09/11/2025

Helter Skelter


Helter Skelter
De Paul McCartney e John Lennon
Lançamento: The Beatles, 1968

When I get to the bottom I go back to the top of the slide
Where I stop and I turn and I go for a ride
Til I get to the bottom and I see you again
Yeah, yeah, yeah

Do you, don’t you want me to love you?
I’m coming down fast but I’m miles above you
Tell me, tell me, tell me, come on, tell me the answer
Well you may be a lover but you ain’t no dancer

Helter Skelter
Helter Skelter
Helter Skelter

Will you, won’t you want me to make you?
I’m coming down fast but don’t let me break you
Tell me, tell me, tell me the answer
You may be a lover but you ain’t no dancer
Look out

Helter Skelter
Helter Skelter
Helter Skelter
Look out, ’cause here she comes

When I get to the bottom I go back to the top of the slide
And I stop and I turn and I go for a ride
And I get to the bottom and I see you again
Yeah, yeah, yeah

Well do you, don’t you want me to make you?
I’m coming down fast but don’t let me break you
Tell me, tell me, tell me your answer
You may be a lover but you ain’t no dancer
Look out

Helter Skelter
Helter Skelter
Helter Skelter
Look out
Helter Skelter
She’s coming down fast
Yes she is

Pete Townshend declarou na imprensa musical que o The Who tinha acabado de gravar a coisa mais barulhenta, mais suja e mais rock de todos os tempos. Adorei essa descrição, então entrei no estúdio e disse ao pessoal: “Vamos ver o quanto a gente consegue ser barulhento e estridente. Vamos fazer os ponteiros dos decibéis atingirem o ápice”.
Muita gente nos Estados Unidos ainda não sabe o que significa “helter skelter”. Eles imaginam que é um tipo de montanha-russa. Na verdade, é uma espécie de tobogã construído em forma espiral em torno de uma torre. Brincamos nele um montão de vezes na infância. Você sobe as escadas por dentro, pega um tapete – tipo um saco de estopa –, senta em cima dele, desce escorregando e sobe de novo. Eu usava isso como um símbolo da vida. Num instante estamos lá em cima, no outro, lá embaixo. Alternamos momentos de euforia e de tristeza. Essa é a natureza da vida. As estrofes se inspiram na canção da Falsa Tartaruga de Alice no País das Maravilhas:

O badejo indagou ao caracol: “Quer andar mais rapidinho?
Tem alguém na minha cola, é o senhor golfinho.
Com que ânsia lagostas e tartarugas avançam!
Na praia de seixos, quem vai se juntar à dança?
Vai ou não vai, vai ou não vai se juntar à dança?
Vai ou não vai, vai ou não vai se juntar à dança?”

John e eu amávamos Lewis Carroll e o citávamos com frequência. Versos como “She’s coming down fast” têm um componente sexual, talvez um pequeno elemento de droga também. Um pouco mais sombrio.
Mas as coisas ficaram mesmo sombrias quando Charles Manson, um ano depois, sequestrou a canção. Ele pensava que os Beatles eram os Quatro Cavaleiros do Apocalipse e começou a ler tudo isso nas letras. Tudo que é tipo de significado secreto. Aparentemente, ele leu em “Helter Skelter” o inferno. Fiquei sem tocar a canção em shows durante muitos anos após Sharon Tate e outras pessoas terem sido assassinadas pelos seguidores de Charles Manson. Tudo foi muito distorcido.
Só continuávamos interessados numa distorção: a sonora. E podíamos criá-la com as técnicas desenvolvidas com os grandes engenheiros do Abbey Road. O processo de gravação de “Helter Skelter” foi interminável, uma façanha de resiliência. Tanto que Ringo, ao final, gritou que estava com bolhas nos dedos. Foi um tipo de sessão daquelas. “Ardemos no inferno” durante as gravações, e talvez por isso Manson tenha detectado algo infernal nela. A canção às vezes tem sido creditada como o início do heavy metal. Não sei se é o caso, mas com certeza a música anterior ao rock, a música dançante, suave e romântica, tornou-se página virada. E esta canção ajudou a virar essa página.
Ano após ano, procurei a faixa do The Who à qual Pete Townshend se referiu. Inclusive perguntei a Pete sobre isso, e ele não consegue se lembrar. Talvez fosse “I Can See for Miles”. A coisa mais barulhenta, suja e rock de todos os tempos? Nunca ouvi canção alguma do The Who que fosse tão barulhenta e suja quanto ela era na minha imaginação.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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