e romântica, tornou-se
página virada. E esta canção ajudou a virar essa página.
Ano após ano, procurei a faixa do The
Who à qual Pete Townshend se referiu. Inclusive perguntei a Pete
sobre isso, e ele não consegue se lembrar. Talvez fosse “I Can See
for Miles”. A coisa mais barulhenta, suja e rock de todos os
tempos? Nunca ouvi canção alguma do The Who que fosse tão
barulhenta e suja quanto ela era na minha imaginação.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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